Internacional – Oriente Médio: Mulheres começam a dirigir na Arábia Saudita

Mulheres começam a dirigir na Arábia Saudita

 

Entrou em vigor à meia-noite deste domingo (24) o decreto que autoriza mulheres a dirigirem na Arábia Saudita, que era o único país do mundo que não reconhecia esse direito às cidadãs do sexo feminino.

 

 

 

A partir de agora, mulheres estão autorizadas a guiarem não apenas carros, mas também motos e veículos pesados. Até então, elas dependiam dos homens de sua família ou de motoristas para realizar tarefas básicas, como ir ao trabalho ou levar os filhos à escola.

 

 

 

 

A mudança havia sido anunciada em setembro do ano passado, como parte de um programa de reformas sociais e econômicas promovido pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, também conhecido como “MbS”, o líder de facto do país.

 

 

 

 

“Estou sem palavras. Estou muito feliz que isso esteja realmente acontecendo”, disse Hessah al Ajaji à agência “Associated Press”, enquanto dirigia pela movimentada rua Tahlia, em Riad. Segundo ela, que já tinha uma carteira de habilitação dos Estados Unidos, os homens nas ruas estão sendo “realmente solidários, aplaudindo e sorrindo”.

 

 

 

A abertura também é reflexo de uma mobilização de quase três décadas em defesa dos direitos das mulheres na Arábia Saudita. As primeiras campanhas pelo direito a dirigir ocorreram nos anos 1990, mas mulheres que desafiavam a proibição eram presas, demitidas de seus trabalhos, estigmatizadas e impedidas de viajar ao exterior.

 

 

 

 

Na visão dos ultraconservadores que dominam o reino, permitir que as mulheres dirijam poderia levá-las a “pecar” ou expô-las a assédio – antes de a proibição cair, o país aprovou uma lei que pune assédio sexual com até cinco anos de cadeia.

 

 

 

 

No entanto, nas últimas semanas, ao menos 10 ativistas pelos direitos das mulheres foram presas na Arábia Saudita, em um sinal de que a abertura tem limites. A maioria das cidadãs do país não têm habilitação, e muitas não tiveram ainda acesso aos cursos segregados autorizados pelo governo. Nas maiores cidades da Arábia Saudita, a lista de espera para frequentar as aulas pode chegar a vários meses.

 

 

 

 

O reino é governado por uma vertente ultraconservadora do Islã sunita, representada pela dinastia Saud, mas “MbS” vem tentando promover reformas sociais e econômicas, como a autorização para a reabertura de salas de cinema e a permissão para mulheres frequentarem estádios.

 

 

 

 

Ao mesmo tempo, o príncipe tornou mais agressiva a política externa saudita, tentando intervir abertamente em nações da região, como Líbano e Iêmen, para conter a influência do xiita Irã.

 

 

 

 

Da Redação com informações provenientes da ANSA