Campeonato Mundial de Tênis de Mesa – 2019: Sob “regência” de Calderano, Brasil leva oito atletas ao Mundial de Tênis de Mesa

Vagão em Budapeste ‘envelopado’ com o rosto do brasileiro Hugo Calderano. Foto: Xiom/Divulgação

 

 

O VLT de Budapeste, na Hungria, já circula envelopado com o rosto dele. O site oficial da Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF, na sigla em inglês) tem um banner praticamente fixo com a imagem do atleta. Na coletiva de imprensa que vai apresentar os detalhes do evento que vai reunir 578 atletas de 143 países, de 21 a 28 de abril, ele já está escalado. De fato, este é um Campeonato Mundial bem diferente para o brasileiro Hugo Calderano, de 22 anos.

 

 

Atual número sete do mundo num esporte de amplo domínio asiático e europeu, o atleta carioca atingiu a “maioridade” na modalidade. Desde o início de 2018 é presença fixa no top 10. Coleciona vitórias recentes sobre oponentes do Top 20 e tem figurado de forma frequente em pódios e finais de etapas do circuito mundial.

 

 

 

“Jogar o Mundial estando no Top 10 me permite pela primeira vez participar de uma competição grande como essa com a capacidade de brigar por medalha”, afirmou Calderano. “Um pódio em Mundial sempre foi um grande objetivo. Apesar de o tênis de mesa ser um esporte competitivo e dominado por asiáticos, acredito que posso, a partir de agora, ir para esse tipo de competição sempre pensando em pódio”.

 

 

 

Duas das vitórias de Calderano nos últimos meses tiveram caráter icônico: uma diante do número 1 do mundo, o chinês Fan Zhendong, no Grand Finals disputado na Coreia do Sul, em dezembro de 2018. Outra diante do principal jogador europeu das últimas duas décadas, o alemão Timo Boll. Número cinco do mundo, Timo foi batido por Calderano na Liga Alemã, no início de março. Na temporada 2019, Calderano foi protagonista no título de seu clube, o Ochsenhausen, na Copa da Alemanha. A equipe dele também está na final da Liga da Alemanha.

 

 

 

Desde o Grand Finals, contudo, ficou claro para Calderano que, para ter sequência em alta intensidade física e mental, ele precisa de pausas adequadas. Na Coreia do Sul, foi nítida a queda de rendimento entre a vitória sobre o chinês Fan Zhendong e uma derrota na sequência, menos de cinco horas depois, na semifinal, para o japonês Tomokazu Harimoto.

 

 

 

“Meu estilo de jogo exige muita intensidade física e mental. É por isso que trabalho fisicamente todos os dias. Numa competição daquele nível, não é normal que a semifinal ocorra tão pouco tempo depois das quartas. Isso prejudica o nível do campeonato como um todo. Foi um erro de programação do torneio que não deve acontecer novamente”, ponderou Calderano.

 

 

 

 

“O Mundial sempre é especial por ter a participação dos melhores e por ser um dos mais importantes momentos do esporte. O Calderano está num caminho claro, bem definido. Ganhar medalha é consequência. Acho possível sonhar, mas não gostaria de criar expectativa. É fundamental construir boas coisas em torno dele para que ele tenha a possibilidade de brigar por conquistas”, afirmou Francisco Arado, o Paco, treinador da seleção brasileira masculina.

 

 

 

Uma das mudanças recentes de Calderano foi de patrocinador e fornecedor de material esportivo. O brasileiro passou a ser a principal aposta da marca sul-coreana Xiom, que não perde chance de usar a imagem do atleta em campanhas, posts em redes sociais e ações de marketing, como o envelopamento de vagões em Budapeste. “Esse processo foi conduzido com muito cuidado para que a troca de material esportivo não interferisse no meu jogo. Estou bem adaptado”, disse o atleta.

 

 

 

 

 

 

Abre alas

 

 

 

É com esse retrospecto que Calderano puxa a fila de oito atletas brasileiros que vão representar o país na competição. Gustavo Tsuboi (40º do ranking), Eric Jouti (74º), Thiago Monteiro (91º) e Vitor Ishiy (126º) completam a equipe masculina. No feminino, Bruna Takahashi (64ª), Lin Gui (99ª) e Jessica Yamada (191ª) são as representantes.

 

 

 

“Sempre que temos chance de jogar com outros jogadores de alto nível é bom para nós. Estou treinando forte e minha expectativa é boa”, afirmou Bruna Takahashi, de 18 anos. Caçula do Brasil nos Jogos Olímpicos Rio 2016, ela atingiu em abril de 2019 o ranking mais alto de sua carreira, na 64ª posição. “Desde 2017, quando me formei no ensino médio, consegui treinar mais períodos durante o dia e também treinar fora do país. Com isso, sinto que a parte técnica evoluiu bastante”.

 

 

 

Bruna e outros seis do elenco nacional em Budapeste integram atualmente o Bolsa Atleta, programa da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania, num investimento estimado em R$ 274 mil por ano. Jéssica Yamada, assídua como bolsista entre 2010 a 2017, é a única que não está atualmente vinculada.

 

 

 

 

No ciclo olímpico atual rumo aos Jogos de Tóquio, o tênis de mesa já teve 395 atletas contemplados pelo programa, com R$ 5,6 milhões em investimentos. Atualmente, há 247 inscritos, com 125 atletas olímpicos, 112 paralímpicos e outros dez no Bolsa Pódio (Calderano e nove esportistas paralímpicos).

