Internacional: Vítimas do terremoto no Nepal são atendidas nas calçadas devido a superlotação dos Hospitais

Com hospital superlotado, feridos são atendidos na calçada em frente ao serviço de urgências em Dadhing Besi, no Nepal REUTERS/Athit Perawongmetha
Com hospital superlotado, feridos são atendidos na calçada em frente ao serviço de urgências em Dadhing Besi, no Nepal
REUTERS/Athit Perawongmetha

 

 

Dois dias depois do terremoto que atingiu o Nepal, o número de vítimas não para de aumentar. O balanço provisório do ministério do Interior do país registra mais de 4.000 mortos e cerca de 7.500 feridos. Um novo tremor mais leve, o vigésimo desde o violento terremoto de sábado, aterrorizou a população às 21h de segunda-feira (11h da manhã no horário de Brasília). Milhares de pessoas estao dormindo nas ruas, com medo das casas desabarem. Não há mais lugar para os feridos nos hospitais.

 

Numa verdadeira corrida contra o tempo, a busca por sobreviventes continua, em condições difícílimas. Equipes de salvamento estrangeiras desembarcaram na capital Katmandu com cães farejadores; mas com o passar do tempo, a esperança de resgatar alguém com vida diminui.

 

 

A situação na capital Katmandu é caótica e milhares de nepaleses tentam fugir, com medo dos tremores que têm se sucedido. Apesar de cada vez mais fracos, espalham o pânico na população. As estradas estão engarrafadas e no aeroporto há filas intermináveis de pessoas tentando encontrar um voo para deixar o país.

 

 

As infraestruturas estão danificadas, não há luz nem água e os caminhões-cisterna não conseguem atender a demanda da população. Mortos e feridos estão espalhados pelo chão, pois os hospitais e necrotérios estão saturados. Perto dos rios, as cerimônias de cremação são um cenário doloroso e ininterrupto.

 

 

A Unicef já alertou que cerca de um milhão de crianças estão afetadas pela tragédia e há risco de doenças infecciosas.

 

 

Turistas desaparecidos

 

 

Nas altas montanhas do Himalaia, centenas de alpinistas estão bloqueados no campo de base do Monte Everest, onde uma avalanche gigantesca causada pelo terremoto matou 17 pessoas. As equipes de socorro começaram a retirá-los por helicóptero, aproveitando o tempo favorável.

 

 

Milhares de turistas estrangeiros estão desaparecidos, como é o caso de 642 franceses, que ainda não foram localizados. Não foram registradas vítimas brasileiras e um grupo de paulistas aguarda para voltar ao Brasil.

 

 

A situação nas regiões mais afastadas da capital, como nos vales de Gorka, é igualmente desoladora. Imagens filmadas em helicópteros mostram vilarejos totalmente devastados. Milhares de casas e muitas escolas foram destruídas. A imprensa indiana calcula que os prejuízos possam representar até 50% do PIB nepalês.

 

 

Ajuda humanitária

 

 

 

A comunidade internacional se mobiliza. A França está enviando entre segunda e quarta-feira (27 e 29) três aviões com equipes de cirurgiões, geradores elétricos e outros equipamentos. China, India, Indonésia, Sri Lanka, Malásia, Coreia do Sul, Austrália, Coreia do Sul e Taiwan também estão mandando aviões, médicos, toneladas de alimentos, tendas e cobertores. Os Estados Unidos anunciaram uma doação de US$10 milhões.

 

 

O Programa Alimentar Mundial da ONU (PAM), prepara uma operação de grande envergadura e a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem o objetivo de alimentar 40.000 pessoas nos próximos três meses. Especialistas em informática e telefonia do PAM já se encontram em Katmandu.

 

 

As ONGs também estão a postos, entre elas, as francesas Médecins du Monde e Action contre la Faim, além de Handicap Internacional.

 

 

Países vizinhos também foram afetados

 

 

O terremoto também atingiu os países vizinhos e matou cerca de 90 pessoas na Índia, China, Bangladesh e Paquistão.

 

 

A Índia perdeu 67 pessoas, a maioria no Estado de Biar e na Bengala Ocidental, muito próximos do Nepal.

 

 

Do lado oposto, foi o Tibet que foi atingido, registrando 20 mortes. A imprensa chinesa fala em 58 feridos e quatro desaparecidos; milhares de casas foram destruídas, estradas estão danificadas e falta eletricidade. Cerca de 12.000 pessoas foram deslocadas para outras áreas.

 

 

Em Bangladesh, no sudeste do Nepal, quatro morreram. O terremoto foi sentido no Paquistão, mas nenhuma vítima foi registrada.

 

 

Da Redação com informações provenientes da RFI