Esporte – Taekwondo Paralímpico: Débora Menezes chega à vice-liderança do ranking mundial de taekwondo paralímpico

Na Turquia, a brasileira Débora Menezes chegou ao inédito título mundial. Foto: WTM/Divulgação

 

 

 

Não é preciso muito tempo de conversa com a paulista Débora Menezes para ficar claro o quanto a atleta do taekwondo paralímpico é apaixonada pela modalidade que pratica. A dedicação ao esporte a levou, em 2019, a uma sucessão de pódios que culminaram, no início de maio deste ano, na vice-liderança do ranking mundial, um posto que, até o início da temporada, nem mesmo ela imaginava alcançar em tão pouco tempo.

 

 

No dia 6 de fevereiro, Débora, 28 anos, conquistou o resultado mais expressivo de sua carreira quando, em Antalya, na Turquia, sagrou-se campeã mundial da Classe K44 para atletas acima de 58kg. O título mundial abriu as portas para uma série de pódios que garantiram uma ascensão muito rápida no ranking. Débora, que nasceu com uma má formação congênita no braço direito e compete em uma classe para atletas com deficiência do membro superior de um dos lados ou paralisia de um dos lados, passou a colecionar medalhas douradas após o triunfo na Turquia.

 

 

 

Venceu o Open de Las Vegas em março, foi ouro no Open do México em abril, e ainda faturou o bronze, no final de fevereiro, no Open do Egito. Esse resultado, segundo ela, poderia ter sido outro ouro se não fosse uma infelicidade.

 

 

 

“No Egito, eu estava lutando a semifinal contra a número 1 do ranking mundial, a britânica Amy Truesdale, e liderava por 10 x 4 quando sofri uma lesão no tornozelo esquerdo e tive que abandonar a luta. Mas como nessa competição não teve a disputa do bronze, garanti a medalha”, recorda Débora.

 

 

 

O sucesso no Mundial levou a brasileira da oitava posição para o quarto lugar no ranking mundial. No início deste mês, com a atualização da lista, Débora chegou à vice-liderança, ficando atrás apenas de Amy Truesdale.

 

 

 

“Quando o ranking mundial fechar em dezembro deste ano, os quatro primeiros vão garantir vaga para as Paralimpíadas de Tóquio 2020. Então, meu planejamento era chegar à sexta colocação até o meio deste ano”, lembra a lutadora. “Quando venci o Mundial, em fevereiro, cheguei no top 4. Depois disso, a meta dobrou. O plano era chegar ao top 2 até dezembro. Agora, a meta é manter essa posição até o fim do ano. Para o top 1 eu ainda estou muito distante em questão de pontos para a primeira do ranking. Mas esse é um objetivo que, para 2020, eu acredito que possa atingir”, prossegue, confiante.

 

 

A dúvida é o Parapan

 

 

O ano que antecede as Paralimpíadas reserva, sempre, uma competição muito importante para os brasileiros: os Jogos Parapan-Americanos. Este ano, a competição será disputada em Lima, no Peru, entre 23 de agosto e 1º de setembro.

 

 

Débora, entretanto, não sabe se poderá brigar por medalha em Lima. “O Parapan ainda não está totalmente confirmado, pois é preciso ter no mínimo seis competidores para valer disputa por medalhas e pontos para o ranking. Acho que ainda não fechou esse número. Então, pode ser que não exista essa disputa. Se existirem só quatro competidoras, por exemplo, eu luto, mas não vale pontos para o ranking e nem medalha”, esclarece.

 

 

 

Seja como for, o ano ainda reserva muitos desafios estratégicos para os planos da campeã mundial. “Antes do Parapan, eu tenho o Campeonato Pan-Americano, nos dias 15 e 16 de junho, nos Estados Unidos. Depois, no fim de junho, disputo um Open, na Austrália. E no começo de julho, antes do embarque para o Peru, teremos provavelmente um Open na Coreia. Todas essas competições valem pontos para o ranking mundial. Depois do Pan, ainda devemos ter um evento-teste das Paralimpíadas, em Tóquio”, enumera.

