Internacional: Indonésia confirma execução do brasileiro Rodrigo Muxfeldt Gularte mas o francês Serge Atlaoui escapa do fuzilamento.

O francês Serge Atlaoui recorreu ao Supremo Tribunal indonésio tentando obter um novo julgamento, enquanto a defesa do brasileiro continua tentando convencer a Justiça da Indonésia de que ele precisa de tratamento psiquiátrico
O francês Serge Atlaoui (à esquerda) recorreu ao Supremo Tribunal indonésio tentando obter um novo julgamento , enquanto a defesa do brasileiro (à direita) continua tentando convencer a Justiça da Indonésia de que ele precisa de tratamento psiquiátrico

 

 

O brasileiro Rodrigo Muxfeldt Gularte está na lista de nove condenados à morte que deverão ser fuzilados na Indonésia nas próximas 72 horas. O francês Serge Atlaoui, que inicialmente fazia parte da lista, não foi notificado sobre a execução iminente. Dos condenados, oito são estrangeiros que pagarão pelo crime de tráfico de drogas.


A Indonésia é um dos países mais rígidos do mundo com os crimes relacionados a drogas. O Ministério Público do país informou neste sábado (25) que as autoridades do país notificaram oficialmente nove presos no corredor da morte. “Nós terminamos a notificação de cada condenado, nove pessoas”, declarou o porta-voz da promotoria, Tony Spontana.

 

 

O francês Serge Atlaoui foi retirado da lista na última hora. A embaixada francesa em Jacarta foi informada pelo Ministério Público indonésio de que Atlaoui não faria parte da próxima onda de execuções. Nas últimas semanas, Paris acentuou a pressão sobre o governo indonésio, com participação direta da cúpula do governo, incluindo o presidente François Hollande e o primeiro-ministro Manuel Valls.

 

 

O brasileiro Rodrigo Muxfeldt Gularte preso desde julho de 2004, quando entrou na Indonésia com seis quilos de cocaína escondidos em pranchas de surfe. Pelas leis indonésias tráfico ou colaboração para o mesmo é punivda com a pena de morte.

 

 

A defesa do paranaense continua tentando convencer a Justiça da Indonésia de que ele precisa de tratamento psiquiátrico, adiando ao máximo execução. “Sem desconhecer a gravidade dos crimes que levaram à condenação de Rodrigo Gularte e respeitando a soberania e o sistema jurídico indonésios, o governo brasileiro segue realizando gestões sobre o caso, por razões humanitárias e tendo em conta o estado de saúde do cidadão brasileiro”, informou o Itamaraty

 

Pressão de Hollande

 

 

Neste sábado, Hollande disse que a execução do francês causaria “consequências diplomáticas” entre a França, a Europa e a Indonésia. “Não podemos aceitar esse tipo de execução”, afirmou o presidente francês. “Nós iremos ao menos convocar o nosso embaixador em Jacarta”, disse, antes de evocar “a possível suspensão das negociações” de cooperação com a Indonésia, iniciadas com o presidente indonésio, Joko Widodo, durante a última cúpula do G20, em novembro.

 

 

Hollande destacou que Paris está agindo ao lado de outros países que têm cidadãos no corredor da morte, como o Brasil e a Austrália, para evitar as execuções. Na segunda-feira, o líder francês vai receber o primeiro-ministro australiano, Tony Abbott.

 

Francês alega inocência

 

 

Serge Atlaoui tem 51 anos e é pai de quatro filhos. Ele jamais deixou de alegar inocência. O soldador francês instalou máquinas em uma fábrica de ecstasy na Indonésia, que ele pensava ser uma indústria de acrílico.

 

 

Desde ontem, as autoridades francesas suspeitavam que ele seria retirado da lista de execuções iminentes. Ao contrário das representações diplomáticas do Brasil, da Austrália, das Filipinas e da Nigéria, os outros países de origem dos demais condenados, a França não recebeu nenhuma convocação para comparecer à prisão de Nusakambangan, onde estão presos os nove estrangeiros no corredor da morte.

 

 

O presidente Widodo recusou o pedido de clemência de Atlaoui. A advogada do francês afirma ter recorrido ao tribunal administrativo da capital para contestar a ausência de motivações na decisão do presidente. O fato de o procedimento ainda estar “em curso” teria sido a razão para o adiamento da execução, segundo um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Indonésia.

 

 

Da Redação com informações de Agências Internacionais e da RFI