Internacional: Povo Grego diz “não” as medidas de austeridade como forma de obter mais ajuda econômica da União Européia

Partidários do 'não' comemoram a vitória em Atenas. / YANNIS KOLESIDIS (EFE)
Partidários do ‘não’ comemoram a vitória em Atenas. / YANNIS KOLESIDIS (EFE)

 

 

 

Uma multidão de apoiadores do primeiro-ministro grego Alexis Tsipras tomou a praça Sintagma, no centro de Atenas, na noite deste domingo (5) para celebrar a vitória do “não” no referendo que levou cerca de 10 milhões de gregos às urnas. Com mais de 90% dos votos apurados, o “não” vence com 61% da preferência. Logo após o resultado, o presidente francês, François Hollande, anunciou uma reunião nesta segunda-feira, em Paris, com a chanceler alemã Angela Merkel. E os dois convocaram uma Cúpula da Zona do Euro para terça-feira.

 

 
Em toda a cidade os apoiadores do “não” cantaram os hinos do partido Syriza, se abraçaram e gritaram ao som das buzinas dos carros. “Toda a tensão desta semana desapareceu”, diz uma jovem que votou no partido de Alexis Tsipras nas últimas eleições legislativas. “É como se nós tivéssemos dado um segundo mandato ao governo para que ele vá negociar com os credores”, completou. (Ouça mais depoimentos de eleitores gregos clicando no áudio da reportagem ao lado).

 

 

 

 
Logo que a votação foi encerrada, às 19h horas na Grécia, 13h no Brasil, duas pesquisas de opinião realizadas após a votação já indicavam a vitória do “não” por uma margem pequena, dois a três pontos percentuais. Mas o início da apuração dos votos revelou que a vantagem seria muito maior.

 

 

 

 

A escolha significa que os gregos rejeitaram o acordo proposto pelos credores, entre eles o FMI e o Banco Central Europeu, que exigiam diversas reformas de alto custo social. O governo Tsipras, que se elegeu em janeiro prometendo entrar em confronto com a União Europeia, argumenta que o país já conseguiu equilibrar suas contas, mas que as exigências do Eurogrupo são um preço alto demais.

 

 

 

 

O ministro grego das finanças, Yanis Varoufakis, se pronunciou após o resultado com um gesto de conciliação. Ele, que havia prometido se demitir caso o “sim” fosse vitorioso, celebrou o resultado e disse que a vitória do não representa uma mão estendida da Grécia a seus credores. Outro ministro grego a se manifestar foi o da defesa, Panos Kammenos, este com mais agressividade: disse que o povo resistiu ao que ele chamou de “chantagem” e “ameaças”.

 

 

 

“Últimas pontes foram destruídas”

 

 

 

 

Tsipras pretende, a partir de segunda-feira, voltar à mesa de negociação com os credores tentando obter um acordo que ele classifica de “mais digno”. Depois do resultado, ele disse que o voto no “não” não representa uma ruptura com a Europa, mas “o reforço do nosso poder de negociação”. Muitos analistas consideram que a vitória do “não” pode significar a saída da Grécia da Zona do Euro, embora Tsipras insista que esta não é a intenção do país. Os gregos querem ficar no euro, mas nos seus próprios termos.

 

 

 

Do lado dos credores, há muita cautela. A única reação mais forte depois do resultado veio do ministro da Economia alemão, Sigmar Gabriel, que disse que novas negociações com a Grécia são “dificilmente imagináveis” depois do resultado do referendo. Ele foi além, e disse que Alexis Tsipras “derrubou as últimas pontes de seu país com a União Europeia”.

 

 

 

 

O presidente francês, François Hollande, conversou com primeiro-ministro grego por telefone logo após a votação, mas o conteúdo não foi divulgado. Já no telefonema com Angela Merkel, “ambos concordaram que o voto do povo grego deve ser respeitado”, segundo um comunicado oficial.

 

 

 

 

Antonis Samaras, ex-premiê grego e líder do principal partido da oposição, o Nova Democracia, anunciou sua renúncia logo após a vitória maciça do “não”. “Compreendo que o nosso partido precisa de um novo ponto de partida, a partir de hoje renuncio à direção”, informou Samaras, que foi premiê no auge da crise, entre junho e 2012 e janeiro de 2015, antes de ser derrotado por seu sucessor, Alexis Tsipras.

 

 

 

 

Fonte: Da Redação com informações provenientes de Agências de Notícias e da RFI