Cidadania: Mateus Solano e Wanessa Camargo estrelam campanha do UNAIDS pelo fim da discriminação no Brasil

Matheus Solano e Wanessa Camargo, embaixadores da Boa Vontade do UNAIDS, participam da nova campanha da agência da ONU contra a discriminação. Foto: UNAIDS

 

 

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) lançou neste semana a campanha publicitária pelo respeito e pelo fim da discriminação #EseFosseComVocê. Os quatro filmes da iniciativa, que são apoiados pela Globo e serão exibidos nos intervalos da programação a partir de 7 de março, contam com a participação dos embaixadores de Boa Vontade da agência da ONU — o ator Mateus Solano e a cantora Wanessa Camargo.

 

 

 

 

O lançamento da campanha aconteceu no programa Encontro com Fátima Bernardes desta segunda-feira (6), que teve como tema a discriminação contra pessoas vivendo com HIV.

 

 

 

 

 

A ação é apoiada por meio da plataforma de defesa dos direitos humanos Tudo Começa pelo Respeito, lançada pela Diretoria de Responsabilidade Social da Globo em 2016 em parceria com agências da ONU. Criados pela Ogilvy Brasil, os filmes provocam a reflexão e o debate sobre as diferentes formas de discriminação que ainda existem na sociedade, em pleno século XXI: contra cor, raça, etnia, orientação sexual, identidade de gênero, religião, deficiência e até mesmo sorologia positiva para o HIV, entre tantas outras.

 

 

 

 

 

“O pano de fundo para a campanha é uma sala de cinema em uma grande capital do país. Em formato de experimento social, os filmes simulam situações reais que ocorrem diariamente nos mais diversos momentos da vida cotidiana dos brasileiros”, conta a diretora do UNAIDS no Brasil, Georgiana Braga-Orillard.

 

 

 

 

 

“O objetivo é realmente provocar desconforto em quem assiste aos filmes e provocar uma reflexão construtiva sobre como cada pessoa reagiria caso se deparasse diretamente com uma situação dessas de envolvendo preconceito e discriminação”, acrescenta.

 

 

 

 

 

Através das lentes de câmeras escondidas e instaladas na bilheteria de um cinema, o vendedor é flagrado colocando os clientes diante de situações evidentes de discriminação em relação à pessoa que se sentará na poltrona ao seu lado durante o filme.

 

 

 

 

 

Ao incitar a reflexão com a pergunta “E se fosse com você?”, Mateus Solano e Wanessa Camargo encerram os filmes com uma mensagem inspiradora, com o objetivo de promover a empatia e o respeito para a construção de uma sociedade livre da discriminação.

 

 

 

 

 

“É difícil imaginar que até hoje muitas pessoas ainda sejam obrigadas a enfrentar algum tipo de discriminação ao longo de suas vidas, simplesmente por serem quem são. Isso precisa acabar! E essa mudança, começa pelo respeito”, comenta Mateus sobre a importância da campanha.

 

 

 

 

“Ter uma atitude Zero Discriminação significa aceitar e respeitar o direito que cada pessoa tem de viver sua vida de forma digna e plena. Chega de discriminação em nossa sociedade. Que eu, você e todo mundo possamos ser quem somos, do jeito que queremos ser. E que sejamos respeitados por isso”, completa Wanessa.

 

 

 

 

 

Situações retratadas nos filmes – e seus desdobramentos

 

 

 

 

Dentre todas as formas de discriminação que existem até hoje em todo o Brasil, nos mais diversos ambientes e situações, os criadores da campanha escolheram retratar especificamente quatro delas: a discriminação contra pessoas vivendo com HIV, contra negros, contra pessoas com deficiência e contra nordestinos – esta última ainda muito comum nas regiões Sul e Sudeste do país.

 

 

 

 

 

O objetivo é que essas histórias representem, mesmo que de forma simbólica, o conjunto das situações discriminatórias reportadas por outras populações e grupos.

 

 

 

 

 

Pessoas vivendo com HIV

 

 

 

 

 

Nessa situação, o atendente do cinema, de forma discriminatória, avisa ao comprador que ele sentará ao lado de uma pessoa soropositiva. A reação do cliente segue a linha discriminatória do caixa ao dizer que não aceita a poltrona sugerida.

 

 

 

 

Dados da Pesquisa de Comportamentos, Atitudes e Práticas (PCAP) de 2013, do Ministério da Saúde, mostram que 90,8% das pessoas afirmam saber que uma pessoa com aparência saudável pode estar infectada pelo HIV.

