Tênis de Mesa – Aberto do Japão: Hugo Calderano vence duas e chega às quartas de final do Aberto do Japão

Hugo Calderano vai completar um ano entre os Top Ten do Mundo em julho. Foto: Abelardo Mendes Jr./rededoesporte.gov.br

 

 

Hugo Calderano mostrou mais uma vez que não é por acaso que vai completar um ano no Top Ten do Tênis de Mesa mundial em julho de 2019. No Aberto do Japão, torneio de categoria máxima do circuito internacional, o atleta brasileiro venceu as duas partidas que disputou nesta sexta-feira (14.06), e garantiu uma vaga entre os oito melhores da competição.

 

 

 

Foram duas maratonas nas mesas da cidade de Sapporo. Primeiro, o número 8 do mundo precisou de mais de uma hora para superar Takuya Jin por 4 sets a 3, em parciais de 11/2, 8/11, 12/10, 8/11, 11/7, 8/11 e 11/6. Apesar de ser “apenas” o 187º do mundo, o japonês de 26 anos jogava em casa e vinha de ótimo resultado no Aberto de Eslovênia, quando foi semifinalista e deixou pelo caminho o brasileiro Eric Jouti, número 60 do mundo.

 

 

 

“O Jin Takuya é um atleta que alcançou a final do campeonato nacional do Japão há alguns anos e jogou várias competições internacionais este ano com qualidade. Vinha de uma vitória contra um chinês muito forte na fase qualificatória (Liu Dingshuo, 42º do mundo), e por isso entrou com confiança. O Hugo fez um início fantástico, sem deixar oportunidades para o japonês (11/2), mas depois o Takuya soube equilibrar. Não foi fácil achar soluções, mas o Hugo manteve a calma e jogou muito agressivo no último set”, avaliou o técnico do brasileiro, o francês Jean-René Mounie.

 

 

 

Na sequência, Calderano encarou um duelo complicado, muito pautado pela parte mental, contra Ruwen Filus. O experiente alemão de 31 anos, atualmente 83º do mundo, é de um estilo diferente, defensivo, conhecido entre os atletas como “Cato”. Joga em cima dos erros dos adversários, com uma incrível variação de estratégias e golpes para defender os ataques dos rivais. Calderano e Filus já haviam se enfrentado no Mundial por equipes de 2018, na Suécia. Na ocasião, o Brasil fez história e chegou às quartas de final, mas Calderano foi superado por 4 sets a 2.

 

 

A dificuldade se repetiu no Japão. Como na estreia, Calderano precisou novamente de sete parciais para sair vencedor. Chegou a estar perdendo por 3 sets a 2, mas parece ter descoberto a “fórmula mágica” para superar o adversário nos dois últimos sets, quando foi soberano e fechou até com facilidade. No fim, 4 a 3 para o carioca, em 53 minutos de jogo, com parciais de 5/11, 11/5, 9/11, 11/7, 9/11, 11/5 e 11/3.

 

 

 

“O Filus é um adversário que o Hugo conhece bem. Muitas vezes eles jogaram na Bundesliga, mas a última vez, no Mundial, o Filus ganhou. Aqui no Japão, o Hugo conseguiu uma dimensão física interessante e achou um bom balanço entre a estratégia de por pressão diretamente depois do saque, e depois mudar o ritmo do primeiro drive, com muito efeito e mais devagar. Deu certo e, felizmente, novamente no final do jogo, o Hugo conseguiu impor o melhor dele”, afirmou René.

 

 

Futuro virou presente

 

 

 

Neste sábado, a partir de 1h10 da madrugada (de Brasília), Hugo terá pela frente um dos atletas mais talentosos e consistentes da nova geração por uma vaga na semifinal e no pódio (são dois terceiros). Lin Yun-Ju, de Taiwan, tem apenas 17 anos, mas já ocupa a 20ª posição no ranking mundial da Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF).

