Saúde: Doenças psiquiátricas e neurológicas podem ter mesma base genética

Além da professora Helena, a USP é representada no artigo por outros dois pesquisadores, o professor Eurípedes Constantino Miguel e a pós-doutoranda Carolina Cappi – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Além da professora Helena, a USP é representada no artigo por outros dois pesquisadores, o professor Eurípedes Constantino Miguel e a pós-doutoranda Carolina Cappi – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

 

 

De modo geral, pessoas que sofrem de diferentes transtornos psiquiátricos ou neurológicos podem apresentar sintomas e características parecidos entre si, às vezes até iguais ‒ alucinações, por exemplo, são um traço comum tanto em pacientes com esquizofrenia quanto em quem tem Alzheimer. Por este motivo, a possibilidade de tais doenças possuírem as mesmas bases biológicas sempre foi levantada por cientistas.

 

 

Pesquisa recente, publicada em artigo na revista Science, traz resultados que ajudam a esclarecer a questão. Pode-se concluir, por exemplo, que grande parte das doenças psiquiátricas, como ansiedade, depressão e transtorno obsessivo compulsivo, possuem alto índice de correlação genética entre si, ou seja, compartilham genes parecidos. Por outro lado, as doenças neurológicas, dentre elas Alzheimer, Parkinson e epilepsia, apresentam correlação genética pouco significativa comparadas umas com as outras.

 

 

 

 

Mas talvez o mais significativo é que, quando cruzadas as informações dos transtornos psiquiátricos com dos neurológicos, descobriu-se que a correlação genética entre ambos também é baixa, sugerindo que sejam causados por fatores diferentes, mesmo que compartilhem algumas características.

 

 

 

 

Conforme explica Helena Brentani, professora da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e uma das autoras, de forma simplificada, pode-se dizer que a neurologia estuda a relação do cérebro com os demais órgãos do corpo, enquanto a psiquiatria considera também o relacionamento do indivíduo com o ambiente externo, inclusive as outras pessoas. A conclusão do estudo reforça a compreensão destes transtornos em categorias separadas: já que possuem origens diversas, faz sentido que sejam analisados de modo distinto.

 

 

 

 

Dentro da psiquiatria, ocorre o contrário. A alta taxa de correlação genética entre os transtornos psiquiátricos é algo que leva a repensar o modo como são feitos os diagnósticos. “Hoje, falamos em doenças diferentes, mas, se elas compartilham sintomas, é muito comum que ocorram na mesma família e têm correlação genética enorme, será que a base delas não é a mesma e foi alguma outra coisa no meio do caminho que levou a uma ou outra?”, diz Helena. “Se eu penso assim, eu olho para o paciente de uma forma diferente.”

 

 

 

Outra conclusão da pesquisa é que quanto mais cedo uma doença do cérebro se manifesta, maior é a sua herdabilidade, ou seja, maior o componente genético envolvido ‒ algo que já se imaginava, mas só agora pôde ser comprovado cientificamente.

 

 

 

 

Da Redação com informações provenientes do Jornal da USP