Jogos Olímpicos Rio 2016 – Cerimônia de Abertura: Tuvalu, Chade, Mauritânia, Vanuatu… As menores delegações do Rio 2016 celebram os Jogos Olímpicos do Brasil

Etimoni Timuani, o guerreiro solitário de Tuvalu nos Jogos Olímpicos Rio 2016: “Gostaria de correr ao lado de Usain Bolt. Seria inesquecível”. Foto: Luiz Roberto Magalhães/brasil2016.gov.br
Etimoni Timuani, o guerreiro solitário de Tuvalu nos Jogos Olímpicos Rio 2016: “Gostaria de correr ao lado de Usain Bolt. Seria inesquecível”. Foto: Luiz Roberto Magalhães/brasil2016.gov.br

 

 

Com pouco mais de 12 mil cidadãos, Tuvalu – a quarta menor nação do mundo e que no Rio disputa sua terceira olímpica sem nunca ter conquistado uma medalha – é formado por um arquipélago de nove ilhas localizadas no sudoeste do Oceano Pacífico. O país disputa as Olimpíadas no Brasil com a menor de todas as 207 delegações que participarão do megaevento.

 

 

 

 

Aos 24 anos e inscrito para a prova dos 100m rasos, caberá a Etimoni Timuani a responsabilidade de defender, sozinho, Tuvalu nos Jogos Olímpicos. Na madrugada de quinta-feira (4.8), ele desembarcou na capital fluminense depois de uma verdadeira epopeia aérea.

 

 

A delegação de Tuvalu: única entre as 207 do Rio 2016 a competir com um único atleta: orgulho por fazer parte do megaevento no Brasil. Foto: Luiz Roberto Magalhães/brasil2016.gov.br
A delegação de Tuvalu: única entre as 207 do Rio 2016 a competir com um único atleta: orgulho por fazer parte do megaevento no Brasil. Foto: Luiz Roberto Magalhães/brasil2016.gov.br

 

Etimoni deixou Tuvalu rumo a Fiji, onde apanhou um avião com destino a Los Angeles, nos Estados Unidos. De lá, fez uma parada no Panamá e só depois embarcou no voo que o trouxe ao Rio de Janeiro. Somando tempo de voo e espera nos aeroportos foram mais de 40 horas. Nada que tirasse o bom-humor e a animação do corredor, que nesta quinta-feira à tarde passeou pela primeira vez pela Vila dos Atletas.

 

 

 

 

“Estou me sentindo muito bem. É muito bom estar aqui”, comemorava Timuani, cujo esporte principal não é o atletismo e, sim, o futebol. “Eu jogo na defesa da seleção de Tuvalu. Mas nosso time não é reconhecido pela FIFA”. Indagado como, então, ele se tornou o único representante de seu país nos Jogos Olímpicos, Etimoni respondeu: “Nós fizemos uma seleção interna e eu fui o mais rápido”, explicou. Ao ser perguntado qual eram seus ídolos no esporte, o corredor-jogador respondeu rapidamente: “Neymar e David Luiz”.

 

 

 

 

No total, a delegação de Tuvalu no Rio 2016 tem sete pessoas. Entre elas está Niuone Eliuta, técnico de Etimoni. “Todos estamos muito felizes por estar aqui no Brasil. Queremos aproveitar ao máximo as primeiras Olimpíadas da América do Sul”. Ele revelou que Tuvalu até tentou trazer mais atletas ao Rio e chegou a aplicar para ter representantes no levantamento de peso e no tênis de mesa, mas acabou não se classificando.

 

 

 

 

 

Questionado sobre o fato de Timuani ser ao mesmo tempo velocista e jogador de futebol, Eliuta disse que isso é algo normal em seu país. “Nossa população é muito pequena. Então, em Tuvalu a maioria dos atletas pratica mais de um esporte”.