 

 

Bolsa Pódio

 

 

 

O taekwondo fará sua estreia no programa paralímpico nos Jogos de Tóquio 2020. A modalidade entrou na vida de Débora em 2013, mas foi somente em 2017, após uma tentativa que não deu certo de conquistar uma vaga no atletismo para as Paralimpíadas do Rio 2016, que Débora apostou todas as suas fichas na arte marcial.

 

 

 

“Disputar as Paralimpíadas é um sonho que vem há muito tempo comigo”, conta. “Não tive oportunidade de ver pessoalmente as disputas no Rio, mas acompanhei pela televisão. Eu tentei uma vaga para o Rio 2016 no atletismo, no lançamento de dardo, mas não obtive a classificação. Comecei como hobby no taekwondo, mas a partir de 2017 a carreira tornou-se profissional e agora eu sonho em disputar as Paralimpíadas em Tóquio e estou perto de conseguir essa vaga”, continua.

 

 

 

O sonho paralímpico ganhou um novo norte em 2018, quando Débora, formada em educação física, passou a ser beneficiada pela Bolsa Pódio, a mais alta categoria do programa Bolsa Atleta, da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania, reservada àqueles que figuram entre os 20 primeiros do ranking mundial.

 

 

 

Até então, ela dividia a rotina de treinos com as tarefas que tinha como professora de educação física. Com o benefício, a rotina mudou e isso teve impacto direito nos resultados. “Eu treino todos os dias, de segunda a sábado e, dependendo do dia, faço de três a quatro treinos em um dia, entre parte física, tática, técnica. É tudo bem distribuído. E tem musculação também, tem o pilates… É sempre uma semana bem corrida, mas eu gosto muito de treinar”, comenta.

 

 

 

Educação física

 

 

 

Com a vaga para Tóquio cada vez mais encaminhada (se não garanti-la pelo ranking mundial, ela ainda poderá carimbar o passaporte nas disputas regionais em 2020), Débora planeja chegar ao Japão com uma meta audaciosa: tornar-se campeã paralímpica. Para ela, a importância de buscar o ouro nos Jogos Paralímpicos extrapola os limites da realização pessoal.

 

 

 

“O esporte tem muito sentido na minha vida. Como eu tenho uma deficiência, encontrei no esporte um aliado muito grande, até para eu poder lidar com minha deficiência. A educação física escolar teve uma importância muito grande. Foi por isso que eu resolvi fazer educação física: para inspirar e ajudar as outras pessoas a realizarem seus sonhos”, diz.

 

 

 

“Quando imagino as Paralimpíadas, primeiro penso que, além de uma realização profissional, é uma honra levar o nome do meu país em um evento tão grandioso. O ciclo de preparação para os Jogos Paralímpicos exige muito esforço, muita dedicação, muita disciplina. Todo nosso treinamento tem como objetivo o ouro. Trabalhamos, eu e toda minha equipe, para buscarmos o ouro para nosso país. Acho que esse é o maior legado que eu posso deixar, já que a educação física escolar teve tanta importância na minha vida. Acho que, se eu puder mostrar essa medalha para as crianças nas minhas aulas, eu imagino que isso poderá ser um grande incentivo para que elas busquem seus sonhos também”, reforça Débora.

 

 

 

Embalada pelo sucesso em 2019, a paulista só fez um pedido ao término da entrevista: “Posso agradecer a todos os que me ajudaram para que eu chegasse tão longe?”. A resposta que ela ouviu era óbvia.

 

 

 

“Ninguém chega a lugar nenhum sem o apoio de profissionais dedicados. Então, agradeço primeiro a Deus, por estar proporcionando tudo isso que está acontecendo na minha vida. Ele vem me lapidando e colocando profissionais excelentes na minha carreira. Queria agradecer à Secretaria Especial do Esporte. Nada disso teria acontecido se não fosse o investimento do Bolsa Pódio. Depois, tenho que agradecer à minha família, à minha companheira, Mayara Souza, ao Comitê Paralímpico Brasileiro, à Confederação Brasileira de Taekwondo, a toda equipe da comissão técnica da seleção brasileira e à minha equipe multidisciplinar da Brasil Lutas, que é composta por excelentes profissionais. Sem todos os citados aqui, eu nunca teria conquistado tudo isso”.

 

 

 

Da Redação com informações provenientes do site Rededoesporte.gov.br