São Paulo – Educação: Alunos da Etec Jaraguá criam projeto que leva rap à sala de aula

Projeto foi um dos onze selecionados dentre os 1492 projetos enviados para o Desafio Criativos na Escola – Foto: Divulgação

 

 

Ao longo da história, a força do protesto e as referências sociais foram algumas das características mais relevantes do rap. Três alunos da Escola Técnica Estadual (Etec) Jaraguá, que cresceram ouvindo esse gênero musical, decidiram desenvolver um trabalho educativo para a comunidade. Assim nasceu o Visões do Rap, projeto que utiliza as mensagens e críticas das músicas em um plano de aulas para escolas do bairro do Jaraguá, na zona norte da Capital.

 

 

 

 

Fãs dos rappers Djonga, Bk, ADL e Choice, os estudantes Luis Henrique Malafaia, Matheus da Silva e Murilo de Oliveira, autores do trabalho, são alunos do terceiro ano do curso técnico de Eletrotécnica integrado ao Ensino Médio. A orientação é do professor de filosofia Raphael Gimenes.

 

 

 

 

 

Os estudantes criaram um kit que contém material didático, documentários, músicas para debate e uma atividade de avaliação para o professor aplicar em sala. Desenvolvidas com a ajuda de diversos docentes, as aulas abordam temas como racismo, degradação do planeta, política nacional, questões contemporâneas e identidade de gênero. O professor interessado no conteúdo tem liberdade para escolher apenas um tema específico ou o conteúdo todo.

 

 

 

 

O Visões do Rap é direcionado para as disciplinas de sociologia, história e filosofia para o terceiro ano do Ensino Médio e história para o nono ano do Ensino Fundamental. O projeto começou e foi concluído em 2017, quando o grupo divulgou o resultado para as escolas da região de Jaraguá.

 

 

 

 

 

“Eu não ouvia muito rap até entrar na Etec. Quando conheci o Luis e o Murilo, comecei a prestar mais atenção nas letras. Passamos a ler cada vez mais sobre o assunto e a escutar mais músicas, essa foi a origem do Visões do Rap”, conta Matheus.

 

 

 

Premiação

 

 

 

A ideia do trabalho surgiu durante as aulas de filosofia do professor Raphael, que incentivou os alunos a participar do Desafio Criativos na Escola. Realizado pelo Instituto Alana, o programa recebe projetos do Brasil inteiro e premia alunos e educadores que transformam a sua comunidade. Em 2017, foram selecionados 11 grupos dentre os 1.492 projetos enviados. O Desafio utiliza como critérios protagonismo, empatia, criatividade e trabalho em equipe.

 

 

 

 

Atualmente, o projeto já foi enviado a cinco escolas da região do Jaraguá e aplicado em duas delas: na própria Etec e na E.E. Elísio Teixeira Leite III. A avaliação dos professores, em ambos os casos, foi positiva. “Ninguém imaginava que daria essa repercussão. Tinha pensado em trabalhar o rap apenas com aulas voluntárias, em centros culturais. Não imaginei criar um plano de aula e oferecer para escolas. Agradecemos ao professor Raphael pelo incentivo”, afirma Luis Henrique.

 

 

 

 

Como vencedor do Desafio Criativos na Escola, o grupo foi convidado a passar uma semana no Rio de Janeiro. No Museu do Amanhã os alunos receberam o prêmio no valor de R$ 1,5 mil. O professor ganhou R$ 500, que doou para a escola. “Abri mão do dinheiro para juntos construirmos uma rádio para a Etec. Também vamos melhorar os equipamentos de som nas salas de aula”, diz Gimenes, que foi responsável por tirar as dúvidas dos alunos sobre fatos históricos presentes nas letras de rap.

 

 

 

 

O prêmio será utilizado ainda para criar um site, com a proposta de divulgar colocar o plano de aula à disposição de outros educadores.

 

 

 

Plano de expansão

 

 

 

 

Nos próximos meses, os estudantes pretendem ampliar o número de escolas envolvidas e dobrar o conteúdo, passando das atuais 8 aulas para 16 e incluir a disciplina de língua portuguesa com foco em metalinguagem, poesia, rima e metáforas. Outra proposta é dar continuidade ao projeto com diferentes ritmos musicais, como funk, reggae e MPB.

 

 

 

 

“O maior intuito do Visões do Rap é quebrar preconceitos de todos os tipos, seja sobre estilo musical, racismo ou identidade de gênero. Vamos deixar a rádio como o nosso legado para a escola”, conclui Murilo.

 

 

 

 

Da Redação com informações provenientes da Assessoria de Comunicação do Centro Paula Souza