Nacional – Política: Deputados da CPI de Brumadinho se mostraram “revoltados” com o silêncio dos funcionários que atestou estabilidade de barragem.

Makoto Namba, engenheiro auditor da Tüv Süd, e que assinou o laudo de estabilidade, admitiu para a Polícia Civil de Minas que houve “pressão sutil” de gerente da Vale – Foto: Jailson Sam/Câmara dos Deputados

 

 

Deputados da CPI de Brumadinho se mostraram “revoltados” com o silêncio e a falta de informação de funcionários da empresa alemã Tüv Süd, que atestou a estabilidade da barragem do Córrego do Feijão. Dos quatro funcionários convocados para depor nesta quinta-feira (23), um deles – o engenheiro Vinícius Wedekin – conseguiu no Supremo Tribunal Federal (STF) o direito de não comparecer à CPI.

 

A diretora de gestão e qualidade da Tüv Süd, Alice Maria, afirmou não ter competência para comentar as análises técnicas e as auditorias da empresa. Já os engenheiros auditores Makoto Namba e André Yassuda tinham um habeas corpus preventivo, também concedido pelo STF, para não responderem às perguntas da CPI, como informou Makoto.

 

 

 

“Eu só gostaria de falar que a equipe que participou dos projetos da Vale está consternada e arrasada em relação às consequências da tragédia em Brumadinho e que se solidariza com a dor das famílias das vítimas. Por orientação dos advogados, eu vou permanecer em silêncio”, disse Makoto Namba.

 

 

 

Namba e Yassuda apenas confirmaram o teor de depoimentos prestados à Polícia Federal, à Polícia Civil de Minas Gerais e ao Ministério Público. Foi Makoto Namba quem assinou o laudo de estabilidade da barragem de Córrego do Fundão, em setembro de 2018. Mas, no inquérito da Polícia Civil, o engenheiro admitiu ter havido “barbeiragem” da empresa Alphageos na instalação de drenos na barragem e “pressão sutil” do gerente de geotecnia da Vale, Alexandre Campanha, em prol do laudo de estabilidade.

 

 

Apoio da Alemanha

 

 

Relator da CPI, deputado Rogério Correia: “A gente não consegue saber nada da Tüv Süd. Eles vêm e não falam” – Foto: Jailson Sam/Câmara dos Deputados

 

 

Para o relator da CPI de Brumadinho, deputado Rogério Correia (PT-MG), a recusa da Tüv Süd em dar mais detalhes do caso prejudica o processo de responsabilização criminal. Correia confirmou a ida de parlamentares à embaixada da Alemanha na próxima quarta-feira (29) em busca de auxílio na investigação.

 

 

“A gente não consegue saber nada da Tüv Süd. Eles vêm e não falam. O outro que era administrador financeiro (Marcelo Pacheco) também não sabe. O Cris-Peter Meier (diretor de negócios e desenvolvimento) fugiu do Brasil: está lá na Alemanha. Isso reforça a necessidade da nossa ida à embaixada da Alemanha, porque uma empresa dá um atestado de estabilidade em setembro para uma barragem que se rompe em janeiro, não esclarece direito a relação que tinha com a Vale e não nos dá a devida informação em uma comissão parlamentar de inquérito. Isso é grave e inclusive fere a soberania nacional, já que é uma empresa estrangeira que deveria facilitar a apuração de um crime dessa gravidade”, afirmou Correia.

 

 

Ele e vários outros deputados – Gilberto Abramo (PRB-MG), Igor Timo (Pode-MG) e Áurea Carolina (Psol-MG)} disseram que a Tüv Süd e a mineradora Vale têm adotado a mesma estratégia de defesa: mantêm os funcionários envolvidos no caso afastados de suas funções e pagam os advogados de defesa para unificar as versões.

 

 

 

A CPI aprovou requerimento de convocação dos engenheiros André Pacheco Assis e Fernando Schnaid, que participaram dos debates na Vale em torno de mudanças de metodologia para atestar a estabilidade de barragens.
 

 

 

 

Da Redação com informações provenientes da ‘Agência Câmara Notícias’