 

 

 

Campanha coloca frequentadores de um cinema diante de atitudes preconceituosas contra pessoas soropositivas e indivíduos com deficiência, negros e nordestinos. Foto: Frame da campanha do UNAIDS

 

 
Contudo, 26% dos entrevistados ainda acreditam que uma pessoa pode ser infectada pelo HIV ao compartilhar talheres ou ao usar banheiros públicos. E quase 67% deles não sabem que uma pessoa que esteja tomando medicamento para HIV tem menos risco de transmitir o vírus para outra pessoa.

 

 

 

 

De acordo com pesquisa realizada pelo Índice de Estigma sobre Pessoas Vivendo com HIV (People Living with HIV Stigma Index), pessoas que vivem com HIV têm altas probabilidades de sofrerem insultos verbais, assédio e ameaças.

 

 

 

 

População afrodescendente

 

 

 

 

Nesse filme, o atendente faz comentário discriminatório parecido e deixa o casal da fila perplexo, sem reação. No Brasil, estatísticas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) apontam que a violência contra jovens homens negros é crescente e com elevada disparidade em relação aos jovens homens brancos – o que sugere que a população negra tem expectativa de vida menor.

 

 

 

 

Em estudo feito no município do Rio de Janeiro por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), observou-se que mulheres negras e pardas são majoritariamente atendidas em estabelecimentos públicos — 58,9% e 46,9%, respectivamente — e nas maternidades conveniadas com o Sistema Único de Saúde (SUS), 29,6% e 32%, respectivamente. Por outro lado, quase metade das brancas — 43,7% — tiveram seus partos realizados em maternidades privadas.

 

 

 

 

A mesma pesquisa mostrou que um terço das mulheres negras e pardas não conseguiu atendimento no primeiro estabelecimento procurado e, no parto vaginal, recebeu menos anestesia.

 

 

 

 

Pessoas com deficiência

 

 

 

 

O terceiro filme mostra o atendente do cinema comentando com uma cliente que a poltrona dela é ao lado da de um deficiente. Ela reage imediatamente ao ato discriminatório perguntando de volta “qual o problema?”, e o atendente tenta justificar sua posição.

 

 

 

 

O Censo de 2010 apontou que a taxa de alfabetização para a população total foi de 90,6%, enquanto a do segmento de pessoas com pelo menos uma deficiência foi de 81,7%. Em 2010, 6,7% das pessoas com deficiência possuíam diploma de curso superior, enquanto 10,4% das pessoas sem deficiência o possuíam.

 

 

 

 

Em 2010, havia um total de 61,1% das pessoas com deficiência sem instrução e sem o ensino fundamental completo. Entre as pessoas sem nenhuma deficiência, esse número era de 38,2%.

 

 

 

 

Outras populações e grupos discriminados

 

 

 

 

Preconceito é a atitude negativa – ou seja, uma avaliação ou julgamento – em relação aos membros de um grupo social. Como atitude, ele envolve emoções como medo, desgosto, raiva e desprezo. Enquanto o estigma reside na estrutura e nas relações da sociedade, o preconceito reside na mente dos indivíduos.

 

 

 

A discriminação é comportamento. Refere-se ao tratamento diferenciado dos indivíduos de acordo com seu pertencimento a um determinado grupo. Discriminação, o ato, é distinto de preconceito, a atitude.

 

 

 

 

Muitos outros grupos e populações são vulneráveis a essas situações em seu cotidiano: por serem LGBTI, refugiados, imigrantes, praticarem uma ou outra religião, vestirem-se de um determinado jeito, etc. De acordo com estimativas calculadas pelo UNAIDS, a homofobia, por exemplo, custa ao Brasil 2,3 bilhões de dólares por ano — o que daria mais de 7 bilhões de reais por ano pela cotação média de março de 2017.

 

 

 

 

O custo da homofobia para cada país é calculado a partir da construção de um índice de homofobia, que considera aspectos de homofobia institucional (legislação) e homofobia social (aceitação da diversidade sexual). O cálculo considera o custo em termos de perda de produtividade (desemprego, negação de promoção) e em termos de saúde (saúde mental, física, morte prematura por crime de ódio).

 

 

 

 

O índice de homofobia no Brasil é de 0,338. O Brasil está atrás de Uruguai (0,189), Argentina (0,298) e México (0,321). O índice para América Latina é de 0,489. Quanto menor o índice, mais inclusivo é o país (2016, fonte).

 

 

 

 

 

Da Redação com informações provenientes da ONU