Petrolão: CPI da Petrobras convoca tesoureiro do PT e presidente do BNDES

A reunião desta terça-feira da CPI da Petrobras aprovou 100 requerimentos, entre convocações e pedidos de documentos a diversos órgãos. - Foto: Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados
A reunião desta terça-feira da CPI da Petrobras aprovou 100 requerimentos, entre convocações e pedidos de documentos a diversos órgãos. – Foto: Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados

 

 

Os depoimentos de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, e de Luciano Coutinho, presidente do BNDES, ainda não têm data marcada. Na próxima quinta-feira (26), a CPI ouvirá o depoimento da ex-presidente da estatal Graça Foster.

 

 
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras aprovou nesta terça-feira (24) a convocação do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho.

 

 

O colegiado também aprovou pedido à Petrobras das imagens e gravações de todas as reuniões do Conselho de Administração da empresa entre 2005 e 2015, conselho que foi presidido pela presidente da República, Dilma Rousseff, entre 2003 e 2010. Ao todo foram aprovados cem requerimentos, entre convocações e pedidos de documentos a diversos órgãos.

 

 

Além de Vaccari e Coutinho, a comissão aprovou a convocação de outras 27 pessoas, entre diretores de empresas contratadas pela Petrobras, representantes de fundos de pensão e fundos que investiram em empresas contratadas pela estatal, ex-diretores e dirigentes de refinarias. Os nomes foram indicados pelos sub-relatores da CPI a partir dos requerimentos feitos pelos membros da comissão.

 

 

Os depoimentos ainda não têm data para acontecer. Na próxima quinta-feira (26), a CPI vai ouvir a ex-presidente da Petrobras Maria das Graças Foster.

 

 

Pressão e acareação

 

 

Em função do início da Ordem do Dia no Plenário da Câmara, a CPI não votou os pedidos de acareação entre o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco e o ex-diretor da estatal Renato Duque, como queria a oposição.

 

 

 

“Seria importante também convocar a mulher de Renato Duque”, reclamou o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Segundo informações veiculadas por sites noticiosos, a mulher de Duque teria procurado o ex-presidente Lula para pressioná-lo pela soltura do marido, quando este foi preso no final do ano passado.

 

 

 

Barusco e Duque já prestaram depoimento à CPI. O primeiro admitiu ter recebido 70 milhões de dólares em propinas da empresa e acusou o segundo de ter recebido quantia parecida. Duque negou. “Somos contra a convocação de parentes de quem quer que seja como forma de pressão”, disse o deputado Afonso Florence (PT-BA).

 

 

 

O deputado Ivan Valente (Psol-SP) reclamou do fato de não ter sido votada a convocação de Fernando Soares, apontado pelo Ministério Público Federal como operador do PMDB no esquema de desvio de dinheiro da Petrobras.

 

 

Vaccari e Coutinho

 

O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi apontado em diversos depoimentos da Operação Lava Jato como destinatário de propina paga por empresas contratadas pela Petrobras. Ele está sendo processado pelo Ministério Público Federal por corrupção e lavagem de dinheiro. Vaccari nega as acusações.

 

 

Luciano Coutinho foi convocado para prestar esclarecimentos a respeito dos investimentos feitos pelo banco na empresa Setebrasil, criada em 2011 e contratada pela Petrobras especificamente para construir sondas de perfuração para exploração do petróleo do pré-sal. O ex-gerente da estatal Pedro Barusco foi reconvocado para dar mais explicações sobre a criação dessa empresa.

 

 

 

O BNDES financiou o projeto de criação da Setebrasil, que também contou com recursos dos fundos de pensão Petros, Previ (do Banco do Brasil), Valia (da Vale do Rio Doce), Funcef (da Caixa Econômica Federal), Petrobras e dos bancos BTG Pactual, Bradesco e Santander. Representantes dos fundos de pensão também foram convocados pela CPI.

 

 

 

A empresa Setebrasil foi criada em 2011 para executar 28 contratos de construção de sondas de perfuração do a Petrobras. Para isso, a empresa contratou estaleiros. Os contratos de operação entre a Setebrasil e a Petrobras eram de 500 mil dólares por dia de operação para as primeiras sete sondas, e de 530 mil dólares para as outras 21. O total dos contratos é de 22 bilhões de dólares.

 

 

Distribuição da propina

 

 

Segundo os depoimentos de Pedro Barusco, a contratação da Setebrasil rendeu propina, distribuída da seguinte maneira: 2/3 iam para o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e 1/3 para a “Casa” – ou seja, para os diretores da Setebrasil: o próprio Barusco, João Carlos de Medeiros Ferraz (presidente da Setebrasil) e Eduardo Musa (diretor de Participações).

 

 

O pedido de convocação de Coutinho foi feito pelo deputado André Moura (PSC-SE), sub-relator de Irregularidades na operação da companhia Sete Brasil e na venda de ativos da Petrobras na África.

 

 

 

Segundo os depoimentos de Pedro Barusco à Justiça Federal, a propina destinada a Vaccari tinha origem nos contratos firmados entre a Setebrasil e os estaleiros Atlântico Sul, Enseada do Paraguaçu, Rio grande e Kepel Fels. A propina destinada à “Casa” tinha origem nos contratos firmados entre a Setebrasil e os estaleiros Kepel Fels e Jurong.

 

 

 

Ele também informou os nomes dos operadores financeiros de cada estaleiro: Ildefonso Colares (Atlântico Sul), Zwi Zcorniky (Kepel Fels), Guilherme Esteves de Jesus (Jurong), Rogério Araújo (Enseada do Paraguaçu, que também representava a Odebrecht no consórcio com a UTC, OAS e Kawasaki) e Milton Pascovich (Rio Grande).

 

 

 

Todos os diretores da Setebrasil também foram convocados a depor. Não há datas ainda para os depoimentos.

 

 

 
Da Redação com informações da Agência Câmara Notícias