Internacional – Saúde: Sarampo avança no mundo por falta de vacinação, diz OMS

Sarampo avança no mundo por falta de vacinação, diz OMS – Foto: pixabay.com

 

 

 

Em 2017, 110 mil pessoas no mundo morreram por causa do sarampo. A estimativa é do novo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado na quinta-feira (29). Pesquisa aponta que casos da doença foram identificados em todas as regiões do planeta, devido a lacunas na cobertura de vacinação. Segundo o relatório, infecções globais aumentaram em mais de 30% desde 2016.

 

 

 

Américas, Mediterrâneo Oriental e Europa enfrentaram os maiores surtos de enfermidade em 2017, com o Pacífico Ocidental sendo a única região onde a incidência do sarampo diminuiu.

 

 

 

 

“O ressurgimento do sarampo é uma séria preocupação, com longos surtos ocorrendo em todas as regiões, particularmente em países que alcançaram ou estavam perto de alcançar a eliminação da doença”, disse Soumya Swaminathan, diretora-geral adjunta para Programas da OMS.

 

 

 

 

A eliminação do sarampo é definida como a ausência de transmissão local do vírus em uma área geográfica ao longo de mais de 12 meses. Um país não é mais considerado livre do sarampo se o vírus retornar à região e a transmissão da doença se mantiver continuamente por mais de um ano.

 

 

 

 

“Sem esforços urgentes para aumentar a cobertura de vacinação e identificar populações com níveis inaceitáveis de crianças com ou sem imunização, corremos o risco de perder décadas de progresso na proteção de crianças e comunidades contra essa doença devastadora, mas totalmente evitável.”

 

 

 

 

Com dados sobre as tendências do sarampo para os últimos 17 anos, o relatório da OMS estima que desde 2000, mais de 21 milhões de vidas foram salvas por meio da imunização contra a patologia.

 

 

 

 

O sarampo é uma doença grave e altamente contagiosa. A enfermidade pode causar complicações debilitantes ou fatais, incluindo encefalite (uma infecção que leva ao inchaço do cérebro), diarreia e desidratação graves, pneumonia, infecções de ouvido e perda permanente da visão. Bebês e crianças pequenas com desnutrição e sistema imunológico frágil são particularmente vulneráveis a complicações e morte.

 

 

 

A doença pode ser evitada por meio de duas doses de uma vacina segura e eficaz. Durante vários anos, no entanto, a cobertura global com a primeira dose da vacina estacionou em 85%, número menor do que os 95% necessários para evitar surtos. A lacuna de vacinação deixa muitas pessoas suscetíveis ao sarampo. A cobertura da segunda dose foi estimada pela OMS em 67%.

 

 

 

 

“O aumento dos casos de sarampo é profundamente preocupante, mas não surpreendente”, acrescenta Seth Berkley, CEO da Aliança Global de Vacinas (GAVI).

 

 

 

“A complacência com a doença e a disseminação de informações falsas sobre a vacina na Europa, um sistema de saúde em colapso na Venezuela e a baixa cobertura de imunização na África estão se combinando para trazer um ressurgimento global do sarampo após anos de progresso”, explica o especialista.

 

 

 

Na avaliação de Berkley, “as estratégias existentes precisam mudar: mais esforços para aumentar a cobertura vacinal de rotina e fortalecer os sistemas de saúde”. “Caso contrário, continuaremos vivenciando um surto após o outro”, prevê.

 

 

 

 

Em resposta às proliferações recentes da doença, agências de saúde estão pedindo investimento duradouro nos sistemas de imunização, juntamente com esforços para fortalecer os serviços de vacinação de rotina. Essa mobilização deve se concentrar especialmente em alcançar as comunidades mais pobres e marginalizadas, incluindo pessoas afetadas por conflitos e com impossibilidade de deslocamento.

 

 

 

 

As agências também pedem ações para construir um amplo apoio público às imunizações, enquanto combatem a desinformação e a hesitação em relação às vacinas.

 

 

 

 

“Investimentos sustentados são necessários para fortalecer a prestação de serviços de imunização e para usar todas as oportunidades de levar vacinas àqueles que precisam delas”, aponta Robert Linkins, chefe do Departamento de Controle Acelerado de Doenças e Vigilância de Doenças Preveníveis por Vacina, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), e presidente da Equipe de Gestão da Iniciativa Sarampo e Rubéola.

 

 

 

 

A Iniciativa contra o Sarampo e a Rubéola é uma parceria formada em 2001 pela Cruz Vermelha Americana, os CDC, a Fundação das Nações Unidas, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a OMS. O relatório divulgado nesta semana foi elaborado pela OMS em parceria com os Centros de Controle norte-americanos.

 

 

 

 

Da Redação com informações da ANSA / Imagem: pixabay.com