FIFAgate – Soccer’s Rot: Marco Polo Del Nero nega que tenha assinado contratos suspeitos na gestão de Marin na CBF

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero, durante coletiva na sede da CBF, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro (Divulgação  Rafael Ribeiro / Confederação Brasileira de Futebol - CBF)
O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero, durante coletiva na sede da CBF, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro (Divulgação Rafael Ribeiro / Confederação Brasileira de Futebol – CBF)

 

 

 

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero, negou hoje (29), em entrevista coletiva na sede da entidade, no Rio, que tivesse conhecimento de propinas nos contratos da CBF e negou ter assinado algum deles durante a administração do ex-presidente da entidade, José Maria Marin.

 

 

“Nenhuma participação, nenhum contrato eu assinei na administração do presidente José Maria Marin”, garantiu Del Nero, completando que a função dele, como vice-presidente da CBF, enquanto Marin estava no comando da entidade, era seguir as orientações da presidência.

 

 

 

 

O dirigente informou que os contratos vão ser analisados, mas de antemão não se pode afirmar que eles não estão corretos e, por isso, precisam ser revistos: “A conclusão a que a diretoria chegou é a seguinte e eu apoio: nós temos que analisar todos os contratos”.

 

 

 

 

O presidente disse que a entidade atravessa um momento difícil por causa do envolvimento do ex-presidente e atual vice-presidente José Maria Marin nas acusações do governo norte-americano de recebimento de propinas em contratos da CBF, a pedido do qual ele foi preso na Suíça antes do Congresso da Federação Internacional de Futebol (Fifa) que reelegeu o presidente Joseph Blatter para o quinto mandato seguido de quatro anos.

 

 

 

 

De acordo com Del Nero, este foi o motivo que o fez voltar de Zurique, na Suíça, onde participava da reunião da Federação Internacional de Futebol (Fifa): “Para poder informar de forma positiva e correta e dar as explicações necessárias não só às autoridades como também à imprensa do nosso Brasil”, afirmou.

 

 

 

 

Del Nero não acredita que a saída antecipada dele da reunião em Zurique tenha prejudicado a imagem do futebol brasileiro e da CBF: “Eu conversei com o presidente da Conmebol [Confederação Sul-americana de Futebol] e informei a necessidade de retornar ao país para dar uma satisfação e para comandar as explicações necessárias, seja, seja no Ministério da Justiça, na Polícia Federal ou na Procuradoria Federal”

 

 

 

 
O dirigente disse que, apesar de ser amigo de Marin, tem que tomar providências para esclarecer os fatos. “É triste, a gente presta solidariedade ao ser humano, ao amigo, mas como presidente da Confederação Brasileira de Futebol tenho que tomar as providências necessárias. Não tem como deixar de fazer alguma coisa, apenas por ser amigo. Fico muito chateado, perplexo com tudo que aconteceu, mas temos que exercer a função.

 

 

 

 

A função [de presidente] vai ser exercida na melhor forma possível em favor da Confederação Brasileira de Futebol”, disse Del Nero, acrescentando que não tinha conhecimento da existência de propinas nos contratos. “Não sabia. Não tinha conhecimento em hipótese alguma”, assegurou.

 

 

 

 

O presidente da CBF descartou ainda a possibilidade de ser o suspeito, sem nome identificado, apontado nos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos do recebimento de propinas com Marin: “Eu não sou, porque não recebi nada e nem receberia. Não sei [quem seria]. Tem que perguntar para o investigador”, afirmou o presidente da CBF.

 

 

 

 

 

Del Nero contou que ficou sabendo da prisão do ex-presidente por uma ligação telefônica. Em seguida, se reuniu com a presidência da Conmebol, que constituiu advogado para defender Marin, porque naquele momento ele também era representante da entidade sul-americana. Quanto à retirada do nome de Marin, da fachada da sede da CBF, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, ele explicou que foi em decorrência da decisão da Fifa.

 

 

 

 

 

“Em face de uma determinação da Fifa de banimento dele por 90 dias, a presidência, ad referendum da diretoria geral, resolveu tirar o nome dele”, revelou. O nome do dirigente foi retirado da fachada da sede, mas no interior do prédio permanece em uma placa com a composição da diretoria, tendo na presidência o ex-dirigente.

 

 

 

 

Antes de sair de Zurique, Del Nero, orientou a delegação brasileira sobre como votar na eleição para a presidência da Fifa. Com relação aos documentos apresentados às autoridades brasileiras para as investigações sobre a CBF, explicou que a decisão foi tomada em uma reunião de diretoria. “Tudo está registrado. Foram entregues ao procurador-chefe do Ministério Público do Rio de Janeiro e ao ministro da Justiça todos os contratos pertinentes para que eles possam analisar e nós estamos aptos a praticar e a responder tudo que for pedido”, disse.

 

 

 

 

Para o dirigente, as acusações feitas pelo senador Romário (PSB/RJ) de que ele deveria ser o primeiro investigado por uma CPI para apurar os contratos da CBF não representam novidade.

 

 

 

 

“Com relação ao senador Romário posso informar que não é de hoje que ele me ataca, mas toda vez que ele me ataca eu vou ao poder judiciário e tomo as providências. Algumas delas, ou pelo menos em uma delas, ele já foi condenado. Vou continuar processando. Sempre que ele me ofender, eu o processarei”, declarou Del Nero, que disse apoiar uma CPI do Senado para investigar a CBF.

 

 

 

 
Da Redação com informações provenientes da EBC