CPI da Petrobras: Ex-auditor da Petrobras critica gestão da empresa e responsabiliza gestores por prejuízos

Petrobras
Petrobras

 

 

Mauro Cunha, ex-integrante do Comitê de Auditoria da Petrobras, começou seu depoimento à CPI que investiga irregularidades na estatal com fortes críticas à gestão da empresa.

 

Em março de 2014, Cunha questionou o modelo de avaliação contábil das obras das refinarias da Petrobras e votou contra a aprovação do balanço da empresa. O balanço foi publicado mesmo assim.

 

 

 

O Comitê de Auditoria foi criado para assessorar o Conselho de Administração da companhia, do ponto de vista contábil e de controle interno, uma exigência da lei americana – que a Petrobras tem que seguir por ter ações na Bolsa de Nova Iorque.

 

 

 

Cunha foi eleito para o cargo pelos acionistas minoritários da Petrobras e, depois de se recusar a aprovar o balanço, foi afastado, segundo ele, pelo presidente do Conselho Administrativo da estatal, o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega. “Eu estava há apenas um ano no comitê e fui expulso, sob a alegação de que seria feita uma renovação total, o que não ocorreu. Só eu saí, depois que não quis referendar o balanço da empresa. A partir daí o conselho passou a ser controlado apenas por pessoas indicadas pelo controlador, ou seja, pelo governo”, explicou.

 

 

 

Entre os motivos que ele alegou para não aprovar o balanço está a perda de valor contábil da Refinaria Abreu e Lima (Renest), em Pernambuco, e o que ele chamou de “mascaramento” de problemas cambiais ao se analisar os ativos da empresa. “O comitê foi aparelhado”, disse Cunha à CPI.

 

 

Corrupção e prejuízos

 

 

Segundo Cunha, o sistema de controle interno da Petrobras falhou e não identificou atos de corrupção na estatal, o que foi motivado por erros de gestão – além dos atos irregulares de diretores. “O conselho de administração não consegue enxergar atos isolados de corrupção. A Petrobras possui o sistema de governança mais completo que já vi, mas ele só é fantástico no papel. Normas internas não foram cumpridas. A governança falhou”, disse.

 

 

 

Cunha responsabilizou os gestores da Petrobras pelos prejuízos da empresa nos últimos anos. “A enorme capitalização da Petrobras atropelou princípios. Foram 330 bilhões de dólares de prejuízos desde 2009”, disse. Segundo ele, somente a política de combustíveis da Petrobras gerou prejuízos de 100 bilhões de dólares nos últimos anos. “[Foram feitos] investimentos ruins e procedimentos foram ignorados para viabilizar projetos.”

 

 

A CPI continua reunida no plenário 6.

 

 

 

Da Redação com informações da Agência Câmara Notícias