Internacional: Armênia lembra 100 anos de genocídio e quer reconhecimento da Turquia

Armênia
População armênia faz homenagens em memória das vítimas do genocídio na cidade de Etchmiadzin, perto de Yerevan. REUTERS/David Mdzinarishvili

 

A Armênia celebra nesta sexta-feira (24) os 100 anos do início do genocídio de 1,5 milhão de cristãos armênios mortos em massacres cometidos por tropas do império turco-otomano durante a Primeira Guerra Mundial. A tragédia, que até hoje não foi reconhecida pela Turquia, começou a ser lembrada ontem com a canonização simbólica das vítimas.

 

“O reconhecimento do genocídio não é uma homenagem do mundo ao povo armênio e a nossos mártires. O reconhecimento do genocídio é um triunfo da consciência humana e da justiça sobre a intolerância e o ódio”, declarou em seu discurso o presidente armênio, Serge Sarkissian.

 

 

Cem anos após o massacre que deixou mais de 1,5 milhão de mortos na comunidade armênia, a qualificação dos atos continua sendo motivo de tensão com a Turquia, que se recusa a usar o termo genocídio.

 

 

Para a Armênia e muitos outros países, o massacre de 1915 constitui o primeiro genocídio do século 20. O governo turco admite que um grande número de cristãos armênios morreram nos combates que tiveram início em abril, mas contesta que deixaram centenas de milhares de mortos.

 

 

Dezenas de delegações de diversos países assistiram na capital Yerevan às cerimônias realizadas em um memorial criado para lembrar o genocídio.

 

 

Líderes esperam mais declarações da Turquia

 

 

O presidente Sarkissian agradeceu a presença dos líderes estrangeiros, como os presidentes da França, François Hollande, e da Rússia, Vladimir Putin, dizendo que “assim nada será esquecido”.

 

 

O presidente Hollande estimou que a Turquia pronunciou “palavras importantes” sobre o genocídio armênio, mas destacou que “outras ainda são aguardadas”. A França garante que “nunca esquecerá” o episódio.

 

 

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que nada poderia “justificar massacres em massa”, durante sua participação nas homenagens às vítimas.

 

 

Alemanha reconhece genocídio

 

 

A lista de cerca de 20 países que reconhecem o genocídio, incluindo França, Rússia e Uruguai, vem crescendo. Na quinta-feira (23), pela primeira vez, a Alemanha reconheceu o fato histórico. O presidente alemão, Joachim Gauck, disse que os alemães também foram responsáveis pelas mortes em massa dos armênios.

 

 

Já o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, evitou o termo genocídio, e ontem disse que os armênios foram vítimas de “horríveis massacres”.

 

 

O Brasil também não está entre os países que usam a palavra genocídio, embora três estados brasileiros – São Paulo, Paraná e Ceará – reconheçam o genocídio armênio. A numerosa comunidade armênia residente em Los Angeles, Paris, Beirute e Estocolmo promove eventos para lembrar a data.

 

 

Da Redação com informações da ONU