Internacional: Polícia alemã revista casa do copiloto da Germanwings e apreende material

Policiais alemães deixaram a casa da família Lubitz levando um computador, uma caixa e dois grandes sacos plásticos, em Montabaur, na Alemanha, na noite desta quinta-feira (26). REUTERS/Kai Pfaffenbach
Policiais alemães deixaram a casa da família Lubitz levando um computador, uma caixa e dois grandes sacos plásticos, em Montabaur, na Alemanha, na noite desta quinta-feira (26).
REUTERS/Kai Pfaffenbach

 

Investigadores alemães realizaram buscas na noite desta quinta-feira (26) no apartamento em Dusseldorf do copiloto da Germanwings, Andreas Lubitz, de 28 anos. Ele é acusado de ter provocado a queda do Airbus A320 nos Alpes franceses na última terça-feira (24). Na casa onde Lubitz mora com a família, em Montabaur, no oeste da Alemanha, a polícia apreendeu um computador e outros pertences.

 

 

O procurador alemão Ralf Herrenbruck informou que tanto a casa onde Lubitz vivia uma parte do tempo com a família, em Montabaur, como o apartamento do copiloto, em Dusseldorf, foram revistados nesta noite. Da residência dos pais, os policiais apreenderam um computador, e também levaram uma caixa e dois grandes sacos plásticos.

 

 

 

Uma pessoa escondendo o rosto com um casaco saiu escoltada pela polícia da casa de Montabaur. O indivíduo não quis falar com a imprensa, que cerca a residência dos Lubitz neste pequeno vilarejo de pouco mais de 12 mil habitantes.

 

 

 

Uma dezena de policiais faz a segurança do local desde que o conteúdo de uma caixa-preta do Airbus A320 da Germanwings foi revelado nesta tarde. Investigadores também interrogaram os vizinhos da família Lubitz.

 

 

 

Em um comunicado, a polícia informou que as buscas se concentram no apartamento de Dusseldorf e na residência de Montabaur, mas também em outros locais, não revelados. O objetivo, segundo o documento, é “encontrar elementos pessoais suscetíveis de esclarecer os fatos”.

 

 

Os pais de Andreas Lubitz chegaram nesta tarde ao vilarejo de Le Vernet, nos Alpes franceses, na região onde o Airbus A320 da Germanwings caiu. Outros 300 parentes das vítimas também estão no local acompanhando as investigações.

 

 

Vontade deliberada de destruir o avião

 

 

 

Em coletiva de imprensa nesta tarde, o procurador de Marselha, Brice Robin, revelou o conteúdo da primeira caixa-preta encontrada. Nas gravações, o piloto e o copiloto conversam normalmente durante o voo. Após fazer um briefing da aterrissagem em Dusseldorf, o piloto deixa o cockpit por alguns momentos, mas não consegue retornar. Lubitz bloqueou a porta e não respondeu aos pedidos desesperados dos colegas.

 

 

 

De acordo com o procurador de Marselha, na gravação, o copiloto estava respirando normalmente, o que prova seu estado de consciência. Foi ele o responsável por programar a descida da aeronave a uma altitude mínima enquanto o piloto estava fora da cabine, o que Robin classificou de “uma vontade deliberada de destruir o avião”.

 

 

 

Nos últimos momentos da gravação, também são ouvidos gritos dos passageiros, instantes antes do choque. Todas as 150 pessoas a bordo morreram.

 

 

Suspeita de depressão

 

 

 

Em coletiva de imprensa, o presidente da Lufthansa, Carsten Spohr, revelou que, quando Lubitz realizou o treinamento de piloto, há seis anos, ele interrompeu a formação. Três meses depois, retomou o curso.

 

 

 

O executivo não soube, no entanto, explicar a desistência temporária do copiloto. “Isso é algo absolutamente normal. No momento em que a pessoa volta, ela passa por todos os testes novamente”, disse, acrescentando que a companhia realiza periodicamente testes psicológicos com seus profissionais.

 

 

 

Amigos do copiloto disseram à revista alemã Der Spiegel, no entanto, que o motivo da pausa no treinamento foi uma depressão que Lubitz enfrentava. Mesmo estando a par do afastamento, a Germanwings contratou o rapaz, que tinha 630 horas de voo.

 

 

Um jovem normal e “de bem com a vida”

 

 

 

Os vizinhos de Lubitz em Montabaur contam que ele gostava de correr com o irmão mais novo e a namorada, tendo inclusive participado de várias competições oficiais em que terminou entre os primeiros classificados.
Klaus Radke, de 66 anos, presidente de um aeroclube frequentado pelo copiloto, disse que ele era um jovem “normal”, “de bem com a vida” e “muito competente”.

 

 

Outro morador de Montabaur, Johannes Rossbach, de 23 anos, declarou estar chocado com as revelações da justiça francesa. “Eu o encontrava raramente, mas ele era sempre educado e agradável”, afirmou. Rossbach desconhece se Lubitz estava em depressão ou doente. “Mas eu nunca ouvi falar que ele ou a família tivessem problemas graves”, acrescentou.

 

 
Da Redação como fonte de informação da RFI