Internacional: Dezenas de Franceses que combateram com o Estado Islâmico voltam ao país e preocupam as autoridades

À direita, uma foto de Michael dos Santos retirada de sua conta no Twitter
À direita, uma foto de Michael dos Santos retirada de sua conta no Twitter

 

 

Já se contam às dezenas e logo serão às centenas os combatentes que retornam à França depois de ter passado períodos na Síria e no Iraque ao lado de grupos jihadistas. Por isso, a polícia francesa criou um imenso aparato de vigilância para detectar eventuais terroristas. Entre as medidas, há um volumoso arquivo de fotos que servirá de base para interrogatórios.

 

Durante os primeiros meses da insurreição síria, era relativamente fácil saber o que os aprendizes de jihadistas faziam no front: bastava vigiar as redes sociais e fazer capturas de tela das fotografias em que eles apareciam ostentando fuzis AK-47, posando diante de tanques ou segurando cabeças decapitadas. “Isso nos servia de prova e os jihadistas entenderam isso. Encontramos cada vez menos provas”, contou à AFP sob condição de anonimato um alto responsável do departamento antiterrorista francês.

 

 

Interrogatórios

 

 

Essa mesma fonte afirmou que líderes do grupo Estado Islâmico passaram a confiscar os telefones celulares de seus combatentes para evitar que este tipo de situação se repita. “Se temos provas contra eles, as apresentamos à Justiça e eles são presos imediatamente. Sem provas, é preciso interrogá-los”, afirmou o responsável. As fotos ainda serviam como elemento de pressão para que combatentes presos denunciassem seus colegas.

 

 

O método foi confirmado recentemente pelo juiz antiterrorista Marc Trédivic. Em entrevista à televisão francesa ele descreveu o procedimento: “Com os que regressam, fazemos painéis fotográficos dos jihadistas franceses e dos belgas. Mostramos as fotografias e perguntamos: ‘O que fez este aqui’, e eles respondem: ‘Ah, sim, este é fulano, que estava em Raqqa. Este estava com a polícia islâmica, aquele combateu, aquele outro participou de execuções públicas”.

 

 

 

Diante dos investigadores, os repatriados geralmente afirmam ter renunciado à jihad (guerra santa islâmica): “Eles dizem que estiveram lá, viram atrocidades e resolveram voltar, ao que respondemos: ‘seus amigos, no entanto, disseram que você não estava tão mal. Você até que demorou bastante para voltar”, explicou Trédivic.

 

 

Risco de novos atentados

 

 

De fato, a maioria dos combatentes que voltam da Síria, embora sigam tendo convicções islâmicas radicais, não passam ao ato, mas as autoridades temem que uma minoria possa decidir promover atentados na Europa. A grande dificuldade é separar uns dos outros.

 

 

Atualmente, o grupo Estado Islâmico conta com algo entre 5 mil e 6 mil combatentes europeus. Mais de 1.400 deles, de origem francesa. Para o responsável entrevistado pela AFP, é impossível controlar todas essas pessoas. “Novos atentados vão acontecer”, afirma.

 

 

 

Da Redação com informações de Agências Internacionais e da RFI