Justiça: TRF3 mantém suspensão de nomeação da ex-deputada estadual Vanessa Damo Orosco à superintendência do IBAMA.

A ex-deputada estadual Vanessa Damo Orosco, que na foto está ao lado de Michel Temer, não poderá assumir cargo na superintendência do IBAMA.
A ex-deputada estadual Vanessa Damo Orosco, que na foto está ao lado de Michel Temer, não poderá assumir cargo na superintendência do IBAMA.

 

 

Para magistrado, autora não pode ser nomeada para cargo público por ter mandato de deputada cassado e declarada inelegível até 2020

 

 

 

 

O desembargador federal Johonson Di Salvo, da Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), manteve a tutela antecipada (liminar) em ação popular que determinou a suspensão dos efeitos do ato de nomeação da ex-deputada estadual Vanessa Damo Orosco para o exercício do cargo de superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente de Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

 

 

 

 

 

A impetrante teve cassado seu diploma de deputada estadual por decisão unânime do Tribunal Superior Eleitoral, sendo que no âmbito do Tribunal Regional Eleitoral a agravante foi declarada inelegível até o ano de 2020, por abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social.

 

 

 

 

Em primeira instância, o juiz federal concedeu a liminar na ação popular e determinou a suspensão dos efeitos da Portaria 286/2016, da Presidência da República, que nomeou a ex-deputada.

 

 

 

 

 

Diante disso, a autora ingressou no TRF3 com o agravo de instrumento, alegando que a causa de inelegibilidade é circunstância avaliada exclusivamente pela Justiça Eleitoral e tão somente para fins de registro de candidatura, e apenas impede o indivíduo de ocupar cargo eletivo, não tendo efeito para outros cargos não eletivos do Poder Público.

 

 

 

 

 

Segundo o desembargador federal, a decisão da 1ª Vara Federal Cível de São Paulo/SP está bem fundamentada e demonstra a implausibilidade (não admissibilidade) do direito invocado pela ex-deputada, dando causa ao indeferimento do pedido de efeito suspensivo.

 

 

 

 

“Na verdade, a possibilidade de nomeação e investidura em cargo público comissionado e a atribuição de função de confiança a brasileiros em condição de inelegibilidade afronta o princípio confiança da moralidade insculpido no artigo 37 da Constituição Federal/88”, justificou o desembargador.

 

 

 

 

 

A agravante (deputada) ainda argumentou que estava no gozo de seus direitos políticos, conforme certidão de quitação eleitoral expedida em seu nome pela Justiça Eleitoral. Desse modo, estaria autorizada a participar dos processos de tomada de decisões pelo Estado, votar em eleições, plebiscito, referendo, estar filiada a partido político, entre outros.

 

 

 

 

Para o magistrado do TRF3, a alegação da agravante não encontra respaldo legal. “Deveras, se a autora se encontra na condição de inelegível, é claro que não pode ser nomeada para cargo público porque esse efeito não encontra eco no inciso II do artigo 5° da Lei 8.112/90 (Estatuto do Servidor Civil Federal)”, ressaltou.

 

 

 

 

Por fim, o desembargador ressaltou que não foram suficientemente demonstradas, no recurso, as condições exigidas no parágrafo único do artigo 995 do Código de Processo Civil para concessão do efeito suspensivo.

 

 

 

 

“No âmbito da decisão judicial suspensiva, o parágrafo único do artigo 995 (do CPC/2015) estabelece que a decisão do relator nesse sentido dependerá da situação em que a imediata produção de efeitos da decisão traga risco de dano que seja grave, de difícil ou impossível reparação e ficar demonstrada a probabilidade de provimento do recurso, sendo esses requisitos cumulativos”, concluiu.

 

 

 

 

Da Redação com informações provenientes da Assessoria de Imprensa da TRF3