Internacional – Itália: Escândalo coloca magistratura italiana em xeque.

Escândalo coloca magistratura italiana em xeque.

 

Uma investigação por suspeita de corrupção contra um célebre magistrado colocou em xeque expoentes do poder Judiciário da Itália e expôs as relações promíscuas entre juízes, procuradores e políticos.

 

 

O caso estourou com um inquérito do Ministério Público de Perúgia contra Luca Palamara, ex-integrante do Conselho Superior de Magistratura (CSM), órgão de autogoverno do Judiciário italiano, e ex-presidente da Associação Nacional dos Magistrados (ANM).

 

 

Palamara é acusado de receber dinheiro de lobistas para influenciar sentenças e, ao ter conhecimento do inquérito a partir de colegas de magistratura, teria tentado direcionar a indicação do novo procurador de Perúgia para ter um aliado no comando do caso.

 

 

Além disso, ele teria negociado com colegas para ser nomeado procurador-adjunto em Roma e colocar alguém próximo na chefia do Ministério Público na capital. As investigações, no entanto, foram além e revelaram uma prática recorrente de encontros entre políticos e membros do CSM para coordenar indicações.

 

 

Uma das funções do conselho é justamente distribuir os magistrados pelo país, além de punir violações de conduta por parte da categoria.

 

 

Segundo o inquérito, diversos magistrados participaram de reuniões com dois expoentes do centro-esquerdista Partido Democrático (PD), o ex-ministro dos Esportes Luca Lotti e o ex-subsecretário do Ministério da Justiça Cosimo Ferri, ambos aliados do ex-premier Matteo Renzi, para discutir nomeações.

 

 

 

Em função do escândalo, cinco dos 16 membros do CSM provenientes da magistratura (uma parte do conselho é formada por parlamentares) se autosuspenderam, sendo que alguns são investigados por suspeita de vazar o inquérito para Palamara.

 

 

Reações

O atual presidente da ANM, Pasquale Grasso, disse nesta quarta-feira (5) que magistrados envolvidos no escândalo devem renunciar a seus assentos no CSM, órgão que, em última instância, é chefiado pelo presidente da República, Sergio Mattarella – segundo jornais italianos, o chefe de Estado estaria “escandalizado” com as denúncias.

 

 

Até o momento, apenas um conselheiro renunciou formalmente, Luigi Spina; os outros apenas se autosuspenderam. “Os colegas que estariam envolvidos se autosuspenderam e, pelo que sei, não deram explicações, desmentidos, esclarecimentos”, declarou Grasso.