 

 

 

Vitor Ishiy, de 23 anos, vai para o segundo Mundial individual de sua carreira pela seleção. Campeão dos Jogos Sul-Americanos de Cochabamba, na Bolívia, em 2018, ele atualmente compete na primeira divisão da Liga Francesa e integrou a equipe nacional que chegou à inédita fase de quartas de final no Mundial por equipes e na Copa do Mundo, em 2018.

 

 

 

“Com certeza o tênis de mesa do Brasil está sendo melhor visto mundialmente. Tivemos resultados inéditos no decorrer desses últimos anos. Podemos ver que temos cada vez mais oportunidades de jogar nas melhores ligas europeias. Será meu segundo Mundial individual e prefiro não criar expectativas. Quero ir o mais longe possível”, afirmou o atleta.

 

 

 

Todos contra a China

 

 

 

Além das chaves de simples, a competição na Hungria terá disputas em duplas nos dois naipes e de duplas mistas. Embora sejam muitas as possibilidades de competições, costumam ser bem restritas as nações no topo do pódio. A China, com imensa tradição, é ampla favorita no masculino e no feminino. O país asiático tem 12 atletas inscritos, todos com condição de figurar no topo. São seis atletas no masculino e seis no feminino.

 

 

 

Para se ter uma ideia da qualidade, quatro dos seis chineses do masculino estão no Top 10 mundial. Os que não estão lá têm motivos bem justificáveis. Ma Long, atual campeão olímpico e Mundial, ocupa a 11ª posição no ranking porque esteve ausente das competições nos últimos meses. E Wang Chuqin, de 18 anos, é da nova geração, mas já tem no currículo recente o ouro individual dos Jogos Olímpicos da Juventude, disputados em Buenos Aires, na Argentina, em 2018.

 

 

 

No feminino, cinco das seis atletas chinesas estão no top ten, exatamente nas posições de 1 a 5 da listagem. A exceção é Sun Yingsha, outra jovem revelação de 18 anos. Ocupa a 29ª posição no ranking e também tem em casa o ouro conquistado nos Jogos Olímpicos da Juventude de 2018.

 

 

 

Aposta japonesa

 

 

 

Correm por fora nessa disputa por vagas entre os candidatos ao pódio Japão, Coreia do Sul, Hong Kong e países europeus, como Alemanha e Suécia. O Japão aposta parte de suas fichas no fenômeno Tomokazu Harimoto, de apenas 15 anos e atual número quatro do ranking mundial adulto. O adolescente tem sido pedra no sapato de vários atletas chineses e tem potencial de surpreender.

 

 

 

Outra frente de investimento dos japoneses é nas duplas mistas, categoria que vai estrear nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. É nessa modalidade que os japoneses enxergam boas possibilidades de quebrar a hegemonia chinesa e ouvir o hino nacional em casa, até porque três atletas do Japão no feminino e dois no masculino estão atualmente no top 10 do mundo.

 

 

 

Com exceção de Calderano, no individual, o Brasil corre muito por fora na disputa por posições de destaque, tanto no individual quanto nas duplas. “A gente vai tentar ao máximo fazer um treinamento necessário para brigar de igual para igual com os melhores, no individual e na dupla. É claro que o Hugo estando entre os melhores preocupa os adversários. A Bruna é outra jogadora inteligente, guerreira. O torneio de duplas é importante porque nas Olimpíadas e em Jogos Pan-Americanos tem relevância”, afirmou Hugo Hoyama, técnico da seleção brasileira feminina.

 

 

 

“Por ser um campeonato individual, cada um tem um objetivo ou meta diferente. Acho que para os jovens é um grande aprendizado e uma forma de se medir com os melhores. Para os mais experientes acredito que seja sempre um momento especial e único por causa da importância e tamanho do torneio”, afirmou Paco.

 

 

 

Corrida Olímpica

 

 

 

Diferentemente de outras modalidades, o tênis de mesa não reserva vagas olímpicas diretas nem no Campeonato Mundial da Hungria nem nos Jogos Pan-Americanos, que este ano serão realizados em Lima. A corrida pela classificação das nações e dos atletas para os Jogos de Tóquio, em 2020, passará por seletivas específicas continentais e por competições pré-olímpicas.

 

 

 

O Brasil tenta passar pelo desafio de, assim como nos Jogos Rio 2016, levar aos Jogos Olímpicos um time completo, para disputar as competições de equipe, individual e duplas. “A classificação para as Olimpíadas sairá de uma classificatória latino-americana. As nossas chances são grandes. No feminino, por exemplo, de 2013 para cá conquistamos cinco ouros em Jogos Latino-Americanos por equipes. Em 2017 e 2018 elas foram campeãs do Pan por equipes também. Só depende delas”, afirmou Hugo Hoyama.

 

 

 

 

“Temos um número 7 do Mundo na nossa equipe e todos nós da seleção estamos jogando talvez nas nossas melhores fases. Cada jogador individualmente traz alguma qualidade específica para o time, e essa mistura de qualidades nos faz fortes concorrentes”, opinou Vitor Ishiy. “Com certeza é uma meta nossa classificar novamente a equipe para os Jogos Olímpicos de Tóquio”, completou Francisco Arado, treinador da equipe masculina.

 

 

 

Da Redação com informações vinculadas e provenientes da rededoesporte.gov.br