Internacional: Rússia decide vender mísseis S-300 ao Irã, apesar de protestos da comunidade Internacional

Rússia decide vender mísseis S-300 ao Irã apesar de protestos da comunidade Internacional
Rússia decide vender mísseis S-300 ao Irã apesar de protestos da comunidade Internacional

 

O presidente russo, Vladimir Putin, assinou um decreto que anula a proibição, por parte de uma resolução da ONU, de vender mísseis terra-ar S-300 à República Islâmica. A negociação estava bloqueada há cinco anos. Houve reação internacional à iniciativa.

 

 

O presidente Vladimir Putin assinou um decreto em que suspende a proibição do fornecimento dos mísseis para o Irã. Moscou considera que o acordo firmado em Lausanne no dia 2 de abril passado entre a República Islâmica e as potências ocidentais -China, Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha e a própria Rússia – não tem ligação com as sanções nem a venda dos S-300.

 

 

O negócio

 

 

Para entendermos o negócio dos S-300, bloqueado há cinco anos, é preciso lembrar que o ex-presidente russo, Dmitri Medvedev, proibiu em 2010 a entrega dos mísseis ao Irã, aplicando a resolução 1929 da ONU, que sancionava o Irã por seu programa nuclear controverso. O contrato, no valor de US$800 milhões, havia sido fechado em 2007 e previa a entrega de cinco sistemas de mísseis. A Rússia, porém, recusou-se a entregar a encomenda ao Irã sob o pretexto de que os mísseis eram cobertos pela quarta rodada das resoluções do Conselho de Segurança da ONU contra o Irã.

 

 

 

A proibição fez o Irã levar o caso ao Tribunal Internacional de Arbitragem, em Genebra, e pedir a Moscou uma indenização de US$4 bilhões. Desde então, Moscou e Teerã vêm tentando resolver a questão.

 

 

 

Hoje, para o governo russo, a venda dos mísseis para o Irã não fere o embargo decidido em 2010, nem tem relação com as negociações em Genebra entre o Irã e as potências.

 

 

 

Os mísseis de defesa aérea S-300 interceptam aviões e mísseis em voo; eles pertencem a uma família de sistemas de mísseis antiaéreos criada ainda durante a era soviética e aperfeiçoado pela Rússia.

 

 

Reações

 

 

 

Israel foi o primeiro país a reagir à iniciativa de Putin, considerando que o gesto dá legitimidade ao Irã.

 

 

 

O Pentágono também criticou o fim da proibição russa do envio de mísseis ao Irã. O secretário de Estado americano, John Kerry, comunicou ao chanceler russo, Serguei Lavrov, que está preocupado. Para o governo americano, não é o momento de vender esse tipo de arma devido às tensões na região. “A atitude de Moscou não é construtiva”, afirmam os Estados Unidos. O porta-voz do Pentágono, Steven Warren, observou que ” a oposição a esse tipo de venda é antiga e é pública. Pensamos que não ajudam em nada no contexto regional. Toda a venda de tecnologia avançada para o Irã é uma fonte de preocupação pra nós”, disse Warren.

 

 

O Irã, em contrapartida, elogiou a decisão russa de suspender a proibição da entrega das baterias anti-aéreas. “O desenvolvimento da cooperação bilateral {com a Rússia} e com os países vizinhos em diversas áreas podem ser muito eficientes para a estabilidade e a segurança duradoura da região”, declarou o ministro da Defesa iraniano, Hossein Dehghan, referindo-se ao desenvolvimento das atividades terroristas no território.

 

 

Acordo de Genebra

 

 

 

Os negociadores do acordo de Genebra, que devem retomar as discussões na próxima semana, têm até 30 de junho para acertar detalhes técnicos e jurídicos bastante complexos. Eles vão tentar redigir um documento definitivo que colocaria um ponto final em 12 anos de crise diplomática internacional sobre o programa nuclear iraniano.

 

 

Sanções

 

 

 

O Irã, devido ao programa nuclear, e a Rússia, pela implicação na crise da Ucrânia, são alvo de sanções econômicas dos Estados Unidos e de países europeus. As duas nações se aproximaram economicamente nos últimos anos e, no plano político, apoiam o regime do presidente sírio Bachar al-Assad.

 
Da Redação com informações de Agências Internacionais e da RFI