FIFAgate – Soccer’s Rot: Saiba um pouco mais da trajetória de José Maria Marin da Ditadura até se eleger presidente da CBF

Ex-presidente da CBF José Maria Marín está entre os presos em Zurique, Suíça, por suposto envolvimento em esquema de corrupção na FifaTomaz Silva/Agência Brasil
Ex-presidente da CBF José Maria Marín está entre os presos em Zurique, Suíça, por suposto envolvimento em esquema de corrupção na FifaTomaz Silva/Agência Brasil

 

 

Preso na útlima quarta-feira (27) pela acusado de corrupção na Fifa de onde era dirigente, José Maria Marin, que exerceu o cargo de presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) entre os anos de 2012 a 2014, iniciou a carreira política pouco antes do Golpe Militar, em 1964, como vereador pelo Partido de Representação Popular (PRP) na cidade de São Paulo.

 

 

Marin se tornou vice-governador de São Paulo em 1978 Arquivo Agência Pública
Marin se tornou vice-governador de São Paulo em 1978
Arquivo Agência Pública

 

 

 

Em 1966, Marin migrou para a Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido que deu sustentação ao regime militar. Segundo a ficha de Marin no Sistema Nacional de Informação (SNI), ele chegou à presidência da Câmara Municipal em 1969 com ajuda dos militares e do então ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva, redator do Ato Institucional Nº 5 (AI-5).

 

 

 

 

“Na verdade, a eleição de Marin resultou de um esquema montado pelo Dr. Luiz Roberto Alves da Costa, chefe de gabinete do Ministro da Justiça, com apoio de correntes militares”, diz o documento. Em outro trecho do relatório, Marin é apontado como um político fraco na visão de seus então colegas. “É considerado fraco pelos seus pares. Consta que sua candidatura tem apoio de círculos militares e de elementos ligados ao Ministro da Justiça”.

 

 

 

 

Marin se tornou deputado estadual em São Paulo em 1971 ainda pela Arena. Em 1975, ele usou a tribuna da Assembléia para criticar o departamento de jornalismo da TV Cultura, emissora do governo do Estado, então dirigido pelo jornalista Vladimir Herzog.

 

 

 

 

Quinze dias após o discurso, o jornalista Vladimir Herzog, editor-chefe da emissora, foi preso e assassinado pelo DOI-Codi. Na ocasião Marin pediu um aparte para apoiar a fala do também deputado pela Arena Wadih Helu, que pedia medidas contra “elementos de esquerda” no Canal 2.

 

 

 

 

Temos lido semestralmente na Coluna Um, de Cláudio Marques, denúncias de infiltração de elementos de esquerda no Canal 2”, disse Helu. Marin pediu um aparte ( a partir dos 4’40” do áudio abaixo) que concluiu em poucos minutos da seguinte maneira: “é preciso mais do que nunca uma providência, a fim de que a tranquilidade volte a reinar não só nesta casa, mas principalmente, nos lares paulistanos”. O discurso foi feito em 09 de outubro de 1975. No dia 25 daquele mês Vladimir Herzog se apresentou ao Doi-Codi em São Paulo, órgão de repressão do regime militar, de onde não saiu com vida.

 

 

 

 

Em entrevista ao Portal EBC em fevereiro de 2013 durante uma reunião da Comissão Nacional da Verdade em Brasília, a jornalista Rose Nogueira, que integrou a equipe de jornalismo da TV Cultura dirigida por Herzog em 1975, afirmou que os pronuncimentos de Marin na Assembleia intimidavam a redação do jornal.

 

 

 

 

 

 

 

Também em 2013, o jornalista Juca Kfouri deu uma entrevista para o Portal EBC falando sobre a atuação de Marin na época da Ditadura:

 

 

 

 

 

 

Cerca de um ano depois da morte de Herzog, Marin voltou a discursar na Alesp, dessa vez para homenagear um dos responsáveis pelas torturas realizadas pelos militares em São Paulo, o então delegado Sérgio Paranhos Fleury. Ouça o áudio:

 

 

 

 

 

 

Marin se tornou vice-governador de São Paulo em 1978 e, entre 1982 e 1983, assumiu o governo, substituindo Paulo Maluf, que se afastou do cargo para concorrer à Câmara dos Deputados. Assinou a extinção do Dops, atendendo a uma ordem do então presidente João Baptista Figueiredo. A partir de 1983, Marin começou a perder prestígio político e não se elegeu para nenhum cargo público. Hoje, é filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

 

 

 

 

Marin presidiu a Federação Paulista de Futebol entre 1982 e 1988 e chefiou a Delegação Brasileira na Copa do Mundo de 1986, no México. Em 2012, compo vice-presidente da CBF para a região Suedeste, Marin foi flagrado por uma câmera de TV colocando uma medalha no bolso durante a premiação da Copa São Paulo de Futebol Junior, a Copinha. Na ocasião a Federação Paulista de Futebol (FPF) afirmou que a medalha havia sido um presente do então presidente da organização Marco Polo Del Nero – que se tornou presidente da CBF após a saída de Marin.

 

 

 

 

Marin assumiu a CBF ainda em 2012 após a renúncia de Ricardo Teixeira, em 2012, e o Comitê Organizador Local da Copa do Mundo Fifa Brasil 2014. Em 2013, com vistas à Copa do Mundo, Ivo Herzog, filho do jornalista assassinado pelo regime militar em outubro de 1975, organizou uma petição pública pedindo o desligamento de Marin da Confederação por conta de seus antecedentes como político ligado ao regime militar. Entregue por Ivo e pelo deputado Romário na sede da CBF, a petição foi ignorada e Marin representou o Brasil no grande evento mundial. Esta semana, Romário comemorou publicamente a prisão de Marin.

 

 

 

 

A a CBF chegou a utilizar seu site oficial para fazer a defesa pessoal de Marin em relação ao tema Vladimir Herzog e criticar a cobertura jornalística sobre o assunto. Após a prisão de seu ex-presidente, a organização afastou Marin e retirou seu nome da sede da entidade localizada na zona oeste do Rio de Janeiro.

 

 

 

 

 

Da Redação com informações provenientes da EBC