CPI da Petrobras: O ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa fala a CPI da Petrobras

Paulo Roberto Costa
Paulo Roberto Costa

 

 
Começou a sessão da CPI da Petrobras convocada para ouvir o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, que já está na sala. Ele e o doleiro Alberto Youssef são, segundo a Polícia Federal, os principais informantes do esquema de desvio de dinheiro da Petrobras.

 

Em mais de 60 depoimentos à polícia, o ex-diretor confessou que recebia propina de empresas contratadas pela estatal. Costa ocupou a diretoria entre 2004 e 2012 e disse, nos depoimentos, ter sido indicado para o cargo pelo ex-deputado José Janene, do PP, partido que acusou de receber parte das propinas.

 

 

Ele também acusou outros dois partidos de receber pagamentos das empresas: o PT e o PMDB. Costa mencionou ainda o PSDB, ao afirmar que o ex-presidente do partido Sérgio Guerra, já falecido, pediu dinheiro para evitar a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras, no ano passado.

 

 

De acordo com Paulo Roberto Costa, a parte que cabia ao PT era repassada ao tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. Ele acusou ainda o empresário Fernando Soares de ser operador do PMDB. Soares e Vaccari estão presos em Curitiba e negam envolvimento no caso.

 

 

 

Costa será ouvido na condição de investigado e, como fez acordo de delação premiada com a Justiça, será obrigado a dizer a verdade. A determinação está contida na autorização dada pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), para que ele compareça à CPI.

 

 

Cartel

 

 

O ex-diretor da Petrobras detalhou à Justiça o funcionamento do cartel de empresas contratadas pela estatal. Ele afirmou que o processo licitatório da Petrobras era correto, mas que as empresas combinavam os preços que iriam cobrar e adicionavam a seus custos 3% – que seria pago em propinas aos partidos políticos, diretores e operadores.

 

 

Segundo ele, a propina saía da taxa de lucro das empresas e o sobrepreço era decorrente de falhas nos projetos básicos de engenharia, que permitiam a assinatura de sucessivos termos aditivos.

 

 

Nos depoimentos à Justiça, ele acusou de fazer parte do esquema o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, segundo ele ligado a Vaccari e ao PT. À CPI, Duque negou envolvimento no caso, assim como Vaccari.

 

 

Costa também listou políticos que teriam recebido propina – eles estão sendo investigados em inquéritos abertos pelo Supremo Tribunal Federal a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

 

 

As informações prestadas por Costa foram, em grande parte, reforçadas pelos depoimentos do doleiro Alberto Youssef, apontado pela Operação Lava Jato como o principal operador do esquema.

 

 

 

Da Redação com informações Agência Câmara Notícias