Nacional: Companhia Hidro Elétrica do São Francisco revela que o semiárido vive pior estiagem dos últimos 84 anos

De acordo com João Henrique, a grande caixa d'água da região opera hoje com 20% da capacidade - Foto: Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
De acordo com João Henrique, a grande caixa d’água da região opera hoje com 20% da capacidade – Foto: Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados

 

Parlamentares e representantes de concessionárias energéticas defendem gestão hídrica preventiva como contrapartida para o esvaziamento de reservatórios e a estiagem no semiárido. A comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha as obras de transposição se reuniu para ouvir representantes da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (a Chesf) e da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco (a Codevasf).

 

Segundo o diagnóstico do representante da Chesf, João Henrique de Araújo Neto, o semiárido vivencia a pior estiagem dos últimos 84 anos. A grande “caixa d’água” da região, o reservatório de Sobradinho, com capacidade para armazenar 34 bilhões de litros, opera hoje com 20% de seu potencial.

 

 

Para fazer frente ao cenário de crise, desde abril de 2013 a Chesf reduziu o volume de água injetado no sistema.. Hoje, a empresa trabalha com 1.100m²/s, abaixo dos 1.300m²/s fixados pelo Ibama e passa por período de teste para poder operar num nível ainda mais baixo, com 900 m²/s. O representante da empresa, João Henrique de Araújo Neto, explica a medida.

 

 

“Ela é preventiva, no sentido de assegurar que o período seco que começa agora e vai até novembro não venha a trazer mais dificuldades para os usuários. Então nós estamos fazendo essa operação, se o teste der certo de 900 m²/s seremos autorizados para uma prática contínua até novembro. Em novembro a gente espera que chuvas aconteçam e que aconteça consequentemente o ‘represionamento’ de reservatório.”

 

 

Apesar de favorável à transposição, o sergipano Jony Marcos (PRB) avaliou como ineficiente a contrapartida ambiental da Chesf na preservação da vegetação ciliar e dos mananciais hídricos na bacia do São Francisco.

 

 

 

“Não houve um trabalho da Chesf nas margens do que não era rio e agora é, para que pudesse ser colocado ali uma mata ciliar barrando a erosão, que hoje faz com que o rio esteja assoreado e já não tenha mais possibilidade de navegação, como foi o caso da navegação de Piarpora, até o porto de Petrolina, que hoje não é mais navegável.”

 

 

Araújo Neto, da Chesf, negou que a empresa descumpra as exigências do licenciamento ambiental. Ele acredita que a transposição do rio São Francisco vai ter menor impacto energético se comparada às fontes renováveis, como a energia eólica que ganha espaço no Ceará e no Rio Grande do Norte.

 

 

Durante a reunião da comissão externa que acompanha a transposição do São Francisco, o representante da Codevasf, José Machado, defendeu a gestão articulada da água entre a União, estados e municípios.

 

 
Da Redação com informações da Rádio Câmara Notícias