São Paulo – Mês do Orgulho LGBT: Oficina Cultural Oswald de Andrade apresenta espetáculos que abordam a LGBTfobia durante o mês de Junho.

Junho é Mês do Orgulho LGBT – Tomaz Silva/Agência Brasil

 

 

Todo junho, o movimento LGBT reforça suas constantes lutas pelas suas vidas, por respeito e contra a intolerância. Os índices de violência contra essa população no Brasil são inaceitáveis: em 2018, a cada 20 horas uma pessoa LGBT foi morta. É função da sociedade colocar a temática em foco para fortalecer o movimento e garantir a dignidade da população LGBT, como de qualquer cidadão. Nesse contexto, no mês do orgulho LGBT, a Oficina Cultural Oswald de Andrade – equipamento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, administrada pela Poiesis – apresenta dois espetáculos que abordam a LGBTfobia.

 

 

 

Saiba por que junho é o mês do orgulho LGBT

 

 

Tudo começou lá nos Estados Unidos, em 1969, com as revoltas de Stonewall. Até a década de 1960, o país era muito rígido com a população LGBT. Era considerado crime se relacionar com pessoas do mesmo sexo – ainda que o feito dentro de casa. Nesta época, um relacionamento LGBT poderia levar à prisão e, algumas vezes, até à morte. A prática era considerada uma doença e, na tentativa de “curar” as pessoas, muitas medidas cruéis e desumanas foram adotadas, como por exemplo castração, choque elétrico e lobotomia (cirurgia onde parte do cérebro do paciente é retirada para estudo).

 

 

 

Assustados e revoltados com a situação, a comunidade LGBT local de Nova York começou a se organizar para se proteger. Na época, poucos lugares aceitavam homossexuais, mas no bairro de Greenwich Village havia um bar que era um ponto de encontro para todos aqueles que se sentiam – e de fato eram – marginalizados pela sociedade: o Stonewall Inn. O local recebia batidas policiais frequentes, deixando diversas pessoas feridas por conta da ação violenta e covarde da polícia. Esse comportamento revoltou os frequentadores, que decidiram se unir para se proteger e evitar que os policiais ferissem amigos e parentes. Em 28 de junho de 1969, o grupo LGBT se defendeu e os acontecimentos começaram a ser noticiados por grandes veículos, como o The New York Times e o New York Post.

 

 

 

Em 1970, um ano após os acontecimentos em Stonewall, a comunidade local se reuniu novamente para fazer passeatas pelas ruas e clamar por direitos. O evento reuniu cerca de 10 mil homossexuais. Desde então, junho é considerado o mês do Orgulho LGBT por representar o levante do grupo contra a violência. Desta forma, a luta por dignidade, respeito e direito é lembrada todos os anos nesta data.

 

 

 

Programação

 

Escrita por Roberto Muniz Dias, “Entrega para Jezebel” conta a história de Jezebel, uma travesti que alterna o seu tempo entre o trabalho nas ruas e o cuidado do pequeno Eduardo, deixado com ela por uma amiga. Entre cenas do passado e do presente, a protagonista divide com o público sua história de transfobia na rua, em casa, na escola, em relacionamentos. Jezebel também nos apresenta seus sonhos: ser cantora e ser mãe. Travesti pode ser artista? Travesti pode ser mãe? Em cena, Valéria Barcellos e Clodd Dias, ambas atrizes negras e transexuais, e Daniel Sapiência, sob a direção de Rodolfo Lima. 3 a 26/6, às 20h.

 

 

 

No dia 13, estreia “Max”, espetáculo que aborda a LGBTfobia por meio de uma narrativa distópica. Após passar quase três anos em coma, Max acorda com poucas lembranças de sua vida antes do acidente e encontra uma cidade completamente transformada. O presidente do país foi deposto e, em seu lugar, assumiu um pastor que empreende uma cruzada moral baseada na extinção de todas as liberdades individuais. Entre idas e vindas do consultório psiquiátrico, Max tenta reconstruir sua vida a partir de sua única fonte de memória: seus sonhos. 13/6 a 6/7, às 20h e às 18h.

 

 

 

Confira toda a programação de teatro da Oficina Cultural Oswald de Andrade em junho:

 

 

Entrega para Jezebel

3 a 26/6, segunda a quarta, às 20h.

Recomendação etária: 18 anos. Duração: 80 min.

Entre

4 a 26/6, terças e quintas, às 20h.

Recomendação etária: 18 anos. Duração: 50 min.

Após temporada de sucesso em abril, o espetáculo da Cia. Barracão Cultural retorna à Oficina em junho. A produção explora três conceitos que permeiam as relações humanas: afetação, alienação e medo. São apresentadas duas cenas: na primeira, visível ao público, três irmãos conversam sobre coisas banais e relativas ao seu universo particular; a outra cena pode ser apenas ouvida, e o que se ouve é desordem e extrema violência. A maneira como essas duas situações irão ou não se afetar dá o mote do espetáculo. Com direção de Yara de Novaes.

 

 

Max

13/6 a 6/7, quintas e sextas, às 20h, e sábados, às 18h.

Recomendação etária: 18 anos. Duração: 60 min.

 

 

Hamlet Cancelado

24/6, segunda, às 20h.

Recomendação etária: 16 anos. Duração: 50 min.

Inconformado com o cancelamento daquela que seria a maior montagem do espetáculo “Hamlet” já realizada em sua cidade, um figurante que participaria da peça decide construir por conta própria sua adaptação dessa grandiosa montagem que não ocorreu. Para isso, utiliza fragmentos dos textos originais, trechos da proposta do encenador, pedaços dos cenários que estavam sendo construídos e retalhos dos figurinos que estavam sendo feitos, na esperança de poder levar ao público uma adaptação dessa ousada concepção de direção, oferecendo sua pequena versão da maior obra teatral já escrita.

 

 

 

Oficina | Construção de Espetáculo Solo – Insvestigando-se

17 a 22/6, segunda a sábado, das 14h às 18h

Inscrições até 1/6 pelo site das Oficinas Culturais. Recomendação etária: 18 anos.

Direcionada a atores amadores e profissionais com experiência anterior, a oficina propõe ao ator/atriz a pesquisa da capacidade expressiva de seus corpos para a concepção de um espetáculo solo.

 

 

SOBRE A OFICINA CULTURAL OSWALD DE ANDRADE

A Oficina Cultural Oswald de Andrade realiza atividades na formação e difusão cultural em diferentes linguagens artísticas. As atividades são gratuitas e no formato de oficinas, workshops, núcleos de estudos, seminários, residências artísticas, intercâmbios, apresentações cênicas, exposições, entre outros. Oficinas Culturais é um programa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo que atua desde 1986 na formação e na vivência da população no campo de cultura. O Programa é administrado pela organização social POIESIS.

 

 

SOBRE A POIESIS

A Poiesis – Organização Social de Cultura é uma organização social que desenvolve e gere programas e projetos, pesquisas e espaços culturais, museológicos e educacionais voltados para a formação complementar de estudantes e do público em geral. A instituição trabalha com o propósito de propiciar espaços de acesso democrático ao conhecimento, de estímulo à criação artística e intelectual e de difusão da língua e da literatura.

Oficina Cultural Oswald de Andrade

Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro – São Paulo

Telefone: (11) 3221-4704

Funcionamento: de segunda a sexta-feira das 9h às 22h, e aos sábados das 10h às 18h

www.oficinasculturais.org.br

 

 

 

Da Redação com informações provenientes da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo