Campeonato Mundial de Ginástica Artística 2019 – Stuttgart: O brasileiro Arthur Nory é campeão mundial na barra fixa

Arthur Nory: após o pódio no Rio 2016, o ouro no Mundial da Alemanha. Foto: CBG
Arthur Nory: após o pódio no Rio 2016, o ouro no Mundial da Alemanha. Foto: CBG

 

A Ginástica Artística do Brasil fechou de forma emocionante sua participação no Campeonato Mundial de Stuttgart, na Alemanha, encerrado neste domingo (13.10). Com uma atuação perfeita, Arthur Nory ficou com a medalha de ouro na barra fixa. Foi a 14ª medalha do Brasil na história dos Mundiais da modalidade. O último dia da competição também teve a presença de Flavia Saraiva em duas finais. No solo, por apenas um décimo ela ficou fora do pódio, terminando em quarto lugar, enquanto na trave terminou na sexta colocação.

 

 

A barra fixa foi o último aparelho disputado neste domingo. Quinto a se apresentar, Arthur Nory entrou confiante na final, após ter tirado a nota 14,600 no qualificatório, a quarta melhor entre os finalistas. O brasileiro fez uma prova perfeita e sai do aparelho vibrando muito. Ao ver a nota 14,900, Nory viu que a chance de uma medalha era muito grande. Quando o australiano Tyson Bull tirou apenas 13,200, ele sabia que já tinha garantido ao menos a prata. Mas quando o americano Samuel Mikulak teve apenas 14,066, Nory se ajoelhou emocionado, comemorando o ouro inédito.

 

 

“Foi incrível, nem sei o que dizer. Só tenho a agradecer ao meu treinador (Cristiano Albino), toda nossa equipe multidisciplinar, à CBG, à Caixa que é nosso patrocinador, ao pessoal do Pinheiros, todo mundo que batalha comigo todo dia e sabe como foi um ano puxado, onde trabalhamos bastante. Alcançamos o objetivo de classificar o Brasil para a Olimpíada por equipe e, agora, ter chegado para disputar esta final de barra”, disse Nory. Ele também falou sobre sua relação com a barra fixa, aparelho que o consagrou neste Mundial.

 

 

 

“Não é de agora que eu tenho conseguido bons resultados na barra. Fui quarto do mundo em 2015 e aquele resultado ficou engasgado na minha garganta. Comecei a trabalhar bastante, visando dificultar minha série na barra para a Olimpíada do Rio. Já venho trabalhando todo dia neste aparelho, para que possa evoluir, até porque o foco agora é 2020”, disse o campeão mundial, que comentou sobre os momentos que antecederam sua prova neste domingo.

 

 

 

“Treinei a semana inteira essa série, porque queria ganhar esta medalha, ir para cima, fazer o meu melhor. Era o quinto a me apresentar e os melhores estavam na minha frente e fomos vendo a nota. Olhei para o Cristiano e ele disse que a decisão de qual série fazer era minha, mas que me apoiava 100%. Decidi fazer aquela série da forma mais perfeita possível. Aí teve toda a expectativa até o final. Quando vi que estava garantido no pódio, fiquei aliviado e depois foi a felicidade de sair o resultado”, afirmou Nory.

 

 

Para o treinador Cristiano Albino, a série que deu o ouro à Arthur Nory já vinha sendo trabalhada há algum tempo. “A gente já estava planejando executar uma série de barra muito boa aqui no Mundial. O Nory já tinha ido muito bem no Pan e para Stuttgart, tínhamos preparado duas séries: uma mais forte e outra nem tanto. Dependendo dos adversários, iríamos escolher. Ao analisar os competidores que entraram antes dele, chegamos à conclusão que não precisaria fazer a série mais difícil, que é mais arriscada. Assim, ele poderia fazer a série com a qual competiu mais, no Brasileiro, Sul-Americano e Pan-Americano. Ele vem crescendo bastante com esta série, foi muito boa a execução. O objetivo da nota era entre 14,800 e 15,100 e ficou na média. Muito feliz com esse resultado inédito para a Ginástica do Brasil”, explicou.