 

 

 

 

Os dois sabem que as chances de medalha no Rio são mínimas. Mas nem por isso deixam de ter pretensões na prova que Timuani vai disputar no 13 de agosto: “Gostaria de correr ao lado de Usain Bolt. Seria inesquecível”, diz Etimoni. Para isso, ele tem que se classificar na rodada preliminar para, então, avançar à fase eliminatória que define os atletas que disputam as semifinais.

 

 

 

 

 

Seja como for, Etimoni Timuani voltará para casa com muitas histórias para contar. E se não der para correr ao lado do homem mais rápido do mundo, o único atleta de Tuvalu nas Olimpíadas do Rio pelo menos vai tentar descolar uma foto de recordação com o ídolo. “Quero rodar tudo aqui na Vila e no Rio de Janeiro. E, se der, gostaria de tirar uma foto com o Bolt, isso seria muito legal”, revelou.

 

 

 

 

Mauritânia, Chade & Cia.

 

 

 

O presidente do Chade, general Idris Dokony Adiker (de gravata preta), com sua delegação: “o mais importante é o calor humano do povo brasileiro. Eu me sinto na África”. Foto: Luiz Roberto Magalhães/brasil2016.gov.br
O presidente do Chade, general Idris Dokony Adiker (de gravata preta), com sua delegação: “o mais importante é o calor humano do povo brasileiro. Eu me sinto na África”. Foto: Luiz Roberto Magalhães/brasil2016.gov.br

 

 

 

 

Em comparação com Tuvalu, as delegações de Butão, Chade, Dominica, Guiné Equatorial, Libéria, Mauritânia, Nauru, Somália e Suazilândia competirão com o dobro de atletas. Mas, matematicamente, isso quer dizer apenas dois representantes. Juntos, todos os citados formam as menores delegações dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

 

 

 

 

Se por um fado faltam atletas em comparação aos Estados Unidos (que têm 548 competidores no Rio), ao Brasil (465), à Alemanha (423) e à Austrália (420), os países com o maior número de inscritos, sobram animação e elogios ao Brasil às menores delegações.

 

 

 

 

Presidente do Chade, país localizado no centro-norte da África, com uma população de quase 13 milhões de habitantes e que no Rio participa dos Jogos Olímpicos pela 12ª vez, o general Idris Dokony Adiker desembarcou no Rio de Janeiro na terça-feira (2.8) para acompanhar a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos e também para incentivar de perto os dois únicos atletas de sua nação: Bibiro Ali Taher, que correrá a prova dos 5.000m feminina; e Mahamat Bachir Ahmat, que disputará os 400m masculino.

 

 

 

 

“É muito bom estar aqui e o mais importante é o calor humano do povo brasileiro. Eu me sinto na África”, afirmou o presidente Idris. “Acho que o Brasil fez um grande trabalho na organização deste evento para nos receber e também receber a todo o mundo. Esse é um país de paz e isso é o mais importante”, continuou o chefe de estado do Chade, nação que ainda sonha com sua primeira medalha olímpica.

 

 

O presidente da Mauritânia, doutor Mohamed Mahmoud Mah (de terno), com sua delegação. Ao lado, Bibiro Ali Taher e Mahamat Bachir Ahmat, a dupla de atletas do Chade no Rio 2016. Fotos: Luiz Roberto Magalhães/brasil2016.gov.br
O presidente da Mauritânia, doutor Mohamed Mahmoud Mah (de terno), com sua delegação. Ao lado, Bibiro Ali Taher e Mahamat Bachir Ahmat, a dupla de atletas do Chade no Rio 2016. Fotos: Luiz Roberto Magalhães/brasil2016.gov.br

