Economia: Balanço da Petrobras não é suficiente para tranquilizar investidores

Petrobras apresentou os resultados auditados do exercício de 2014 nesta quarta-feira, 22 de abril de 2015, no Rio de Janeiro. Foto: Agência Petrobras/Fotos Publicas
Petrobras apresentou os resultados auditados do exercício de 2014 nesta quarta-feira, 22 de abril de 2015, no Rio de Janeiro.
Foto: Agência Petrobras/Fotos Publicas

 

 

A divulgação dos resultados da Petrobras apontou um prejuízo de mais de R$ 6 bilhões ligados à corrupção. Para especialistas ouvidos pela RFI, esses números correspondem às previsões feitas pelo mercado, mas ainda não tranquilizam os investidores, que podem se questionar sobre as práticas de gestão de outras empresas brasileiras que contam com a participação do Estado.

 

Os números, apresentados com cinco meses de atraso, apontam que a empresa acumulou R$ 21,6 bilhões de prejuízos em 2014. Essa seria a primeira vez que a Petrobras registra perdas anuais desde 1991. Mas o dado que mais chama a atenção é que, desse valor, R$ 6,2 bilhões são ligados ao esquema de corrupção envolvendo a estatal.

 

 

Para Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura, “esses números dão uma certa tranquilidade, pois foram mais ou menos os que o mercado já imaginava. Mas os resultados também provocam uma certa preocupação, pois eles mostram de maneira transparente que a Petrobras foi destruída nos últimos anos”.

 

 

 

Após a divulgação, o governo declarou que o balanço refletia a “superação” da companhia após sucessivas denúncias de irregularidades envolvendo a Petrobras e reveladas pela Operação Lava Jato. No entanto, para Alex Agostini, economista-chefe da agência classificadora de riscos Austin Rating, esse resultado não é suficiente para tranquilizar os mercados. “Esse balanço não diz muita coisa, já que mais da metade do que é reconhecido de prejuízo ainda não foi explicado e não se sabe de onde saiu essa perda de ativos. Então fica evidente que houve um erro muito grave de gestão”.

 

 

 

Para Agostini, isso pode ter um impacto negativo não apenas para a gigante do petróleo. “Do ponto de vista econômico, fica manchada a imagem de um ícone do setor aos olhos da população brasileira, mas também dos investidores. Isso levanta a dúvida se as demais empresas que têm participação do mercado e uma grande fatia do governo como acionista vão receber novos investimentos, pois não se sabe quais são as práticas de gestão dessas empresas. Resultado : o país perde por causa de uma queda nos níveis de investimentos provocada por essa perda de credibilidade”.

 

 

Desafios para a Petrobras

 

 

De acordo com o diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura, “o grande desafio para o governo agora é conseguir que a empresa volte a ter lucro e que reconquiste a confiança do mercado”, já que a Petrobras “registrou a maior dívida de uma petroleira do mundo”. E, para isso, a lista de desafios é longa. Pires aconselha que a estatal reavalie a sua política de controle dos preços da gasolina e do diesel e venda ativos. Para ele, a obrigatoriedade de que gigante do petróleo detenha pelo menos 30% dos blocos do pré-sal também deve ser revista. “Mas o principal desafio é saber se esse governo que tem hoje a missão de reconstruir a Petrobras tem capacidade de fazê-lo”, finaliza o economista.

 

 

 
Da Redação com informações da RFI