Nacional – Meio Ambiente: Dia Nacional da Caatinga foi comemorado no último sábado – 28/04/2018

Dia Nacional da Caatinga foi comemorado no último sábado – 28/04/2018 – Foto: ICM Bio

 

No sábado (28) foi comemorado o Dia Nacional da Caatinga. O bioma semiárido é o mais biodiverso do mundo e o único exclusivamente brasileiro. Porém, a caatinga é o bioma menos protegidos pelas unidades de conservação federais. Por isso, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) criou, neste mês, o Parque Nacional e a Área de Proteção Ambiental (APA) do Boqueirão da Onça, protegendo cerca de 843 mil hectares. Ainda neste mês, o Instituto fez uma série de consultas públicas propondo criar mais um Parque Nacional dentro do bioma da caatinga, com 63 mil hectares, localizado na região da Serra do Teixeira na Paraíba.

 

 

 

 

Neste mês, o ICMBio promoveu quatro consultas públicas em municípios da Serra do Teixeira, na Paraíba. A região abriga uma riqueza de espécies endêmicas de plantas e aves do bioma da caatinga. Além disso, possui sítios de grande beleza cênica como o “Pico do Jabre” e a “Pedra do Tendó”. A unidade protegerá um muitas nascentes e espécies como veados, macaco-prego, onça puma e novas espécies de lagartos e borboletas. A Serra do Teixeira, que abrange onze municípios paraibanos, Água Branca, Catingueira, Imaculada, Juru, Mãe D’Água, Maturéia, Olho D’Água, Santa Teresinha Santana dos Garrotes, São José do Bonfim e Teixeira, foi a região definida como prioritária para a conservação da biodiversidade brasileira da caatinga.

 

 

 

“A criação de unidades de conservação na caatinga reforça a atenção e o interesse do ICMBio na proteção deste bioma tão ameaçado que é a caatinga”, ressalta o diretor de Criação e Manejo de Unidades de Conservação, Paulo Carneiro. Segundo ele, as unidades do Boqueirão da Onça, por exemplo, abrigam, provavelmente, a maior população de onças-pintadas da caatinga. Por isso, a criação destas unidades é um importante passo para viabilizar a sobrevivência da espécie na região que encontra-se criticamente ameaçada de extinção. A caatinga tem muitas espécies endêmicas, ou seja, só existem no local, ameaçadas de extinção.

 

 

 

Sobre a caatinga

 

 

 

A Caatinga ocupa cerca de 11% do território nacional. Abrange áreas dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe e o norte de Minas Gerais. Vinte e sete milhões de pessoas vivem atualmente na região, o que causa forte impacto sobre os recursos naturais. Nada menos que 80% dos ecossistemas originais foram alterados, principalmente por meio de desmatamentos e queimadas, em um processo de ocupação que começou nos tempos do Brasil colônia. Ainda hoje, grande parte da população da Caatinga utiliza os recursos da biodiversidade para sobreviver. Por outro lado, esses mesmos recursos, se conservados e explorados de forma sustentável, podem impulsionar o desenvolvimento da região.

 

 

 

A proteção da Caatinga tem ainda ligação com a mudança do clima que, entre outras coisas, causa a redução do volume das chuvas e, em consequência, a dificuldade de recarga dos aquíferos – fator decisivo para acelerar o processo de desertificação. Tudo isso alerta ainda mais a sociedade para a importância de se conservar o bioma.

 

 

Boqueirão da onça

 

 

 

O mosaico se situa nos municípios de Campo Formoso, Juazeiro, Sento Sé, Sobradinho e Umburanas, todas no estado da Bahia. O ambiente retém grande diversidade biológica de fauna e de flora típicos da caatinga, além de importantes formações cársticas e sítios arqueológicos e palenteológicos. A implementação das unidades vai fortalecer a pesquisa científica e cultural, e também promover atividades de educação ambiental e recreação em contato com a natureza pela população local.

 

 

 

Com 345.378 hectares, o parque é a segunda maior UC de proteção integral do bioma. Junto com a APA, forma um grande mosaico que, além de possuir grande variedade de ambientes, abriga animais endêmicos e em risco de extinção, entre eles, a onça-pintada, o maior felino das Américas. A onça tem no Boqueirão um de seus principais refúgios.

 

 

 

 

A APA, que é uma UC de uso sustentável, tem mais de meio milhão de hectares e permite a exploração de atividades produtivas, como o turismo ecológico. A ideia é propiciar emprego e renda para populações tradicionais, como quilombolas e comunidades de fundo de pasto (que se caracterizam pela posse e uso comunitário da terra).

 

 

“O Boqueirão da Onça é um lugar muito especial, importante pela sua natureza, com destaque para as onças. O parque, além de preservar a natureza, promoverá o turismo e permitir que a sociedade conheça essas maravilhas”, ressalta o diretor de Ações Socioambientais e Consolidação Territorial, Cláudio Maretti.

 

 

 

 

Da Redação com informações provenientes da Comunicação ICMBio