São Paulo – Educação: Alunos da Etec de Limeira extraem cobre de resíduos tóxicos industriais

Vitória Ventura, Elizandra Silva e Kaíque Ferreira durante exposição do projeto vencedor da 16ª edição da Febrace

Projeto conquistou sete prêmios na 16ª Febrace; além de reverter prejuízo da indústria, pesquisa se apresenta como alternativa para escassez do minério

 

 

 

 

Os resíduos tóxicos da indústria de joias folheadas, considerados uma grave ameaça ao meio ambiente, podem se transformar em uma nova fonte de matéria-prima. Três estudantes da Escola Técnica Estadual (Etec) Trajano Camargo, de Limeira, desenvolveram uma metodologia para separar o cobre dos rejeitos e aproveitá-lo novamente na indústria.

 

 

 

 

A pesquisa elaborada pelos alunos Elizandra Larissa da Silva, Kaíque Gonçalves Ferreira e Vitória Ventura, do curso técnico de Química Integrado ao Ensino Médio, conquistou o primeiro lugar, na categoria Engenharia, da 16ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), realizada em março, na Capital. O projeto recebeu outros seis prêmios na mostra. Os estudantes foram credenciados para representar o Brasil na Feira Internacional de Ciências e Engenharia (Intel ISEF), que será realizada entre os dias 13 e 19 de maio, em Pittsburgh, nos Estados Unidos.

 

 

 

 

Orientados pelos professores Gislaine Delbianco e Sérgio Delbianco Filho, os jovens começaram a desenvolver o projeto no ano passado como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). O método consiste em separar o cobre do lodo residual da produção das joias folheadas por meio de uma troca de elétrons utilizando palha de aço. O cobre fica depositado na palha e depois recebe um tratamento com ácido clorídrico para que se separe do ferro.

 

 

 

 

Ao final do processo, é possível obter o próprio cobre metálico utilizado como matéria-prima na produção das joias ou o sulfato de cobre, uma solução aplicada em banhos de galvanização. “As empresas da região gastam altas quantias de dinheiro no tratamento e no descarte de toneladas de resíduos. Com a nossa proposta de baixo custo, será possível reverter esse prejuízo em lucro”, explica um dos autores da pesquisa, Kaíque, de 16 anos.

 

 

 

 

Reciclar para não faltar

 

 

 

 

Os estudantes afirmam que os testes feitos em laboratório demonstram que, após o processo químico para separação do cobre, os elementos residuais ainda presentes não possuem mais os metais pesados em quantidade nociva para o meio ambiente e poderiam ser despejados sem risco em aterros sanitários. “Porém, nossa ideia é dar continuidade à pesquisa e encontrar uma maneira para reaproveitar também esses outros resíduos e transformá-los, por exemplo, em adubo mineral”, planeja Kaíque.

 

 

 

 

Para a orientadora do projeto, além de apresentar um grande potencial econômico e ambiental por meio da logística reversa, a proposta poderá minimizar os impactos na exploração do metal. “Estudos internacionais apontam que as jazidas de cobre correm sério risco de esgotamento nas próximas décadas. Por isso, é urgente buscar fontes alternativas”, ressalta Gislaine, que foi a vencedora do prêmio Professor Destaque da 16ª Febrace.

 

 

 

 

Da Redação com informações provenientes da Assessoria de Comunicação do Centro Paula Souza