Tecnologia: Projeto ABC mostra resultados efetivos no Tocantins

O evento contou com um público variado, incluindo produtores rurais, estudantes, técnicos e agentes financeiros
O evento contou com um público variado, incluindo produtores rurais, estudantes, técnicos e agentes financeiros – Foto: Clenio Araujo

 

 

Uma sensível melhora em diferentes aspectos. Em resumo, é isso o que vem tendo a Fazenda Laço de Ouro, localizada no município de Almas, que fica no Sudeste do Tocantins. De propriedade de Neiçon Gomes, é uma das que participam do projeto ABC-TO, de incentivo a uma agricultura com baixa emissão de carbono no estado.

 

Executado em parceria entre o Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado do Tocantins (Ruraltins), a Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas, TO) e produtores de várias regiões do estado, o projeto trabalha com propriedades consideradas Unidades de Referência Tecnológica (URTs).

 

 

 

Uma dessas URTs é a própria Laço de Ouro. Nela, aconteceu no último sábado, 25 de abril, dia de campo para apresentar os resultados que estão aparecendo e agradando Neiçon. Além dessa aprovação por parte do produtor, o trabalho gera resultados efetivos, falando do ponto de vista financeiro.

 

 

 

“O projeto, só com a silagem que foi colhida, já paga no primeiro ano esse empreendimento implantado nos cinco hectares. Fora o que vai vir pra frente: o eucalipto, que já está plantado e ainda vai ter as receitas futuras, e a pastagem implantada”, explica João de Albuquerque Filho, técnico do Ruraltins que atende a propriedade.

 

 

Para se chegar a bons resultados, são essenciais dois pontos: que o produtor planeje bem o que vai fazer em sua área e entenda sua propriedade como um sistema, ou seja, o foco não é mais apenas na atividade agrícola ou na pecuária, por exemplo. Esse é um trabalho, muitas vezes, de médio a longo prazo, que envolve mudanças de atitudes no campo. Um exemplo é a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que vem se expandindo por diferentes regiões brasileiras.

 

 

 

Alisson Moura Santos, pesquisador da Embrapa Florestas (Colombo, PR) e que trabalha no Tocantins, conta que “o sistema de integração, por si só, já contempla vários componentes agrícolas na mesma área. Então, o produtor tem que ter a capacidade de observar e otimizar cada sistema, mas, acima de tudo, ter esse gerenciamento. Saber qual foi o gasto de cada componente, pra saber os principais ganhos, onde de fato está trazendo lucro pra ele na propriedade. Ou seja, ele tem que ter uma visão generalista”.

 

 

 

João de Albuquerque Filho e Alisson Moura Santos foram responsáveis por estações técnicas durante o dia de campo. Outra estação esteve a cargo de Pedro Alcântara, que trabalha com transferência de tecnologia na Embrapa Pesca e Aquicultura. Ele falou sobre silagem, mostrando possibilidades que o produtor tem à disposição para alimentar o gado em períodos de seca.

 

 

 

Houve ainda uma estação técnica sobre alternativas de crédito, em que foram mostradas regras de diferentes programas de financiamento disponíveis aos produtores. Um deles é voltado a produtores interessados em praticar agricultura de baixa emissão de carbono e financia itens como recuperação de pastos degradados, plantio de florestas comerciais e fixação biológica de nitrogênio.

 

 

 

Pioneirismo – Neiçon é um produtor pioneiro em Almas quando o assunto é integração lavoura-pecuária-floresta e recomenda a outros que implantem o sistema. Segundo ele, a situação da propriedade melhorou com a chegada do projeto ABC-TO e a expectativa para os próximos anos é boa.

 

 

 

“Eu tive a felicidade de me expor e então estou tendo aquela assistência toda, não estou tendo um custo (financeiro para a assistência de um técnico)”, conta Neiçon, que agora espera o plantio de mogno africano em sua área, possibilidade que surgiu.

 

 

 

Dona Neiva fica atenta aos detalhes do que acontece na propriedade: “faço anotação da chuva, com o pluviômetro, anotação do gado também”, relata. Segundo ela, hoje o gado está melhor e mais produtivo do que antes. O filho Lucas, de 15 anos, diz que “futuramente, pretendo formar em Agronomia, depois de um, dois anos, em Zootecnia, e pretendo voltar pra roça”.

 

 

E João de Albuquerque Filho, do Ruraltins, aprova a parceria entre sua instituição, a Embrapa e o produtor, que acontece desde o início dos trabalhos. “Eu acho que é o caminho. Porque a Embrapa faz a pesquisa, vê o que dá certo, transfere pro Ruraltins, que implanta, e o produtor absorve. Então, é um casamento perfeito”, diz.

 

 

 

Da Redação com informações de Clenio Araujo – Embrapa Pesca e Aquicultura