Crise Econômica Brasileira: IBGE revelou que a produção industrial nacional recuou 3,5% em março de 2015 em relação ao mesmo período de 2014

Dia do Trabalho
Produção Industrial

 

 

Em março de 2015, a produção industrial nacional recuou 0,8% frente a fevereiro, na série com ajuste sazonal, após também mostrar queda em fevereiro último (-1,3%). Na série sem ajuste sazonal, em relação a março do ano anterior, a indústria recuou 3,5%, décima terceira taxa negativa consecutiva nessa comparação, embora menos acentuada do que a observada em fevereiro (-9,4%). Assim, o setor industrial acumulou quedas no ano (-5,9%) e também nos últimos doze meses (-4,7%). Esse último indicador mantém trajetória descendente desde março de 2014 (2,1%) e assinalou o resultado negativo mais intenso desde janeiro de 2010 (-4,8%).

 

 

Em março, produção industrial recua 0,8%

Março 2015 / Fevereiro 2015
-0,8%
Março 2015 / Março 2014
-3,5%
Acumulado no Ano
-5,9%
Acumulado em 12 meses
-4,7%
Média móvel trimestral
-0,6%

Em março de 2015, a indústria volta a mostrar menor ritmo produtivo, expresso não só na segunda queda consecutiva em relação ao mês anterior, mas também no perfil disseminado de taxas negativas: todas as grandes categorias econômicas e a maior parte das atividades apontaram redução na produção. Com o resultado de março de 2015, a produção industrial encontra-se 11,2% abaixo do nível recorde alcançado em junho de 2013. Ainda na série com ajuste sazonal, a menor intensidade na atividade fica evidenciada pela evolução da média móvel trimestral, em trajetória descendente desde outubro de 2014.

 

Indicadores da Produção Industrial por Grandes Categorias Econômicas
Brasil – Março de 2015

Grandes Categorias
Econômicas
Variação (%)
Março 2015/
Fevereiro 2015*
Março 2015/
Março 2014
Acumulado
Janeiro-Março
Acumulado nos
Últimos 12 Meses
Bens de Capital
-4,4
-12,4
-18,0
-13,8
Bens Intermediários
-0,2
-2,1
-2,8
-3,2
Bens de Consumo
-1,1
-4,0
-8,4
-5,0
   Duráveis
-3,1
-6,6
-15,8
-13,6
   Semiduráveis e não Duráveis
-0,3
-3,1
-5,9
-2,2
Indústria Geral
-0,8
-3,5
-5,9
-4,7

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Indústria
*Série com ajuste sazonal

 

 
No confronto com igual mês do ano anterior, a produção industrial permaneceu em queda, com o décimo terceiro resultado negativo consecutivo, embora com intensidade menor do que o verificado em fevereiro e influenciado, em grande parte, pelo efeito calendário, já que março de 2015 teve três dias úteis a mais do que igual mês de 2014. No acumulado do primeiro trimestre de 2015, a indústria recuou 5,9% e acentuou o ritmo de queda frente ao terceiro (-3,5%) e ao quarto (-4,1%) trimestres de 2014.

 

 

 

Série com ajuste sazonal tem quedas em 14 dos 24 ramos

 

 

 

A redução de 0,8% da atividade industrial na passagem de fevereiro para março mostrou resultados negativos em todas as quatro grandes categorias econômicas e em 14 dos 24 ramos pesquisados. Entre os setores, a principal influência negativa veio de veículos automotores, reboques e carrocerias, que recuou 4,2%, sexto mês seguido de queda na produção, acumulando nesse período perda de 19,4%. Outras contribuições negativas importantes vieram das atividades de máquinas e equipamentos (-3,8%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-8,1%), de bebidas (-4,9%), de produtos de borracha e de material plástico (-4,2%), de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,4%), de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-6,7%) e de metalurgia (-1,3%).

 

 

 

 

Por outro lado, entre os dez ramos que ampliaram a produção nesse mês, o desempenho de maior importância para a média global foi assinalado por produtos alimentícios, que avançou 2,1%, eliminando assim o decréscimo de 0,4% observado em fevereiro último.

 

 

 
Entre as quatro categorias econômicas, ainda em relação a fevereiro, bens de capital (-4,4%) e bens de consumo duráveis (-3,1%) mostraram as reduções mais acentuadas em março de 2015, influenciadas, respectivamente, pela menor produção de caminhões e automóveis. O primeiro segmento repetiu a magnitude de queda observada em fevereiro e o segundo assinalou a sexta taxa negativa consecutiva com perda acumulada de 13,3% no período. Os setores de bens de consumo semi e não-duráveis (-0,3%) e de bens intermediários (-0,2%) também recuaram – o primeiro pelo sexto mês seguido, acumulando no período perda de 5,8%, e o segundo repetindo a queda do mês anterior (-0,2%).

 

 

 
Ainda na série ajustada, a média móvel trimestral da indústria recuou (-0,6%) no trimestre encerrado em março de 2015 frente ao nível do mês anterior, após os resultados negativos de novembro (-0,5%), dezembro (-1,0%), janeiro (-0,9%) e fevereiro (-0,9%). Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo duráveis (-2,2%) e bens de capital (-1,8%) mostraram as reduções mais acentuadas e prosseguiram com as trajetórias descendentes iniciadas, respectivamente, em novembro e setembro de 2014. O segmento de bens de consumo semi e não-duráveis (-0,5%) recuou pelo sexto mês consecutivo, enquanto o segmento de bens intermediários, com ligeiro acréscimo de 0,2%, interrompeu o comportamento predominantemente negativo presente desde setembro do ano passado.