 
Tanto Bibiro quanto Mahamat disputarão, no Rio, suas primeiras Olimpíadas. “Acho que o principal de toda essa incrível experiência olímpica é a integração e a socialização”, ressaltou Mahamat. “São 207 países e se você entrar em qualquer lugar aqui da Vila tem atletas querendo trocar pins. Estou muito feliz por fazer parte de tudo isso. O Brasil é um ótimo lugar e as pessoas são muito bacanas. Antes de vir para o Rio, passei uma semana em Lavras (MG) treinando e fui muito bem tratado. Só vou levar boas lembranças de tudo o que vivi aqui. No Brasil não há tribalismo, não há segregação por religião. Estou muito feliz por ver cristãos, muçulmanos e pessoas de todas as religiões comendo juntos no restaurante da Vila. Temos que seguir esse exemplo. Se fizéssemos isso o mundo teria menos problemas”, prosseguiu o corredor.

 

 

 

 

Quem também conversou com o brasil2016.gov.br foi o presidente da Mauritânia, o doutor Mohamed Mahmoud Mah. “É a segunda vez que eu venho ao Rio. Há 15 anos, estive aqui para uma assembleia geral do COI antes das Olimpíadas de Sydney”, lembrou. “O Brasil é um país muito famoso e todos querem vir para cá. Estou muito feliz por estar aqui representando a Mauritânia neste evento grandioso”, declarou.

 

 

Jidou El Moctar e Houleye Ba, dois corredores da Mauritânia no Rio 2016 e o atleta de Vanuatu Boe Warawara: “Nunca vou me esquecer dos momentos que já vivi e que ainda vou viver aqui”, diz o boxeador. Foto: Luiz Roberto Magalhães/brasil2016.gov.br
Jidou El Moctar e Houleye Ba, dois corredores da Mauritânia no Rio 2016 e o atleta de Vanuatu Boe Warawara: “Nunca vou me esquecer dos momentos que já vivi e que ainda vou viver aqui”, diz o boxeador. Foto: Luiz Roberto Magalhães/brasil2016.gov.br

 
Localizado no noroeste da África e com uma população de quase 4 milhões de pessoas, a Mauritânia, que disputa no Rio sua nona Olimpíada sem jamais ter subido ao pódio, também só terá dois atletas no Rio 2016: Jidou El Moctar disputará os 100m masculino e Houleye Ba correrá os 800m feminino. No total, a delegação da Mauritânia tem 10 pessoas.

 

 

 

 

“É impressionante. Estou aqui há três dias e só posso dizer que adorei os brasileiros. Achei a cidade muito bonita e para mim é uma grande alegria fazer parte de uma competição tão grande e tão importante como os Jogos Olímpicos”, comemorou Houleye Ba.

 

 

 

 

No Rio, vários países participarão dos Jogos Olímpicos com menos de 10 atletas. Afeganistão, Samoa Americana, Andorra, Belize, Brunei, República Democrática do Congo, Gâmbia, Kiribati, Liechtenstein, Maldivas, Mônaco, Omã, San Marino, São Tomé e Príncipe, Serra Leoa, Ilhas Salomão, Sudão do Sul, São Vicente e Granadinas e Vanuatu, por exemplo, competem com três ou quatro representantes, dependendo do país.

 

 

 

 

É justamente por isso que os Jogos Olímpicos são tão fascinantes. Nenhum outro evento no planeta tem a capacidade de mobilizar tantos países em torno de um único objetivo. Trata-se de algo que o Brasil demorará muito tempo a repetir. Então, para todos os estrangeiros que estão aqui, essa é, de fato, uma experiência que eles só experimentarão uma vez.

 

 

 

 

“Eu me sinto nervoso e também muito feliz por estar aqui no Rio”, confessou o boxeador Boe Warawara, que competirá na categoria 56kg e é um dos únicos quatro atletas de Vanuatu nas Olimpíadas. “Meu país é bem pequeno e para todos nós é uma honra estar aqui para os Jogos Olímpicos. Nunca vou me esquecer dos momentos que já vivi e que ainda vou viver aqui”, encerrou Warawara.

 

 

 

 

 

 

Da Redação com informações provenientes de Luiz Roberto Magalhães – brasil2016.gov.br