Skate: Para Bob Burnquist, etiqueta olímpica ajuda a mudar o patamar do skate no Brasil

Para Bob Burnquist, etiqueta olímpica ajuda a mudar o patamar do skate no Brasil – Foto: Sidney Arakaki/Divulgação

 

 

 

Ídolo do esporte e presidente da confederação da modalidade, dirigente quer aproveitar onda de investimentos para consolidar espaços de prática e preparar a seleção para Tóquio

 

Bob Burnquist é longe de ser um estereótipo de dirigente padrão. No dia da final da Liga Mundial de Street, na Arena Carioca 1, por exemplo, atendeu a imprensa com skate na mão e todo suado após alguns “rolés” no Parque Olímpico da Barra, no Rio de Janeiro. Ídolo e maior medalhista da história do X-Games, com 30 pódios, o presidente da Confederação Brasileira de Skate é retrato do momento da modalidade. O esporte não abre mão do tom de liberdade, de “lifestyle”, ao mesmo tempo em que tenta aproveitar a efervescência do fato de ter se tornado olímpica.

 

 

 

 

Além de a etapa mais importante do circuito da Street League ter sido realizada no Brasil pela primeira vez, Burnquist está à frente do projeto de preparação da seleção que vai representar o país na primeira edição de Jogos Olímpicos com o skate no programa, em 2020. Um projeto promissor. Nos mundiais de Park e de Street mais recentes, o Brasil somou quatro pódios. Um ouro, com Pedro Barros, no Park, e duas pratas e um bronze no Street, com Kelvin Hoefler e Felipe Gustavo em segundo e terceiro e Letícia Bufoni com o vice-campeonato.

 

 

 

 

“O skate brasileiro está bem representado em todas as modalidades. Desde as olímpicas às não olímpicas, como megarrampa, bowl, sempre com atletas de ponta. No Park, o Pedro Barros vem mandando bem, além do Murilo Peres e do Luizinho Francisco. No Street tivemos três medalhas na final da Street League e 50% das atletas na final feminina eram brasileiras. São ótimas as chances de representação e de pódio. O resto fica na mão deles, na garra, na vontade”, afirmou Burnquist.

 

 

 

 

A chancela para Tóquio permitiu, por um lado, que 11 atletas top fossem incluídos na categoria Pódio, a principal do programa Bolsa Atleta, do governo federal. Um investimento de R$ 1,4 milhão por ano, ou R$ 124 mil mensais. Em outra frente, sob o guarda-chuva do Comitê Olímpico do Brasil (COB), a confederação passou a fazer parte dos repasses da Lei Agnelo-Piva, que reserva recursos das loterias federais para investimento nas modalidades olímpicas e paralímpicas. São R$ 800 mil em recursos diretos para a confederação em 2019, fora outros insumos técnicos oferecidos pelo COB, como capacitações, análises laboratoriais, acesso a fisioterapeutas, fisiologistas e outros especialistas.

 

Letícia Bufoni, vice-campeã mundial no street e integrante da Bolsa Pódio. Foto: Breno Barros/rededoesporte.gov.br

 

 

“Conseguirmos entrar no Bolsa Pódio foi demais. Isso dá um suporte incrível. Eu jamais tive algo assim na minha carreira. Eles têm suporte de viagem, hotel, seguro de saúde. É um lado super positivo, assim como termos recursos garantidos para as viagens internacionais para as competições que valem ranking. O COB também tem sido super parceiro”, afirmou Burnquist. A seleção brasileira conta atualmente com 20 atletas, dez no Street e dez no Park, metade no masculino e metade no feminino. O programa de Tóquio prevê 20 atletas nas disputas masculinas e femininas, com limite máximo de três por país.

 

 

 

 

A outra vertente é a de aprimorar a estrutura para a prática do skate no país. Para isso, a estratégia tem sido buscar parcerias com prefeituras e empresas para, sempre que possível, realizar etapas do circuito nacional conjugadas com a construção ou reforma de espaços para a prática adequada do Street e do Park, as duas modalidades inscritas no programa olímpico.

 

 

 

 

“Já tivemos um passo bom na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Lá já havia uma pista de Street, e ganhou a nova de Park, onde fizemos a final do STU, nosso circuito nacional. Foi uma junção de público e privado para montar a pista e deixar o legado para a população”, comentou o dirigente. O evento foi um dos listados na programação do Rio de Janeiro a Janeiro, que envolve pastas federais como Turismo, Esporte e Cultura.

 

 

 

 

“O que a gente puder aproveitar dessa empolgação pré-olímpica para construir e tentar fazer as etapas e deixar o legado das pistas, queremos fazer. Temos uma pista em São Paulo na frente do metrô Itaquera que até agosto vai estar pronta. Temos possibilidade também em Ribeirão Preto, de repente outra na Região Norte. Está rolando uma movimentação muito boa nessa parte de infraestrutura”, completou Burnquist.

 

 

Pista de skate park na Praça do Ó, na Barra da Tijuca. Fotos: divulgação

 

Fim do medo de “infecção”

 

 

 

 

Na opinião do dirigente, houve uma espécie de pacificação na modalidade depois de um período de desconfiança entre alguns praticantes sobre a possibilidade de restringir uma prática sempre vista como libertária às regras determinadas pelo movimento olímpico. “Existia um medo de infecção, de inserir a modalidade em um grande campeonato, de adotar moldes. Isso sempre foi um medo. Um campeonato normal, mesmo não olímpico, já é uma caixa, e o skate sempre fica na contracultura, quer ser mais lifestyle, mais liberdade, mais cultural”, afirmou Burnquist.

 

 

 

 

Segundo ele, um dos sintomas dessa mudança foi na ampla adesão dos atletas aos uniformes. “Nos deram uma liberdade para criar juntos. Isso facilita. Quando apresentei o uniforme e todos colocaram para tirar umas fotos, eles se sentiram parte, pertencendo mesmo. Foi legal ver a aceitação. Quem vai competir na Olimpíada sabe muito bem o que está acontecendo e é isso o que eles querem. E tem o pessoal do lifestyle e tudo bem. O skate não perde identidade. Podemos ser tudo o que nós quisermos ser”.

 

 

 

Da Redação com informações provenientes e vinculadas pela Rede Nacional do Esporte