 

 

 

Em relação a março de 2014, houve quedas em 16 dos 26 ramos

 

 

 

Na comparação com igual mês do ano anterior, o setor industrial mostrou queda de 3,5% em março de 2015, com perfil disseminado de resultados negativos, alcançando as quatro grandes categorias econômicas, 16 dos 26 ramos, 46 dos 79 grupos e 53,3% dos 805 produtos pesquisados. Vale citar que março de 2015 (22 dias) teve três dias úteis a mais do que igual mês do ano anterior (19). Entre as atividades, as de veículos automotores, reboques e carrocerias (-12,7%) e a de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-9,8%) exerceram as maiores influências negativas na formação da média da indústria, pressionadas em grande parte pela redução na produção de caminhões, caminhão-trator para reboques e semirreboques, automóveis, reboques e semirreboques, autopeças e carrocerias para caminhões e ônibus, na primeira; e de gasolina automotiva, óleo diesel, óleos combustíveis, naftas para petroquímica, querosenes para aviação e asfalto de petróleo, na segunda.

 

 

 
Outras contribuições negativas relevantes vieram de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-22,7%), de metalurgia (-9,4%), de bebidas (-11,1%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-9,5%), de máquinas e equipamentos (-3,3%), de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-7,4%), de produtos de borracha e de material plástico (-3,0%) e de produtos de minerais não-metálicos (-2,7%).

 

 

 

Entre os produtos, os impactos negativos mais importantes foram, respectivamente, televisores, computadores pessoais portáteis (laptops, notebooks, tablets e semelhantes), monitores de vídeo para computadores, computadores pessoais de mesa (PC desktops) e placas de circuito impresso montadas para informática; vergalhões e barras de aços ao carbono, artefatos e peças diversas de ferro fundido, tubos, canos e perfis ocos de aço, fio-máquina de aços ao carbono, bobinas a frio de aços ao carbono e barras, perfis e vergalhões de cobre e de ligas de cobre; preparações em xarope para elaboração de bebidas para fins industriais, cervejas, chope e refrigerantes; medicamentos; motoniveladores, silos metálicos para cereais, carregadoras-transportadoras, tratores agrícolas, máquinas de colheita e válvulas, torneiras e registros; camisetas de malha, calças compridas, camisas, blusas e semelhantes de uso feminino, calças, bermudas, jardineiras, shorts e semelhantes de malha, camisas de malha de uso masculino e conjuntos de uso feminino; peças e acessórios de plástico para indústria automobilística e eletrônica e pneus novos para ônibus e caminhões; e cimentos “Portland”.

 

 

 
Por outro lado, ainda na comparação com março de 2014, entre as dez atividades que aumentaram a produção, o principal impacto foi observado em indústrias extrativas (8,9%), impulsionado, em grande parte, pelos avanços nos itens minérios de ferro pelotizados e óleos brutos de petróleo. Vale destacar também a contribuição positiva vinda de produtos diversos (22,6%), influenciado, principalmente, pela maior fabricação de artigos e aparelhos para prótese dentária, canetas esferográficas, próteses articulares, luvas de borracha para segurança e proteção, instrumentos e aparelhos para transfusão de sangue, moedas e lentes para óculos.

 

 

Ainda no confronto com março de 2014, bens de capital (-12,4%) e bens de consumo duráveis (-6,6%) assinalaram as reduções mais acentuadas entre as grandes categorias econômicas. Os setores de bens de consumo semi e não-duráveis (-3,1%) e de bens intermediários (-2,1%) também recuaram, mas com intensidade menor do que a média nacional (-3,5%).

 

 

 
As quatro grandes categorias da indústria acumulam queda no ano

 

 

 

No índice acumulado em 2015, frente a igual período do ano anterior, o setor industrial mostrou queda (-5,9%) com perfil disseminado, já que as quatro grandes categorias econômicas, 23 dos 26 ramos, 64 dos 79 grupos e 66,6% dos 805 produtos pesquisados apontaram recuo na produção. Entre os setores, o principal impacto negativo foi observado em veículos automotores, reboques e carrocerias (-20,7%), pressionado, em grande parte, pela redução na produção de aproximadamente 92% dos produtos investigados na atividade.

 

 

 

Por outro lado, entre as três atividades que ampliaram a produção, a principal influência foi observada em indústrias extrativas (10,3%), impulsionada, em grande parte, pelo crescimento na extração de minérios de ferro pelotizados e de óleos brutos de petróleo.

 

 

 

 
Entre as grandes categorias econômicas, as quedas em bens de capital (-18,0%) e bens de consumo duráveis (-15,8%) se devem à redução na fabricação de bens de capital para equipamentos de transporte (-24,7%), na primeira, e de automóveis (-16,1%), na segunda. Os segmentos de bens de consumo semi e não-duráveis (-5,9%) e de bens intermediários (-2,8%) também assinalaram taxas negativas no índice acumulado no ano, com o primeiro repetindo a magnitude de queda observada na média nacional, e o segundo apontando o recuo mais moderado entre as grandes categorias econômicas.

 

 

 

 

Da Redação com informações da Comunicação Social do IBGE –  – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística