Tecnologia: Leguminosa do Nordeste leva nitrogênio ao solo

Leguminosa gliricídia
Leguminosa gliricídia

 

 

Além de servir de alimento para o gado, devido ao seu alto teor proteico, a leguminosa gliricídia também nitrogena o solo, economizando a aplicação desse fertilizante, e tornando-a apropriada para ser plantada em consórcio com coco, feijão, milho ou pasto de gramíneas. A planta promove a fixação biológica de nitrogênio por meio de bactérias do gênero Rhizobium.
 

A constatação veio de uma pesquisa realizada em Nossa Senhora das Dores (SE), pela Embrapa Tabuleiros Costeiros durante quatro anos. A média anual de ganho de peso animal por hectare nesse período, em pastagem de braquiária brizantha em sistema de integração com a gliricídia foi de 19,5 arrobas, contra 15,6 arrobas obtidas no sistema de braquiária brizantha solteira e fertilizada com 240 kg/ha de nitrogênio. A eficiência desse sistema tem sido comprovada em outras localidades das zonas da mata e agreste dos estados nordestinos.
 

 

Cultivada no sistema Integração Lavoura Pecuária e Floresta (ILPF), a gliricídia ainda apresenta outras vantagens. Espécie arbórea de médio porte, fornece sombra para os animais, diminuindo o estresse e promovendo conforto térmico. Ela também pode atuar como cerca viva, no que se traduz em economia na dispendiosa estrutura para a contenção de gado no pasto.

 

 
Caso haja interesse em alimentar os animais com gliricídia em forma de forragem, feno e silagem ou usar suas folhas e ramos como adubo verde, o produtor pode optar pelo plantio adensado. Nesse caso, não é possível o pastejo, pois não há espaço para o gado transitar. Por sua vez, é muito produtivo: é possível o corte a cada 70 dias na estação chuvosa e a cada 120 dias, na estação seca. Um hectare pode produzir em torno de 20 toneladas de folhas comestíveis para o gado em cada corte. Como é possível executar quatro cortes por ano, são oitenta toneladas anuais por hectare.

 

 
“Essa leguminosa é muito prática. Ela se reproduz por meio de semente ou de estacas. Basta uma estaca em uma cova e forma-se uma nova planta e, sem demora, está cheia de folhas comestíveis para o gado”, ensina o pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros José Rangel, responsável pela análise.
 

 

Ele explica que o produtor pode também formar um banco de proteína. Para isso, os animais são colocados para comer as folhas da gliricídia uma hora pela manhã e outra hora pela tarde e, no tempo restante, o gado come outro tipo de pasto. Esse processo é recomendado para vacas de leite, pois o manejo dos animais é mais constante.
 

 

Além da economia em nitrogênio, que é fornecido pela planta, o pesquisador cita outras vantagens da gliricídia. “Utilizando-a em sistema de integração lavoura-pecuária-floresta, o solo tem mais matéria orgânica, os nutrientes nas áreas profundas do solo são melhor reciclados e aumenta a diversidade da fauna atraindo mais insetos polinizadores e pássaros que se abrigam em seus galhos. Além disso, o pasto é mais verde e o solo, mais úmido,” relata.

 

 
Consórcio com coco

 

 
Próximo à praia do Saco, no Município de Estância, o produtor Joseval Pina planta dois hectares de gliricídia no seu coqueiral, servindo de alimento com alto teor de proteína para seus ovinos. A planta ainda melhora a matéria orgânica do solo e fornece nitrogênio aos coqueiros.
 

 

Após a poda, as folhas da gliricídia são picadas junto com capim-elefante e colocadas em cochos para alimentar ovelhas da raça Santa Inês. A gliricídia é considerada uma árvore de porte médio que pode crescer até cinco metros e ainda atrai pássaros, abelhas e outros insetos polinizadores.

 

 
Resistente à seca

 

 
Durante o período de seca, muito comum no Nordeste, essa leguminosa apresentou outra vantagem. A gliricídia e a palma foram as duas únicas plantas verdes que restaram após um longo período de deficiência hídrica, em 2013. Ela sobrevive bem à seca, embora seja menos produtiva.

 

 
A Embrapa pesquisou o plantio de gliricídia em várias formas de integração. Uma delas é o de alameda, junto com o pasto, milho ou feijão. No sistema de alamedas, o ideal é o espaçamento de quatro por dois metros, no qual o gado pode passar com facilidade.

 

 
Congresso sobre ILPF

 

 
Rangel pretende submeter trabalho de sua equipe sobre gliricídia ao Congresso Mundial sobre ILPF que será realizado entre os dias 12 e 17 de julho, em Brasília (DF).

 

 
O evento reunirá os maiores especialistas mundiais em integração lavoura-pecuária-floresta que debaterão as relações da agricultura intensificada com as mudanças climáticas, sustentabilidade ambiental, alimentação mundial, entre outros.

 

 

 

 

Da Redação com informações de Ivan Marinović Bršćan – Embrapa Tabuleiros Costeiros