Cultura – Literatura: Doodle do Google comemora os 105º aniversário de Carolina de Jesus que é uma das mais importantes escritoras negras do Brasil.

Doodle do Google comemora os 105º aniversário de Carolina de Jesus que é uma das mais importantes escritoras negras do Brasil.

 

O Doodle do Google homenageia nesta quinta-feira a escritora Brasileira Carolina de Jesus, a sua importância na literatura brasileira não é somente por ela ser negra, e sim por conseguir passar para o papel as suas experiências de uma forma em que o leitor se prende do começo ao fim, e pela primeira vez a voz das pessoas marginalizadas foi ouvida.

Doodle em homenagem ao 105º do aniversário de Carolina de Jesus – Imagem: google.com.br

 

Nascida em 1914 no dia 14 de março, na cidade rural de Sacramento, Minas Gerais, Carolina Maria de Jesus até hoje tem a sua importância subestimada dentro da literatura brasileira. A escritora teve uma vida complexa e tensa como só pode ser a vida de uma mulher negra. Estudou por dois anos “as primeiras letras”, como diziam, mas interrompeu os estudos porque foi obrigada a migrar com a mãe para outras cidades, na luta pela sobrevivência. Vagou, segundo suas anotações em diários, por algumas cidades do interior de São Paulo, até que por fim migrou para a capital paulista (1947), como empregada doméstica acompanhando os patrões.

“A fome também é professora. Quem passou fome aprende a pensar no futuro e nas crianças. ”

—Carolina Maria de Jesus

Ninguém esperava que Carolina Maria de Jesus se tornasse uma autora mundialmente famosa, mas seu primeiro livro, Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, tornou-se um best-seller internacional. Nascida no Brasil, em 1914, para uma mãe solteira descendente de escravos e meeiros, Carolina tinha uma educação limitada. Ainda assim, sua prosa poderosa destacou as lutas das pessoas que moram nas favelas de São Paulo, espalhando favelas em uma das maiores cidades do mundo.

Enquanto criava sozinha o primeiro de seus três filhos, Carolina construiu uma casa improvisada com tábuas de madeira, madeira compensada e outros materiais encontrados. Ela ganhava a vida como empregada doméstica e reciclando papel, latas e garrafas para alimentar sua família. Ao longo disso, ela encontrou tempo para manter um diário, enchendo cadernos antigos com os detalhes da vida diária em um mundo que ela descreveu como a “sala de despejo” da cidade.

Em 1958, Audalio Dantas, um repórter de um jornal local, ouviu de Jesus exclamar para um grupo de homens que, se não se comportassem melhor, ela colocaria seus nomes em seu livro. Depois de pedir para ver o livro, ele ficou impressionado com o poder de sua escrita. “Seu talento era realmente único”, disse Dantas, que organizou a publicação dos diários no jornal local.

Instantaneamente, o artigo causou uma sensação que levou o primeiro livro de Carolina a vender 10 mil cópias em apenas três dias, tornando-se um dos livros mais lidos da história da publicação brasileira. Foi finalmente traduzido em 13 idiomas diferentes e distribuído em mais de 40 países, dando voz às pessoas marginalizadas e abrindo novos caminhos para autores negros no Brasil e em todo o mundo.

Feliz aniversário de 105 anos, Carolina!

Das Redação com informações provenientes da www.google.com/doodles