Saúde: Bioinseticida desenvolvido pela Fio Cruz promete acabar com o mosquito que transmite a dengue, chikungunya e zika

Bioinseticida enfrenta dengue, chikungunya e zika - Imagem: Fiocruz/Divulgação
Bioinseticida enfrenta dengue, chikungunya e zika – Imagem: Fiocruz/Divulgação

 

 

Pesquisadores da Fiocruz lançaram um inseticida biológico capaz de combater o pernilongo que transmite os vírus da dengue, chikungunya e zika.

 

 

O produto, em forma de tablete ou granulado, deve ser aplicado onde há acúmulo de água, eliminando as larvas do Aedes aegypti, pernilongo que transmite as três doenças.

 

Rodrigo Perez Diretor da BR3
Rodrigo Perez Diretor da BR3

 

 

Inicialmente, a comercialização será com as secretarias de saúde (estaduais e municipais). “Neste primeiro momento o DengueTech não estará disponível diretamente ao consumidor. Vamos negociar com os entes governamentais”, explicou Rodrigo Perez Diretor da BR3. Ele informou que, em breve, deverá ser registrada, pela Anvisa, a versão a ser utilizada em reservatórios de água potável.

 

 

 
De origem biológica, o larvicida foi desenvolvido pela equipe da pesquisadora Elizabeth Sanches, da Vice-Diretoria de Ensino, Pesquisa e Inovação (VDEPI), a partir de bactérias encontradas no solo nacional. Foram criados três diferentes tipos, a fim de combater os mosquitos transmissores da dengue, malária e filariose, doenças tropicais que matam milhares de pessoas nas Américas e Caribe. Em 2012, Farmanguinhos iniciou o processo de transferência de tecnologia para a empresa BR3 S/A, que passou a ter exclusividade para fabricação dos produtos.

 

Elizabeth Sanches, da Vice-Diretoria de Ensino, Pesquisa e Inovação (VDEPI)
Elizabeth Sanches, da Vice-Diretoria de Ensino, Pesquisa e Inovação (VDEPI)

 
Ação – Elizabeth Sanches explica que criou o produto a partir do isolamento da bactéria Bacillus thuringiensis ou BTI. Na verdade, trata-se de um biolarvicida, uma vez que ele atua sobre as larvas do Aedes aegypti, vetor da Dengue, Chikungunya e Zika. “Aplicado nos criadouros, o produto é ingerido pelas larvas do Aedes aegypti que, entre duas a quatro horas após a ingestão, sofrem uma paralisação de seus músculos bucais e não conseguem mais se alimentar. Em seguida, as bactérias criam resistência, causando infecção interna nas larvas já debilitadas, eliminando-as”. Na água, cada pastilha tem duração média de sessenta dias.

 

 

 
Chikungunya – A febre chikungunya é uma doença causada por vírus do gênero Alphavirus, transmitida por mosquitos do gênero Aedes, sendo o Aedes aegypti (transmissor da dengue) e o Aedes albopictus os principais vetores. Os sintomas da doença são febre alta, dor muscular e nas articulações, cefaleia e exantema e costumam durar de três a 10 dias. A letalidade da chikungunya, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), é rara, sendo ainda menos frequente que nos casos de dengue. Para evitar a transmissão do vírus, é fundamental que as pessoas tomem as mesmas medidas adotadas para o controle da dengue.

 

 

 

No Brasil – Foram registrados no país, até agosto deste ano, 3.513 casos confirmados de febre chikungunya, sendo 2.551 na Bahia, 951 no Amapá e 7 no Distrito Federal. Em 2014, foram confirmados 2.773 casos autóctones (dentro do mesmo território) da doença, ou seja, de pessoas sem registro de viagem para países com transmissão da enfermidade, como República Dominicana, Haiti, Venezuela, Ilhas do Caribe e algumas regiões da África, como Ilha da Reunião.

 

 

 

Doença no mundo – De acordo com a OMS, desde 2004, o vírus havia sido identificado em 19 países. Porém, a partir do final de 2013, foi registrada transmissão autóctone em vários países do Caribe. Em março de 2014, na República Dominicana e Haiti, sendo que, até então, só África e Ásia tinham circulação do vírus.

 

 

 

 

Zika – A doença causada pelo vírus zika é caracterizada por febre baixa, hiperemia conjuntival (olhos vermelhos) sem secreção e sem coceira, exantema máculo-papular (erupção cutânea com pontos brancos ou vermelhos), inchaço e dores em articulações, além de dores musculares, dor de cabeça e nas costas. O período de incubação é de aproximadamente quatro dias, após a picada pela fêmea do mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue. Os sinais e sintomas podem durar até sete dias. A maior parte dos casos de infecção não apresenta nenhuma manifestação clínica, o acometimento neurológico é raríssimo e não há registro de morte associada. As medidas de prevenção e controle são as mesmas já adotadas para a dengue e chikungunya.

 

 

 

 

Da Redação com informações da Fio Cruz