 

 

 

Semifinalista nos Jogos Olímpicos da Juventude de Buenos Aires, na Argentina, em 2018, e vencedor do Aberto de Oman, evento de categoria Challenge do circuito internacional, em 2019, Lin Yun-Ju vem de resultados expressivos recentes. No Aberto da China, que terminou no início do mês, ele venceu o chinês Wang Chuqin, outro destaque da nova geração, campeão mundial de duplas ao lado de Ma Long e medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos da Juventude de 2018.

 

 

 

Agora, no Aberto do Japão, o jovem taiwanês conquistou um feito ainda mais expressivo. Depois de deixar para trás o sul-coreano Cho Seungmin por 4 sets a 3, Lin Yun-Ju eliminou o chinês número dois do mundo e campeão do Aberto de Hong Kong, na semana passada: Lin Gaoyuan foi batido por 4 sets a 2.

 

 

 

“Não dá para falar da idade dele, mas sim do nível. Há um ano todos falavam que ele poderia ser o futuro do tênis de mesa, mas já é o presente. Ele joga com todos os top 15 do mundo sem problema nenhum e comprovou isso novamente hoje”, afirmou Jean-René.

 

 

Calderano já jogou uma vez contra o adversário. Foi nas quartas de final do Aberto da República Tcheca, em 2017. Um jogo bem difícil, vencido pelo brasileiro por 4 sets a 3. “Esse jogador tem ferramentas específicas, um ‘feeling’ e uma visão de jogo realmente de alto nível”, ponderou Jean-René. “Uma chave para ganhar vai ser o Hugo dar uma dimensão física importante, porque o nível dele nesse quesito é melhor que o do jovem taiwanês, mas para isso ele vai ter de gerir muito bem a tática de recepção e a intensidade”, afirmou o treinador.

 

 

Único não asiático

 

 

Com a definição dos oito finalistas do Aberto do Japão, mais uma vez Calderano experimenta a sensação de ser um “intruso” numa festa restrita a asiáticos. O brasileiro é o único atleta que não pertence ao continente entre os oito melhores. São cinco chineses, um sul-coreano, um taiwanês e Calderano.

 

 

Principal esperança dos japoneses, o jovem prodígio Tomokazu Harimoto, número quatro do mundo aos 15 anos, foi surpreendido logo na estreia pelo chinês Wen Sun, de 22 anos e apenas o 599º do mundo, por 4 sets a 0. A expectativa dos japoneses em cima de Harimoto devia-se, também, ao fato de que no ano passado Harimoto foi campeão do mesmo Aberto do Japão superando, no caminho, os dois últimos campeões olímpicos. Desta vez não deu.

 

 

 

Na parte de cima da tabela, sobraram três chineses e um sul-coreano. O tricampeão mundial Ma Long enfrentará o seu compatriota Fan Zhendong, número um do mundo. O vencedor terá pela frente na semifinal quem se sair melhor do duelo entre Xu Xin, número três, e o sul-coreano Jang Woojin (10º). No lado de baixo da chave, quem levar a melhor entre Calderano e Lin Yun-Ju terá pela frente Wen Sun ou Liang Jingkun (7º), ambos da China.

 

 

Perspectiva olímpica

 

 

 

O Aberto do Japão é o penúltimo grande compromisso de Hugo Calderano antes dos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, que serão disputados de 26 de julho a 11 de agosto. O brasileiro já levantou dois troféus na temporada pelo clube que defende na Alemanha, o Ochsenhausen. Ele ajudou o time a levar os títulos da Copa da Alemanha e da Bundesliga, o principal torneio nacional de clubes da Europa.

 

 

Integrante da categoria Pódio do Bolsa Atleta, programa da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania, Calderano é o principal nome da equipe brasileira no Pan. Ele defenderá em Lima o título individual conquistado em 2015, em Toronto, no Canadá. Se conseguir repetir a dose, garante vaga direta para os Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão, em 2020. Assim que terminar o Aberto do Japão, o brasileiro terá um período de descanso. Ele retomará os treinos na Alemanha em 27 de junho, com foco, primeiro, no Aberto da Austrália, entre 9 e 14 de julho. Depois se integra à Seleção Brasileira.

 

 

Da Redação com informações de Gustavo Cunha – Rededoesporte.gov.br