 

 

Flavia Saraiva a um décimo do pódio

 

 

Faltou muito pouco para que Flavia Saraiva não saísse da Alemanha também com uma medalha. Na final do solo, a brasileira terminou em quarto lugar, com a nota 13,966, um décimo abaixo da russa Angelina Melnikova, que ficou com o bronze. O ouro foi da favorita norte-americana Simone Biles. Na final da trave, Flavia sofreu uma queda e terminou na sexta posição, com 13,400. A brasileira analisou suas provas neste domingo.

 

 

“Gostei muito das minhas apresentações. Tive uma falha na trave, mas isso acontece. Agora é voltar para casa e treinar mais. Sobre o solo, é aquilo que falei, cada décimo conta. Mas cada competição é uma história diferente. O importante é que Tóquio está chegando aí, já estou com a vaga olímpica garantida e tem muita coisa para melhorar e vamos focar nesta preparação com muita força”, afirmou Flavia.

 

 

Balanço do Mundial

 

 

O Coordenador Geral Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), Henrique Motta, fez um balanço positivo da participação do Brasil no Campeonato Mundial de Stuttgart.

 

 

“Saímos daqui com seis finais individuais, que é o melhor resultado do país em um Mundial pré-olímpico. Em provas individuais, voltamos a ser campeões, o que não acontecia desde 2013 e agora subimos ao lugar mais alto do pódio no último Mundial antes dos Jogos Olímpicos de Tóquio”, disse Motta, que também lembrou da presença brasileira já assegurada na próxima Olimpíada.

 

 

“Teremos as duas modalidades presentes, com a equipe completa do masculino e a Flavia Saraiva pelo individual geral no feminino. A Flavia, inclusive, chegou aqui na Alemanha a três finais individuais, o que é um recorde entre as mulheres do Brasil em campeonatos mundiais. Estes resultados reforçam o nosso trabalho para que a ginástica seja um dos maiores esportes do país. Diariamente, todas as áreas da Confederação atuam incansavelmente para que no final os atletas possam fazer sua melhor performance. E é muito gratificante quando a medalha de ouro concretiza tudo isso. O Nory é um atleta que já tem uma medalha olímpica no solo e agora conquista um Mundial na barra fixa. Isso nos deixa cheio de energia para continuar em busca de fazer o melhor pelo nosso esporte”, completou Motta.

 

 

Todas as medalhas do Brasil nos Mundiais de Ginástica Artística

Medalha de ouro
Daiane dos Santos – solo – Anaheim (EUA)-2003
Diego Hypólito – solo – Melbourne (AUS)-2005
Diego Hypólito – solo – Stuttgart (ALE)-2007
Arthur Zanetti – argolas – Antuérpia (BEL)-2013
Arthur Nory – barra fixa – Stuttgart (ALE)-2019

 

 

Medalha de prata
Daniele Hypólito – solo – Ghent (BEL)-2001
Diego Hypólito – solo – Aarhus (DIN)-2006
Arthur Zanetti – argolas – Tóquio (JAP)-2011
Arthur Zanetti – argolas – Nanning (CHN)-2014
Arthur Zanetti – argolas – Doha (QAT)-2018

 

 

Medalha de bronze
Jade Barbosa – individual geral – Stuttgart (ALE)-2007
Jade Barbosa – salto – Roterdã (HOL)-2010
Diego Hypólito – solo – Tóquio (JAP)-2011
Diego Hypólito – solo – Nanning (CHN)-2014

 

 

O Brasil no Mundial de Ginástica Artística

Equipe feminina
Flávia Saraiva (Flamengo/RJ)
Jade Barbosa (Flamengo/RJ)
Lorrane Oliveira (Flamengo/RJ)
Thais Fidelis (Cegin/PR)
Leticia Costa (Fluminense/RJ)
Isabel Barbosa (Pinheiros/SP) – reserva

Treinadores
Valeri Liukin
Francisco Porath Neto
Iryna Ilyashenko

 

 

Equipe masculina
Arthur Zanetti (SERC/SP)
Arthur Nory (Pinheiros/SP)
Caio Souza (São Bernardo/SP)
Francisco Barreto (Pinheiros/SP)
Lucas Bittencourt (Minas Tênis Clube/MG)
Leonardo Mateus de Souza (Minas Tênis Clube/MG) – reserva 1
Tomás Rodrigues Florêncio (Sogipa/RS) – reserva 2

Treinadores
Marcos Goto
Cristiano Albino
Ricardo Yokoyama

 

 

 

Da Redação com informações da Confederação Brasileira de Ginástica