Justiça: Ministério Público Federal em São Paulo denunciou executivos do Grupo JBS e do Banco Rural por crime contra o sistema financeiro

Ministério Público Federal em São Paulo denunciou executivos do Grupo JBS e do Banco Rural por crime contra o sistema financeiro
Ministério Público Federal em São Paulo denunciou executivos do Grupo JBS e do Banco Rural por crime contra o sistema financeiro

 

 

 

O Ministério Público Federal em São Paulo denunciou nove pessoas ligadas ao Grupo JBS e ao Banco Rural por crime contra o Sistema Financeiro Nacional. Em 2011, elas fizeram operações ilegais de concessão de empréstimo conhecidas como “troca de chumbo” envolvendo R$ 80 milhões. Entre os denunciados estão os presidentes do JBS, Joesley Mendonça Batista, e do Banco Rural, João Heraldo dos Santos Lima.

 

 

A “troca de chumbo” consiste em operações triangulares entre duas instituições financeiras integrantes de diferentes grupos econômicos para a emissão de crédito a empresas que também fazem parte desses conglomerados. A prática adotada infringe as Leis 4.595/64 (artigo 34) e 7.492/86 (artigo 17), que vedam a concessão de empréstimos de uma entidade financeira a suas sociedades controladoras.

 

 

 

 

OPERAÇÃO. O Grupo JBS é formado por 35 empresas, entre elas a J&F Participações e a Flora Produtos de Higiene e Limpeza. Em 22 de dezembro de 2011, as duas companhias obtiveram R$ 80 milhões em empréstimos do Banco Rural, um dia depois de abrirem contas correntes na instituição. Descontados impostos e taxas, a quantia total de R$ 79,3 milhões foi imediatamente transferida para as contas da J&F e da Flora no Banco Original, que também faz parte do Grupo JBS.

 

 

 

 

Quatro dias depois, a empresa Trapézio S.A., controladora do Banco Rural, recebeu empréstimo no mesmo valor, R$ 80 milhões, ao firmar contrato com o Banco Original, responsável por emitir a nova operação de crédito. Após os abatimentos legais, o valor de R$ 79,2 milhões foi transferido para a conta da Trapézio no Banco Simples, outro componente do Conglomerado Financeiro Rural.

 

 

 

 
“Pela adoção dessa prática espúria, o Banco Original concedeu indiretamente empréstimo vedado às coligadas J&F Participações S.A. e Flora Produtos de Limpeza e Higiene S.A., integrantes do Grupo JBS. Por seu turno, o Banco Rural procedeu do mesmo modo em relação à empresa Trapézio S.A., sua holding controladora”, diz trecho da denúncia.

 

 

 

DENUNCIADOS. Além de Joesley e João Heraldo, foram denunciados por participação direta nos atos ilegais o diretor financeiro da J&F, Antonio José Barbosa Guimarães, o presidente do Banco Original, Emerson Fernandes Loureiro, seu vice, José Eduardo Tobaldini Jardim, a presidente da Trapézio S.A., Kátia Rabello, seu vice, Plauto Gouveia, o vice-presidente do Banco Rural, Vinícius Samarane, e o diretor financeiro da instituição, Wanmir Almeida Costa.

 

 

 

 

A denúncia foi aceita pela Justiça Federal no último dia 19. O número para acompanhamento processual é 0009224-33.2014.4.03.6181. A tramitação pode ser consultada em http://www.jfsp.jus.br/foruns-federais/

 

 

 

 
Assessoria de Comunicação
Procuradoria da República no Estado de S. Paulo