Nacional – Política: O jornalista Glenn Greenwald é chamado para falar no CCS do Senado sobre ameaças que estaria recebendo por matérias contra a Lava Jato.

O jornalista norte-americano, Glenn Greenwald, é um dos sócios do site The Intercept, que vem divulgando conversas privadas do então Sergio Moro com procuradores da Lava Jato – Foto: Lia de Paula/Agência Senado

 

O Conselho de Comunicação Social (CCS) aprovou nesta segunda-feira (17) a vinda do jornalista norte-americano Glenn Greenwald, editor do site The Intercept, cuja subsidiária brasileira vem publicando desde o dia 9 de junho, conversas mantidas através de redes sociais pelo ex-juiz Sergio Moro — hoje ministro da Justiça — com procuradores da Lava Jato entre os anos de 2015 a 2018. Nos diálogos (aos quais, o ministro em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, na semana passada, disse “não reconhecer autenticidade”), ficaria evidenciada a condução política da operação contra o PT e o ex-presidente Lula, segundo o site de notícias de Greenwald.

 

 

 

A audiência com o jornalista ficou agendada para o dia 1º de julho. A iniciativa de chamá-lo partiu do representante da sociedade civil no Conselho, o advogado Miguel Matos.

 

 

 

— Não podemos fechar os olhos para o que vem ocorrendo neste país. É algo de uma gravidade extrema, e intimamente ligado também à nossa atuação neste conselho. O imbróglio em torno do que vem sendo divulgado pelo The Intercept é algo sem precedentes na história brasileira. E Greenwald tem dito que vem sofrendo inúmeros atentados ao livre exercício do jornalismo. É preciso então que ele venha aqui e esclareça o que vem acontecendo. A liberdade de imprensa é a garantidora do Estado democrático de direito, não podemos fechar os olhos para o que está se passando — esclareceu Matos.

 

 

Amplo debate

 

O jornalista Davi Emerich também foi favorável à vinda de Greenwald, mas defendeu que o CCS não poderia ignorar, neste momento, a conjuntura política que divide o país. Por isso, solicitou que outros jornalistas também fossem chamados, visando que a audiência não se tornasse “manca” num debate público.

 

 

A partir daí, a presidente do Instituto Palavra Aberta, Patrícia Blanco, sugeriu a participação do jornalista Claudio Dantas, do site O Antagonista. E o presidente do CCS, o cientista político Murillo de Aragão, sugeriu ainda a participação na mesa dos jornalistas Daniel Bramatti (presidente da Abraji — Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e Maria José Braga (presidente da Fenaj — Federação Nacional dos Jornalistas e também conselheira do CCS), além do ex-ministro do STF, Carlos Ayres Brito. Os nomes acabaram sendo acatados pelos demais membros do conselho.

 

 

Fake news

 

Durante a reunião, o CCS também aprovou o relatório de Patrícia Blanco que pede aprimoramentos ao PL 559/2019, apresentado pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS) e ainda em análise na Câmara dos Deputados. O projeto busca incluir uma disciplina específica nos currículos dos sistemas de ensino médio e fundamental, tratando sobre a utilização ética das redes sociais e contra a disseminação das notícias falsas (fake news).

 

 

Mas em seu relatório, acatado pelo CCS, Blanco defende que a educação midiática no que diz respeito ao uso das redes sociais, ao nível dos ensinos médio e fundamental, deve se dar em sinergia com diretrizes já estabelecidas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a diversas disciplinas ligadas aos currículos de ciências sociais e da natureza. Entende também que a criação de mais uma disciplina nestes currículos esbarra em dificuldades estruturais ligadas a custos e à contratação de pessoal especializado por parte de todas as unidades da Federação, dentre outras questões de praticidade infra-estrutural.

 

 

Da Redação com informações provenientes da ‘Agência Senado’