Cultura – Literatura: O Jurista e Poeta Paulo Bomfim faleceu no último domingo – 07/07/2019

O Jurista e Poeta Paulo Bomfim faleceu no último domingo – 07/07/2019

 

 

No início da tarde, deste domingo (7), transformou-se em palavras, aos 92 anos, o poeta Paulo Bomfim, decano da Academia Paulista de Letras (Cadeira 35) e integrante do Tribunal de Justiça de São Paulo. O bardo que em seus versos cantou o amor à Terra de Piratininga, ao povo paulista e à Justiça será velado no Salão do Tribunal do Júri do Palácio da Justiça, sede da Corte bandeirante.

 

O velório é hoje (8), das 8 às 12 horas, no Palácio da Justiça (Praça da Sé, s/nº), de onde sairá para o sepultamento no Cemitério da Consolação (Rua da Consolação, 1660, São Paulo/SP).

 

Às 11 horas haverá Missa de Corpo Presente celebrada por Dom Fernando Antônio Figueiredo, bispo de Santo Amaro.

 

“É uma perda inestimável para a cultura e a memória de São Paulo e do Brasil”, declarou o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Manoel de Queiroz Pereira Calças, ao tomar conhecimento de sua morte. “Paulo Bomfim deixa uma legião de amigos e admiradores no Tribunal paulista, uma família que formou ao longo de décadas de serviços prestados ao Judiciário.”

 

Saiba mais sobre a vida e trajetória do Príncipe dos Poetas:

 

Paulo Lébeis Bomfim nasceu em São Paulo (SP), em 30 de setembro de 1926, filho de Simeão dos Santos Bomfim e Maria de Lourdes Lébeis Bomfim e descendente de bandeirantes e fundadores de cidades. Sua mãe era artista e seu pai – homem que sabia falar grego e latim – formou-se médico em 1918, na primeira turma da Faculdade de Medicina de São Paulo. Pela influência dos pais, Paulo Bomfim cresceu rodeado de cultura, desde criança convivendo com artistas amigos de sua família, como Guilherme de Almeida e Heitor Villa-Lobos.

 

Em 1932, o então menino, presenciou a Revolução Constitucionalista, movimento que marcou sua vida e obra. Homens de sua família lutaram nas trincheiras e mulheres participaram como enfermeiras e auxiliares. Sua tia Nicota cuidou das famílias dos exilados e hoje repousa no Obelisco Mausoléu aos Heróis de 32, no Ibirapuera. À medida que os participantes envelheciam e morriam, o poeta foi, aos poucos, tornando-se a memória viva da jornada constitucionalista. “A trincheira de 32 foi a pia batismal da democracia”, escreveu Bomfim. Leia e ouça o poema “Os jovens de 32”.

 

Foi aluno da velha e sempre nova Academia de Direito do Largo de São Francisco, mas optou por não terminar o curso jurídico, a fim de se dedicar ao jornalismo. Iniciou suas atividades jornalísticas em 1945, no Correio Paulistano, indo a seguir para o Diário de São Paulo a convite de Assis Chateaubriand, onde escreveu durante uma década a coluna “Luz e Sombra”. Além de jornais, Paulo Bomfim atuou no rádio e na televisão.

 

A saga de Paulo Bomfim também se confunde com a história do Tribunal de Justiça de São Paulo. Começou no Poder Judiciário com o juiz de menor Aldo de Assis Dias, onde trabalhou organizando técnicas do Juizado. É de sua autoria o Hino do TJSP, da Escola Paulista da Magistratura (EPM) e da Associação Paulista de Magistrados (Apamagis). Ele também é o único que o TJSP homenageou em vida com uma sala que leva seu nome: Espaço Cultural Paulo Bomfim, localizado no 2º andar do Palácio da Justiça, e que abriga acervo pessoal, composto por obras de sua autoria, honrarias recebidas e cópia de seu retrato feito por Anita Malfatti, além de vestes e apetrechos da Revolução Constitucionalista de 32.

 

A Justiça e seus integrantes foram temas de diversos versos do poeta, como em “Credo”: “Creio na vocação judicante e na responsabilidade que esse ofício nos confere. / Creio no destino de um Poder que dá a São Paulo dignidade no Presente e confiança no Futuro / Creio na saga da Magistratura bandeirante que tem neste Palácio seu templo, sua tribuna e sua liturgia / Creio na sacralidade da toga, na missão de julgar, na vitória da Lei a serviço do Bem.”

 

Em 1945, Anita Malfatti pintou “O retrato”, obra que retrata o jovem poeta Paulo Bomfim. Seu livro de estreia foi “Antônio Triste”, publicado em 1947, com prefácio de Guilherme de Almeida e ilustrações de Tarsila do Amaral. Na apresentação, Guilherme de Almeida saudou o jovem estreante como “o novo poeta mais profundamente significativo da nova cidade de São Paulo”. A obra foi premiada, em 1948, pela Academia Brasileira de Letras com o “Prêmio Olavo Bilac”. Na comissão julgadora, Manuel Bandeira, Olegário Mariano e Luiz Edmundo. “O prêmio que recebi de Manuel Bandeira nos anos 1940 foi o meu batismo”, disse o poeta em certa ocasião.

 

Suas obras foram traduzidas para o alemão, o francês, o inglês, o italiano e o castelhano. O poeta Paulo Bomfim ocupa desde 1963 a cadeira 35 da Academia Paulista de Letras, da qual se tornou o decano. Ao longo de sua trajetória publicou 37 obras.

 

Entre as diversas honrarias, prêmios e reconhecimentos que recebeu ao longo da vida, em 1981 Paulo Bomfim foi eleito “Intelectual do Ano” pela União Brasileira de Escritores, conquistando o Troféu Juca Pato. Em 1991, recebeu o título de “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, outorgado pela Revista Brasília, e o prêmio “Obrigado São Paulo”, da TV Manchete. Também ganhou o “Prêmio da União Brasileira de Escritores”, por seus 50 anos de poesia. Em 2004 recebeu o troféu “Destaque Cultural”, entregue pelo governo de São Paulo. Em 2012 foi agraciado com o “Colar do Mérito Judiciário do Tribunal de Justiça de São Paulo”, a mais alta honraria da Corte paulista. Também recebeu o “Destaque Cultural 2014”, entregue pelo governador do Estado, e diversas condecorações alusivas à jornada de 32.

 

“Enquanto viver, por onde andar, levarei teu nome pulsando forte no coração, e quando esse coração parar bruscamente de bater, que eu retorne à terra donde vim, à terra que me formou, à terra onde meus mortos me esperam há séculos; por epitáfio, escrevam apenas sobre meu silêncio, minha primeira e eterna confissão: – EU TE AMO SÃO PAULO!”

 

 

Da Redação com informações provenientes da Comunicação Social TJSP – (texto e foto)