Internacional – Saúde: Organização Pan-Americana da Saúde lança manual para combater resistência de bactérias a antibióticos

Organização Pan-Americana da Saúde lança manual para combater resistência de bactérias a antibióticos – Imagem: pixabay.com

 

 

Para reduzir o consumo inadequado de antibióticos, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) lançou na sexta-feira (16) um manual com orientações práticas sobre a prescrição e uso desses medicamentos. Voltada para autoridades, gestores e profissionais de saúde, a publicação faz parte das iniciativas da agência regional para combater a crescente resistência de bactérias aos remédios.

 

 

Antimicrobianos – ou antibióticos, como são mais comumente conhecidos – são drogas vitais na prevenção e no tratamento de infecções. A resistência aos medicamentos ocorre quando os microrganismos mudam em resposta ao uso desses remédios, tornando-os ineficazes.

 

 

 

 

“Os antibióticos são responsáveis por salvar milhões de vidas em todo o mundo, mas atualmente estamos experimentando taxas sem precedentes de resistência a alguns dos tratamentos mais comuns”, afirma Marcos Espinal, diretor da Unidade de Doenças Transmissíveis e Determinantes Ambientais da Saúde na OPAS.

 

 

 

 

“É vital que os esforços sejam intensificados para preservar essas conquistas, reduzir o impacto da resistência e garantir a continuidade do tratamento e da prevenção de doenças infecciosas.”

 

 

 

Evidências científicas mostram que a resistência das bactérias aumenta com o uso excessivo de antibióticos. Isso se deve principalmente à má utilização desses fármacos no tratamento de sintomas de gripes e resfriados, que são infecções virais, ou como medida preventiva após cirurgias.

 

 

 

Estima-se que até 50% do uso de antibióticos seja inadequado. Isso leva a custos adicionais consideráveis, por conta da assistência ao paciente, além de aumentar a mortalidade. O consumo indevido pode ser estimulado por questões como a prescrição excessiva e o fácil acesso por meio de vendas sem receita e pela internet, o que ocorre em alguns países.

 

 

 

Acesse a nova publicação da OPAS clicando aqui (em inglês). O documento foi divulgado em meio às atividades da Semana Mundial de Conscientização sobre o Uso de Antibióticos, realizada de 12 a 18 de novembro.

Gestão de antibióticos

 

 

 

O objetivo da gestão efetiva dos antibióticos é garantir a escolha correta de medicamentos e a dose certa com base em evidências científicas. Programas de gerenciamento envolvem a articulação de uma variedade de profissionais de saúde, incluindo médicos, farmacêuticos e microbiologistas, bem como especialistas em prevenção de infecções, enfermeiros e profissionais de tecnologia da informação.

 

 

 

Entre as estratégias recomendadas para a administração antimicrobiana, estão práticas baseadas na prescrição em hospitais, como a reavaliação das receitas após um período de 48 a 72 horas a partir do início do tratamento. A OPAS também propõe intervenções para as farmácias, com o intuito de garantir o uso e a dosagem corretos. A agência da ONU sugere ainda orientações baseadas em dados para garantir, por exemplo, que os registros de microbiologia sejam facilmente acessíveis nos pontos de atendimento.

 

 

 

“A gestão antimicrobiana garante que os sistemas de saúde dos países implementem os programas para lidar com os determinantes da resistência antimicrobiana e para implementar as iniciativas políticas, programáticas e educacionais necessárias que promovem o uso criterioso de antibióticos”, acrescenta Espinal.

Resistência antimicrobiana na América Latina

 

 

 

 

Na América Latina, a resistência antimicrobiana é uma prioridade de saúde pública. A região já observa uma tendência crescente de resistência em infecções comunitárias e hospitalares. Nas duas últimas décadas, as Américas foram pioneiras no enfrentamento a esse problema, promovendo a vigilância baseada em laboratório, aumentando o monitoramento e desenvolvendo campanhas de conscientização.

 

 

 

As intervenções de manejo antimicrobiano foram coordenadas pela OPAS e outras organizações de saúde na região. Iniciativas para controlar o uso de antibióticos, por meio de prescrições obrigatórias, já provaram ser bem-sucedidas, provocando uma redução de 12% no uso desses medicamentos no México. Após a implementação desse regulamento no Chile, em 1999, na Colômbia, em 2005, e no Brasil e México, em 2010, não foram detectados aumentos nas admissões clínicas relacionadas a infecções bacterianas, o que aponta para a eficácia da medida.

 

 

 

 

Da Redação com informações da ONU