Tecnologia – Ciência: Em entrevista ao Jornal da USP o atual Presidente do CNPq alerta que rombo de R$ 300 milhões põe em risco bolsas e fomento à pesquisa.

João Luiz Filgueiras de Azevedo. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – Reg. 85-19. 2019/03/21 – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

 

 

Em entrevista exclusiva ao Jornal da USP, o atual presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), João Luiz Filgueiras de Azevedo, que assumiu a entidade em fevereiro, falou sobre vários problemas que já estão listados precisam ser resolvidos. Uma das principais questões é a diferença entre o orçamento previsto para a Agência e as necessidades reais, que tem um rombo de R$ 300 milhões.

 

 

O Presidente do CNPq revelou ao Jornal da USP que “não haverá Chamada Universal em 2019 e nem aumento no valor das bolsas, por enquanto. “Não existe plano B. Não temos como fechar as contas sem mais grana neste ano; isso é um fato.”

 

 

 

Entre os muitos desafios, segundo revelou João Luiz na entrevista, está também o resgate da estrutura operacional do próprio CNPq. As plataformas Lattes e Carlos Chagas estão criticamente defasadas do ponto de vista tecnológico, operando no limite da sua capacidade; e o quadro de funcionários da agência não para de encolher. Cerca de 20 servidores se aposentaram só nos últimos 30 dias, e outros 74 poderão deixar a agência até o fim do ano. “Estamos sentindo o aperto”, diz Azevedo. “Você até consegue fazer mais com menos pessoas, se você informatizar e automatizar processos, etc. Mas tem um limite abaixo do qual a coisa entra em colapso.”

 

 

 

Em meio a essa escassez de recursos humanos e financeiros, o novo presidente ainda tem a missão de tentar conciliar o apoio universal à pesquisa científica, que é uma marca do CNPq, com as demandas crescentes por inovação tecnológica e priorização de investimentos em áreas consideradas estratégicas pelo governo. “O mais difícil não é priorizar, é compatibilizar”, diz Azevedo. “Esse é o grande desafio de longo prazo.”

 

 

 

O montante previsto para o CNPq na Lei Orçamentária Anual (LOA) deste ano é de R$ 785 milhões para bolsas e de R$ 127 milhões para fomento à pesquisa. Total: R$ 912 milhões. O mínimo necessário para honrar os compromissos já assumidos, segundo Azevedo, é R$ 1,2 bilhão. Sem uma complementação orçamentária, chegará um momento — em setembro — em que o órgão terá de optar entre pagar bolsas ou pagar projetos. “Estou cautelosamente otimista de que a gente vai conseguir reverter isso, porque nosso ministro está muito empenhado nesse sentido, mas ainda não revertemos. Ou seja, o problema ainda existe.”

 

 

Vale apena conferir a integra da entrevista pode ser conferida na versão digital do Jornal da USP

 

 

Da Redação com informações provenientes e vinculadas pelo Jornal da USP